Certo tipo de garota

Em algum momento da minha vida escolar, eu devo ter perdido a aula no colégio em que se ensinou a ser uma “moça para casar”. Se você, assim como eu, já ouviu bem mais vezes de que se é possível contar nos dedos das mãos, que “isso não é coisa de uma menina de valor fazer”, sabe muito bem o que está embutido nesse pacote.

Por algum motivo, que não é muito claro para mim, meninas que falam palavrão feito um marinheiro; expõem suas opiniões político-sociais sem grandes filtros; se vestem como bem entendem (e, desculpa dizer assim, mas sem a menor intenção de agradar macho); são tatuadas; falam sobre sexualidade sem pudor ou  preocupações sobre o que alguém possa achar sobre isso; gostam de lego; de videogames; de rock (vertentes também); comidas da mais baixa gastronomia possível; filmes de terror; gostam de sair para dançar o máximo que der; ou até mesmo uma combinação de alguns desses fatores, não são consideradas meninas sérias, do tipo que namora, casa, tem filhos.

Mas quem foi que determinou isso? Em que momento ficou decidido que fazer uma dessas coisas (ou todas) torna alguém menos mulher? Não tem muito tempo, algum amigo disse que eu era um guri de saias. Olha, da última vez que conferi tudo ali embaixo, eu ainda era bem mulher, com ou sem saia, de calça, de terno, de vestido, de biquíni, com uma camiseta do Star Wars, do que for: continuo sendo menina. E gostaria de ser tratada como tal. Não sou sua “brother”, não sou menos mulher do que ninguém, sou eu, oras.

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Não é porque eu gosto de me acabar de dançar na balada todo final de semana, que eu não sou pra casar. Sou boa moça, sim. Nós todas somos, com ou sem palavrão, com um tempero a mais que, sem dúvidas, é encantador. Na hora de comer pizza, a gente não vai se preocupar com o “corpo de verão”, a gente vai se importar mais em ser feliz, naquele momento. Na hora em a nossa banda preferida estiver destruindo os palcos de algum festival, não vamos deixar de curtir ao máximo porque os nossos cabelos vão ficar bagunçados. E nem por isso somos pouco vaidosas. A diferença é que nos arrumamos para nós mesmas – fazemos tudo para sermos o mais felizes possível. O que tem de errado nisso?

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A pergunta que fica, na verdade, é que fórmula é essa que diz que uma menina é “para casar” ou não? Somos sim para casar, se for isso mesmo que a gente decidir. Também não tem nada que nos obrigue, porque se ainda não ficou bem claro, não fazemos nada para agradar a ninguém, sem antes agradarmos a nós mesmas.

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