Paterson. No ideas but in things.

:: 3 minutos para esta leitura e, quem sabe, Paterson te leve ao cinema:

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Sem amor,

qual a razão para qualquer coisa?

 

Não sou uma pessoa muito do cinema, ainda que ame filmes. Digo isso por não ter o hábito de ir ao cinema e, diferente do que possa parecer, não é por não apreciar a arte. O que me afasta são as pessoas falando no local, aquele barulho de pipoca, de embalagens que se abrem, de latinhas de refrigerante, sem falar na luz dos celulares que insistem em iluminar a sala. Todavia, alguns filmes me obrigam a ir, seja pela ansiedade, seja pela experiência e expectativa.

Paterson é um desses casos. Certamente ele já entrou na lista de filmes para ver, rever, ver, rever…  O fato de estarmos próximos a Allen Ginsberg e Kerouac é apenas um detalhe, apaixonante por sinal. Com o bônus dos poetas Ron Padgett e William Carlos Williams. 

Em Paterson, a cidade é mais que um local, é um personagem. O homem é a cidade, é o ônibus. A cidade é o homem. Metáfora. Poesia. Sua narrativa segue o fluxo de um poema e isso é incrível. Um filme sensível e cheio de signos a serem descobertos. Repleto de referências  que te aquecem o coração a cada encontro.  Como aquele livro que aparece despretensiosamente na cena, lembrando a nós a obsessão humana pelo entretenimento, dos vícios, do narcisismo, do tempo e da solidão da nossa vida pós-moderna.  

Somos abraçados pela poesia, em diferentes  formas, por meio da celebração da riqueza existente na monotonia e banalidade do nosso dia a dia. Temos aqui, aquilo que é “simples” indo de encontro  a “complexidade da vida”. Somos confrontados a ver aquilo que por muito ignoramos, demonstrando que temos coisas que apenas não nos são perceptíveis por ficarmos apenas na superfície. Recebemos o convite a parar, observar e afundar. É preciso ir além do que se vê.

Vivemos o efêmero, na vida e na arte.  Nessa história, Jarmusch coloca o contraponto de um universo perene e imutável ao caos de ideias, permeado pelo universo onírico e mergulhado na efemeridade. O que mais gostei –  além de toda a poesia, sensibilidade e simplicidade? Não temos o ideal de vida aqui representado. Como em Woody Allen, existe a busca pelo real, aquilo que é a vida, nem sempre feliz, nem sempre perfeita. Todos tem problemas, vivem amores, não existe o certo ou o errado. 

Paterson escreve poemas na pausa do trabalho. Escritos e guardados em um pequeno caderno, para assim serem esquecidos. O poeta-motorista escreve e lê os poemas em voz, como se as palavras fossem, uma a uma colocadas para fora, num processo lento e necessário. Um murmúrio silencioso. Porque escrever dói. Como bem descreveu Caio, é como colocar um dedo na garganta, é o momento decisivo. É tirar sangue com as unhas, é a necessidade de sangrar a-bun-dan-te-men-te. É perceber aquilo que por muito tentamos esquecer e ignorar, é ordenar o caos. Escrevemos para nos mantermos vivos. Como diria Woolf “Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial”, nosso personagem parece entender isso. É um ato de luta, de coragem e, claro, de auto entrega.

Paterson me joga na cara a quantidade de artistas que mantinham uma vida paralela na arte, mostrando que não somos únicos. De dia se trabalha para pagar as contas, nas horas livres, se faz arte para continuar vivendo. Ao fim do mês as contas estarão mais uma vez a chegar e é preciso trabalhar. Fazemos arte para dar algum sentido a tudo, enfrentando nossos demônios e imergindo nesse processo doloroso. Fazemos arte para que existir tenha algum sentido. A poética é repetição, assim como a vida. Aquilo que te desestabiliza, talvez te inspire.

Desejo por fim, que todo artista encontre uma “Laura” em sua vida. E, lembre-se:

 – Você está jogando contra quem?
 – Eu mesmo.

 

P.s.: 
Ficou em dúvida?! Temos aqui o Marvin, o buldogue fofo do filme, para te convencer. Vencedor do Palm Dog em 2016, premiação alternativa em Cannes para melhor performance canina:

Bem vindos ao nosso novo mundo

Ser mãe pra mim é a realização de um sonho. Desde que me conheço por gente sonhava isso e só depois de ter o meu filho consegui entender o porquê (se é que precisa explicar esse tipo de coisa). O principal motivo, é que queria sentir e dar esse amor incondicional que a maternidade proporciona na relação mãe e filho. Mas, na mesma intensidade (não proporção) que esse amor invade nossa vida, outras coisas não tão boas surgem junto.

Quando estamos com as crianças as coisas parecem fluir em outro tempo, outro ritmo. No começo são as madrugadas intermináveis, trocas de fralda, mamá esse ciclo sem fim. Haha Depois vem a introdução alimentar, o desfralde, a escola, as primeiras palavras (não necessariamente nessa ordem) tudo isso vai surgindo, a gente não se dá conta que o mundo do “lado de lá” continua e quando percebemos, tudo está diferente.

Algumas pessoas não estão mais no mesmo lugar, outras coisas perdem a graça e isso assusta um pouco.

Quando finalmente surge um tempo livre, paro para pensar no que quero fazer, quem gostaria de ver e essa decisão se resume, geralmente, no quão dispostos os outros estão para estar comigo. Aqui bate a realidade.  E isso falo de amigos, desde os mais próximos até os nem tanto assim, e também dos familiares.

Mas não estou aqui culpando ninguém e muito menos reclamando da minha vida. Apenas quero expor um sentimento que tenho certeza não é só meu, e eximir uma culpa que não sei porque nós, pais, achamos que é nossa.

Pois isso mamães, amigos e amigas de mamães (e dos papais também viu gente) entendam que há sim um período em que a nossa família ficará mais reservada, no entanto a mãe e o pai continuam sendo aqueles bons de papo, que gostam de uma festa, reunião com amigos, jogar conversa fora, etc. Eles só estão um pouco diferentes, é verdade, mas numa versão melhorada. Temos um novo mundo para apresentar para vocês, e queremos fazer isso.

 

 

O papel do desconstruídão no blacklash

Ele é incrível! Parceiro. Luta pelas minorias. Entende as pautas feministas e sabe decor vários pedaços da “cartilha” feminista.

Faz questão de falar para as amigas o quão diferente ele é, o quanto se irrita com os papos machistas do seu grupo masculino de amigos e como fica enfurecido e envergonhado com a forma que seus “conhecidos” tratam e se referem às mulheres.

Apóia a libertação sexual feminina, o fim do tabu acerca da nudez, o aborto e claro, o poliamor. Ah sim, acha o máximo mulher que “dá” no primeiro encontro e que ganha mais que ele. Até arrisca a piadoca marota do: “é bom que aí ela pode me sustentar, rsrsrs”.

Mas não se engane pois cedo ou tarde ele vai te explicar coisas que você já sabe, ignorar tuas ideias quando na frente de vários homens pensantes e descontruídões como ele, lembrar que existem exceções e que “mulher também”, citando prontamente casos isolados quando uma mulher reclamar de alguma dificuldade institucionalizada, sem se importar em tirar o foco da pauta (não chame de protagonismo pois ele odeeeia esse termo!) e obviamente ele vai dizer aos quatro ventos qual feminismo presta e qual “já é exagero”.

O pior é que esse tipo de cara ganha elogios o tempo todo, tem várias meninas aos pés (e usa isso da melhor forma possível.. pra ele mesmo). Usa o amor livre como desculpa para ignorar ou tratar com indiferença uma mina com a qual ele teve algum tipo de relação íntima e se você procurar bem até está em algum grupo de “caiu na net” do qual ele não sai por alguma desculpinha bem bosta.

Apenas tenha cuidado pois quando ele for abusivo ou machista contigo, ninguém vai acreditar afinal: ele é incrível!

Eu no Tinder

:: Você levará 3 minutos para saber como essa experiência terminou::

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Rompi um noivado ano passado. Rompi um noivado cerca de 15 dias antes do casamento. Rompi um noivado e foi a melhor coisa que eu fiz da vida. Não foi fácil. Rompi um noivado e isso implica em estar solteira desde então. SOLTEIRA. Rompi um noivado e tive que ouvir: “Por quê ele te deixou?”. Rompi um noivado e tenho que lidar com a sociedade me dizendo que sou um  fracasso, pois não tenho um par, principalmente por já ser quase uma balzaquiana. 

 

Solteira. Isso ecoa como um mantra. Confesso que a mim esse status não é comum. Sou uma pessoa de relacionamentos duradouros. Não me lembro das vezes em que fiquei sozinha por muito tempo e, talvez por isso, eu esteja tão incomodada. Se me toca, me entrego. Não existe regra, pode levar um ano ou trinta minutos de conversa. É raro, mas acontece.

 

Eis que, logo eu que sempre tive o maior preconceito com esses aplicativos, estava lá selecionando fotos e quebrando a cabeça na “descrição”.  Afinal, como uma pessoa que não bebe, não gosta de sair e vive para o trabalho, vai tropeçar com o amor-da-vida (até que acabe)?

 

App instalado. Durou 3 dias, me senti ridícula, deletei. Voltei. Deletei. Voltei. Segui por mais uns 15 dias. Aquele processo de escolher o livro pela capa, deslizando o dedinho, muito para a esquerda e pouco para a direita.

 

Meu saldo:

 

– Vários match e nenhuma disposição em iniciar a conversa.

Confesso, tenho preguiça.

 

– Várias conversas que não passaram do “oi, tudo bem?”.

Desculpa, mas eu não tenho a mínima disposição para chat uol.

 

– Tantas outras conversas que se esvaíram em um dia.

Como é que se mantém elas?

 

– Um rapaz louco que não conseguia compreender um “Não estou afim”

Ao final, apenas um bloqueio para solucionar a insistência.

 

– Uma mensagem que no lugar do “oi” veio com “sexo hoje?!”.

Minha resposta: “sim, desde que não seja com você”. Não sei lidar, sorry! Ainda que várias pessoas tenham me dito que o Tinder era um app para sexo casual, queria provar o contrário.

 

– Sai com uma menina no dia do seu aniversário.

Ela era nova na cidade e achei que poderia ser interessante. Nada encantador e que morreu em dias de não conversas.

 

– Sai com um rapaz que eu já conhecia.

O encontro não foi nada além de uma conversa exaustiva, afinal, eu falo-pra-caralho e não senti aquele “toque”. Acho que ele já não aguentava aquele blá blá blá todo e fui embora, como sempre, me desculpando pela fala em excesso.

 

– Tive uma conversa empolgante sobre dicas literárias com um historiador bonitinho.

Não passou de um encontro fantástico e algumas mensagens durante a semana. Ele era daquelas pessoas que você quer por perto, sabe como? Que te inspiram.

 

– Várias meninas procurando outras meninas para “ménage”.

Isso é um porre.

 

– Várias mensagens do tipo “como suas tatuagens são legais, quantas são?”

 zzZZzzZZZZzz

 

– Encontrar  ex-namorada no app.

Medo.

 

– Perceber que “porra-eu-to-velha”

18 -20 anos dominam no jogo.

 

– Oi, você lembra de mim? Já tomamos um café há uns 6 anos atrás.

Surpresas da vida.

 

– Encontrei uma menina do app na fila do banheiro de uma cafeteria que me abordou dizendo “- oi, você não é a menina dos 4 instagram?”.

Óbvio que eu não lembrava da menina e, óbvio, que a pergunta me fez questionar o porquê eu ter 4 contas de IG.

 

– Percebi que as mulheres dão um show no app (e na vida). 
Era engraçado, porque eu deixava habilitada a função “homens e mulheres” e em 5 min eu já tirava os caras da seleção.

 

 

Enfim, app deletado e vida que segue.

 

Relacionamentos são investimento. De tempo, principalmente. O Bauman já explicou tudo, mas a gente sempre quer testar, comprovar se é assim mesmo. E, vamos dizer, o processo de inserir uma nova pessoa na nossa vida dá um puta trabalho. Eu não tenho e nunca tive disposição em impressionar, em conquistar. Não sei flertar, não sei. Gosto quando tudo, simplesmente, acontece. Então: serendipity.

 

No lugar no Tinder, cheio de foto de gente bonita e discursos ensaiados, me entreguei, mais uma vez, aos meus livros. Resgatei projetos da gaveta, voltei a estudar e sigo em paz. No lugar da conchinha na hora de ir para cama, optei pelos meus cachorros dormindo comigo, ignorando todos os pelos e falta de conforto ao dormir.

 

A verdade é que nesse meio tempo, conheci algumas pessoas incríveis. Pessoas pelas quais eu me apaixonaria, ou me apaixonei e ignorei, preferindo estar SOLTEIRA. Prefiro o Tinder real, do encontro e sem as “entrevistas-ensaiadas”.

 

Parei de procurar o amor, ele que me encontre.

Feminismo e empoderamento

Hoje em dia é comum ver feministas falarem de empoderamento no sentindo estético: “se empoderar é usar uma roupa e se sentir bela”, “passo uma maquiagem e saio me sentindo o máximo na rua”, “vou colocar prótese nos seios mas é para mim mesma, não para a sociedade: quero me sentir bonita e empoderada” e por aí vai e isso me entristece muito.

Entristece pois condiciona a felicidade e o empoderamento à aparência, entristece pois tem meninas que não tem dinheiro ou tempo para se emperequitarem, entristece pois o papel da maquiagem, do salto e das plásticas na alienação feminina passam a serem proibidos de se questionar, entristece pois o individualismo passa a ser mais importante do que o coletivo.

Muitas vezes esquecemos de pensar que para que um tipo de beleza se torne padrão é necessário que outro tipo seja considerado como feio, como incorreto: não há como padronizar gordas como belas sem que as magras passem a ser vistas como indesejáveis: se todos os tipos físicos forem aceitos, a necessidade de adquirir artifícios para se adequar passa a ser nula e a indústria da beleza passa a não ter por que existir.

Já pensaram que se você condiciona a tua felicidade e satisfação a estar se sentindo bonita toda vez que você estiver por algum motivo “feia” (aquele inchaço da TPM, as espinhas depois de comer algo fora, aqueles quilos a mais depois da semana Natal/Ano Novo, quando a base acaba e você tá sem grana, quando o cabelo não tá num bom dia, quando não deu tempo de passar na manicure, e a lista aqui pode ser infinita) não importa quem você seja, tua trajetória, o quão querida, inteligente, competente ou generosa você é pois você estará se sentindo um lixo? Você vai evitar sair de casa esses dias, evitar conhecer pessoas novas e no fundo no fundo, você inclusive acha que não merece ser feliz como punição por ser esse monstro horrível.

Sempre que há um papo sobre “se amar como você é”, ele gira em torno de maneiras de se vestir, maquiar ou portar para “evidenciar suas qualidades e esconder os defeitos. E aquela menina que realmente é fora de um padrão e que não há maquiagem que a torne bonita, como fica no teu conceito de empoderamento? Sei que vão perguntar: “ui, credo, agora não posso nem me maquiar nem me sentir bonita?”. Pode, claro que pode. Ninguém aqui é criança que precisa bater o pé simplesmente porque foi questionada.

Também sempre me questionam, já que é muito difícil sair da caixinha do pensamento comum: “ué, e o que seria empoderamento pra você?”. Bem, pra mim uma mulher empoderada é aquela que sempre busca conhecimento sobre o que defende: aquela que procura livros sobre o assunto, que respeita o que a coleguinha que pensa diferente diz, que abre a mente e não fica nos clichês dos textos e frases prontas de militância frívola de redes sociais. Empoderada é a mulher que depois de muito tempo de desconstrução sabe que não é menos porque não passou um rímel (ou porque passou), é a mulher que sabe reconhecer um relacionamento abusivo e que se oferece para ajudar aquela amiga que está numa situação difícil. Empoderada é a mulher que sabe responder quando um cara fala bosta para ela ou pra outra mulher, empoderada é a mulher que não fica presa numa argumentação pobre e que não tem medo de discordar de pontos de vistas de suas “musas” militantes.

Antes que venham com o clichê do elitismo: há muito material tão acessível e fácil de ler quanto um textão de facebook por aí. Peça indicações de livros e textos pra mulherada que tá na luta faz tempo. Você mesma agradece.

Antes do meu filho, eu era a mãe perfeita

Às vezes eu paro para pensar: como é difícil ser a mãe que eu era antes de ter filho. Para começar, meu filho não ia precisar de chupeta. O ambiente em casa é tranquilo, logo ele seria um bebê tranquilo, mas não contava com a cólica. Quando ele chorou a primeira vez desesperado de dor, não tive dúvidas, ainda na maternidade pedi para que meu marido passasse numa farmácia e comprasse uma chupeta. Foram três modelos diferentes, até achar a que ele gostou. Uffa! Hoje ele está com 2 anos e 1 mês, continua com a chupeta (me condenem) e tenho planos de tirar depois do desfralde (siiim, ele ainda usa fraldas).

O segundo baque foi quando percebi que não tinha toda paciência do mundo para a exausta rotina de uma mãe-bebê recém-nascidos.  Gente, é surreal a carga de emoções e obrigações que surgem ao mesmo tempo. Me senti a pior mãe do mundo quando, depois de amamentar, fazer arrotar, trocar fralda, colocar para dormir, lavar louça, varrer o chão, passar pano, lavar roupa, entre outros afazeres da casa, eu sentava para comer, ver meu celular ou qualquer outra coisa e ele acordava. Sentia um gelo na barriga do tipo, não pode ser, não acredito que já acordou e eu nem fiz xixi, não tirei o pijama e do trajeto de onde eu estava até ele eu ia pensando “que saco, poxa só queria um minuto em paz”. Mas aí, era só chegar e ver aqueles olhinhos implorando um colinho, um chamego e ao mesmo que tudo passava, a culpa invadia a alma. Como é que pude pensar isso de um bebê? Isso acontece até hoje por inúmeros motivos.

Eu sempre gostei de cozinhar, nada gourmet, coisa simples mesmo. Mas isso, até a introdução alimentar. Como é difícil dar papinhas variadas (porque não pode repetir os legumes). Perdi o gosto pela cozinha em dois meses, haha. Me esforço ao máximo, mesmo, para que o Vitor tenha a melhor alimentação possível, mas tem dias que chega da escola e come pão, que ele adora, que o lanche da tarde é um bolo de chocolate, que ele não tá afim de comer e o almoço é um mamá. E mais uma vez, a danada da culpa invade a alma.

Mas aí a campeã de todas é a TV. Imagina que antes de engravidar meu filho iria assistir televisão antes dos dois anos. Nossa, eu pesquisava brincadeiras e atividades para passar o tempo com ele. Podem dar gargalhada. Com seis meses, quando voltei a trabalhar, e precisava trabalhar um tempo em casa, ele assistia TV porque eu precisava que ele se distraísse. E assim estamos até hoje. Ele assiste quando pede, assiste quando preciso fazer algo, assiste quando estou cansada, assiste porque assiste e pronto. E não, não sou a pior mãe do mundo por causa disso, apesar de me sentir assim às vezes.

Poderia passar horas escrevendo sobre coisas que jamais faria antes de ter filhos, mas com o tempo e conversando com outras mães, a gente começa a lembrar que é humana. Precisamos nos permitir mais, acreditar mais nas nossas escolhas e decisões como mães e mulheres. É insano querer acompanhar tudo que chega para a gente referente a maternidade.  Cada uma tem o seu jeito, sua rotina, suas crenças e hábitos. Você, e SÓ você, sabe o que é melhor para você e seu filho, e isso é o que basta.

Ainda tenho muito a melhorar, mas hoje já me permito deixar a casa bagunçada e ir brincar com ele, deixá-lo em alguma vovó e sair com o pai, deitar no tapete da sala e ver desenho junto (isso dura uns 3 minutos haha) sem me culpar pelo o que eu deveria estar fazendo ou não.

Na foto estou feliz da vida vendo o Vitor comer seu primeiro brigadeiro. Ele estava com 1 ano e 9 meses, mas e daí? Olha a carinha de delícia dele!

Foto: Marina Ferraresi Freiberger

Gato escaldado tem medo de água fria

Terça-feira, 18h20. Enquanto eu esperava minha irmã em frente ao estacionamento onde deixo o carro, um Fox prata foi se aproximando de onde eu estava e diminuindo a velocidade. Parou com o vidro do passageiro aberto e falou algo para mim. Nesse momento eu já tinha virado meu rosto para o lado oposto ao do carro, olhando só de “rabo de olho”*.

Assim que ele falou comigo, foi parando o carro a poucos metros de onde eu estava e, curiosa, olhei. Nisso vi que ele estava com o celular em um suporte desses usados para facilitar a visualização do aparelho. E nesse momento tudo ficou claro: o homem dentro do Fox era um motorista de Uber/Cabify checando se eu era a passageira dele. Por um pequeno momento me senti culpada, afinal, o moço estava apenas procurando a pessoa que fez o pedido. Mas nós mulheres temos que suportar tanta coisa na rua vinda de homens machistas que é totalmente compreensível desenvolvermos estratégias para evitar ao máximo que sejamos abordadas com cantadas, na “melhor” das hipóteses, e desconfiarmos de tudo e de todos.

E isso só confirma o que tem se falado nos últimos tempos: é complicado demais ser mulher em um mundo machista. Somos impedidas de viver sem preocupações, porque nunca se sabe se durante nosso trajeto vamos ouvir cantadas vindas de alguém passando de carro na rua ou se o cara que está andando atrás de nós é um estuprador ou apenas alguém indo para o mesmo lado que nós.

Na dúvida, melhor colocar todos no mesmo balaio: só quem já perdeu o número de quantos assédios já sofreu na vida sabe como é difícil tentar dar votos de confiança a um desconhecido.

 



*Se tem algo que fui obrigada a praticar, isso foi prever o que pode vir a seguir nessas situações, e desviar meu olhar pra outro lugar é uma das coisas que faço quando suspeito que alguém dentro de um carro ou na rua vai me assediar verbalmente. Não que surta muito resultado, mas é uma forma de me sentir menos “invadida”.

Seria mesmo Sophia Amoruso um exemplo de “girlboss”?

Ano passado tive a oportunidade de passar pela frente da Nasty Gal, que fica em uma região luxuosa de Los Angeles. Já conhecia a marca e por isso nunca me atrevi a entrar, já sabendo dos preços nada acessíveis para uma #girlquebrada. Isso não agrega nada no post, só queria contar mesmo.

Na mesma época, descobri o livro #GIRLBOSS e já comecei a ler. Gostei da história de Sophia, mas tudo o que eu pude pensar é que eu jamais serei como ela. Primeiro porque a personalidade dela é e sempre foi a de muitas pessoas que estão no poder: egoísta, prepotente, subestima os outros, abusiva, erra e nunca assume os erros. Aí eu me pergunto? Esse é o perfil de um chefe ou de uma #girlboss?


Não é novidade de que poder e dinheiro corrompem, por isso a política é tão zoada. No caso de Sophia, ela já nasceu “corrompida”.

A personalidade dela era perfeita para o sucesso, mas muitos só chegam lá com muito privilégio, algo que ela teve mas recusou a vida toda por achar que nada é o suficiente para ela, nem mesmo o sistema. Mas apesar da personalidade forte, com todas as escolhas que ela fez, ela tinha tudo para ser uma mendiga e não uma empresária de sucesso.

Para mim, o que aconteceu com Sophia foi o mesmo que aconteceu com todas as pessoas que cresceram profissionalmente no mundo da internet na década passada: timing. Foi a pessoa certa, do jeito certo, na época certa.

Quando as pessoas começaram a descobrir a internet como base de uma carreira, não muito tempo atrás, quem acreditou neste futuro deu certo. Sophia já se via sem saída, até que no colo dela estavam a ascensão do eBay, a popularidade do MySpace e uma vocação. Ou seja, não tinha nada a perder e de fato só ganhou. Nos tempos de hoje, em que qualquer pessoa pode ter um blog, uma loja online ou criar um aplicativo para celular, todo mundo quer viver disso, mas o diferencial é crucial.

Série

Estava empolgada para assistir a série Girlboss adaptada pela Netflix. De cara gostei do trailer, mas ao ver pela segunda vez achei a interpretação de Sophia um pouco forçada. Mas se a própria estava ali para guiar e aprovar a interpretação dos fatos, aceitei.

A série estreou em uma sexta-feira e terminei de assistir menos de 24 horas depois do lançamento. Não foi o que eu esperava antes de ver o trailer, mas superou ninhas expectativas de depois de ver o trailer. O começo foi difícil pois senti falta de vários fatos destacados no livro que precediam ao que foi escolhido para a televisão. Com o tempo, a série acabou prendendo a minha atenção e gostei bastante.

Sophia, a escrota?

No mesmo fim de semana de estreia eu vi garotas revoltadíssimas com a personalidade e as atitudes de Sophia durante o seu crescimento profissional. Sim, eu concordo con elas, mas não acredito que seja um fato para odiar como tudo aconteceu.

A história foi criada em cima de fatos verdadeiros, então não faz sentido a gente assistir esperando a protagonista perfeita, com problemas reais, injustiçada e que depois de muita batalha recebe o que merece, acompanhado de um príncipe encantado. Steve Jobs (RIP) e Apple tão aí para provar que mau caratismo também vence e ninguém odeia ele e a marca (alô, machismo).

A vida real não é assim. Mais do que isso, o mundo corporativo não é feito de pessoas de caráter exemplar. Elas existem, claro, mas deixar de falar sobre uma marca que conquistou milhões de meninas, que cresceu de forma estrondosa e que é sim um case de sucesso para empreendedoras, só porque não está de acordo com nossos princípios, é bobagem.

Esta forma de entretenimento informativo e educativo não significa que seja um exemplo e que é forma certa. Temos cérebro, temos capacidade suficiente para extrair as partes boas e ruins de cada história e absorver para uma experiência própria.

Se você acha que Girlboss não agregou nada em sua vida pessoal ou profissional, eu discordo de você. Use os defeitos de Sophia como uma lição sobre como não ser e não fazer. Quando você estiver em uma posição de poder, não seja Sophia, não seja o seu chefe que te fez chorar antes de dormir ou que te gerou uma gastrite. Não pense e não faça com que o sucesso só aconteça nessas condições e faça a diferença.

 

Uma história de amor

:::Você levará, em média, 4 minutos para conhecer esta história:::

Há muito tempo atrás, eu tinha um amigo. Daqueles com quem você passa horas a conversar, sem cansar, sem bocejar. Geralmente nossos encontros eram em em cafés e, quando o estabelecimento fechava, seguíamos a noite em passeios de carro, que mais tarde ele me confessou, era apenas um jeito de prolongar o momento. Bonito, não? Falávamos de tudo, em especial, literatura. Saia de cada conversa com uma lista de autores para conhecer. Era incrível. Porque ele lia coisas que eu jamais teria conhecido se não fossem por aqueles encontros. Era fã de Wood Allen como ninguém e me fez redescobrir a paixão no cinema, já que eu estava sempre enfiada nos livros. Enfim. Essa pessoa, um dia, se declarou para mim, aquelas declarações de cinema mesmo, e vivemos 3 meses maravilhosos. Para mim. Para ele, nem tanto, acredito eu. Pois essa pessoa, tão maravilhosa, sumiu numa sexta-feira e nunca mais voltou. Todo esse blá-blá-blá, é só pra dizer que essa amizade e relação me deixaram muitas feridas, mas o melhor, deixaram autores e filmes incríveis.

 

 

E por que é que eu estou contando tudo isso? Bom, é só para dizer que esse “babaca” me contou certa vez que tinha uma pessoa, que eu não me lembro quem, pois minha memória é péssima, que comprava vários livros do Salinger, O apanhador no campo de centeio, deixava na sua casa e presenteava a todos que o visitavam. Vocês já entenderão onde quero chegar, ainda que essa introdução seja totalmente desnecessária. Eis que em 2011, eu me encontrei com Carta a D., um livro fininho, pouco mais de 70 páginas, que me tocou pro.fun.da.men.te. E, como ele é um livro de valor acessível, comecei a comprar em certa quantidade e a presentear algumas pessoas por aí. Quando eu o recomendo eu já alerto: Por favor, leia sem buscar nada, apenas leia. Pule a orelha, ignore a quarta capa e respeite o posfácio e notas. Se você quer saber do amor, leia Carta a D.

 

Foto de Daniel Mordziski – Editora Galillée

Ele começa assim:

“Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”

Alguma dúvida do porque eu sigo a presentear as pessoas com Carta a D.? Ele tem um dos inícios de livro mais memoráveis de tudo que já li. Em um mundo repleto de relações líquidas, encontrar um Gorz ou uma Dorine é um puta-ato-de-amor e sorte. Espero que Dorine tenha recebido essa carta e que ela não tenha sido daqueles nossos escritos que morrem na gaveta. Pois percebemos no livro um desejo de redenção de Gorz, por muito ter negligenciado o papel de sua mulher em sua vida, é quase que um pedido de desculpa o livro. Aquela coisa, a dor da falta só faz falta quando já não há mais volta.

E por que é que eu lembrei do babaca lá de cima? Primeiro pela história de comprar diversos livros e, porque ao reler trechos de grifos hoje, encontrei esse, ao lado do nome dele e de mais uma pessoas doce aí:

“Antes de conhecê-la, eu nunca tinha passado mais de duas horas com uma moça sem ficar entediado e sem deixá-la saber que eu me sentia assim. O que me cativava é que você me dava acesso a outro mundo.”

 

André Gorz e Dorine Keir, Primeira dança.

Poderia ser uma história de amor, contudo a minha foi só decepção.

Muitas vezes eu fico a pensar, se essas pessoas pensam em mim, como lembro delas: com um suave aperto no peito, por tudo que acabou. Porque amar alguém, a mim, é além do físico, é um encontro intelectual. É abrir esse novo mundo, de que Gorz nos fala.

Bom, Carta a D. é uma declaração de amor, sabemos. Todavia é também um livro que fala da atividade da escrita na vida de Gorz, passando pela tarefa de escrever, esse momento de reclusão, que eu, particularmente, já vi acabar com inúmeros relacionamentos e, Dorine, traz a seguinte frase, dita a Beauvoir: “amar um escritor é amar que ele escreva”. Engana-se quem pensa que o livro fala apenas de “amor”. Ele fala de vida, de relações e da velhice. Um livro que traz a ficção da vida e a prolixidade do real.

Ao terminar a leitura, fiquei com aquela vontade de ligar para Álvaro de Campos e dizer:

– Oh, amigo, tu não falou que todas as cartas de amor eram ridículas? Leia essa aí.

Então, desejo a você, que agora me lê, não um grande amor, mas a experiência desse encontro. Que talvez, não seja com ninguém, seja em solitude e consigo mesmo.

André Gorz e Dorine Keir, em 1985 dans leur jardin à Vosnon (Aube). Cédric Philibert. Fonds André Gorz. Imec

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Vale dizer que Gorz era filósofo austríaco, foi seguidor e amigo de Sartre, trabalhou como jornalista em Le Temps Modernes e Le Nouvel Observateur. E foi considerado um dos principais inspiradores do movimento de Maio de 68 na França, tendo diversos livros censurados pela Ditadura brasileira, por considerar sua obra um material de conteúdo subversivo. Gorz é considerado um grande pensador e contribuiu no desenvolvimento de teorias para o marxismo-existencialista. Além de ter diversas publicações na área da filosofia e sociologia, dedicou-se também ao estudo ecologia.

André Gorz. Carta a D. História de um amor. Cosac Naify, 2006

 

Cinco ilustradoras para seguir no Instagram (parte 1)

Aqui no Quase Famosas a gente gosta de enaltecer o trabalho das garotas. Pois bem, como também gostamos muito de arte e ilustrações, decidi listar algumas das minhas ilustradoras preferidas que descobri no Instagram e por indicações de outras amigas artistas. Vamos começar?

 

1 – Nath Araújo

A Nath já divulga o seu trabalho há um tempo, não só no Instagram mas também em seu canal no YouTube. Nos últimos meses, vem ficando a cada dia mais conhecida pelas suas ilustrações retratando signos e com a série “Quem é você no Instagram”.

 

2 – Sirlanney

Ilustradora e quadrinista, Sirlanney ganhou popularidade com o seu livro Magra de Ruim, que hoje já conta até com uma parte 2. O trabalho dela pode ser encontrado nas redes sociais, com quadrinhos que fazem a gente se identificar (e muito!) e em sua lojinha!

 

3 – Sublinhando

Patricia Ieda faz os desenhos mais fofos que você vai ver hoje. Seus desenhos são compostos também de lettering em frases de motivação. O seu trabalho já é possível ser encontrado também em produtos com parceria com algumas marcas. Tem tudo lá na página dela!

 

4 – Luiza Alcântara

Luiza é supercaprichosa e seus trabalhos têm um estilo único. Em suas últimas publicações no Instagram e Facebook, ela vem mostrando o seu trabalho registrando famílias e casais através de pinturas fofíssimas. Seus desenhos podem ser encontrados também à venda em diversos produtos, clica aqui.

 

5 – Sibylline

Sibylline é francesa e tem o estilo um pouco parecido com o da Luiza, mas ela gosta de incluir muitos detalhes e cores variadas em suas pinturas. Como inspiração, ela foca bastante no tema “galáxia”. Ela tem um canal no YouTube e também comercializa produtos com a sua arte.

Gostou? Então se liga que esta é apenas a parte 1! Fique à vontade para indicar suas artistas preferidas pra gente divulgar por aqui!