Arrogância e a (não) inteligência

Certo dia eu estava a caminho de um show com alguns amigos quando resolvemos parar na loja de conveniências de um posto de gasolina para comprar uma bebida. Dentro da loja havia uma daquelas prateleiras de metal com livros de bolso – sempre vale a pena dar uma olhada, já consegui minha cópia de As Virgens Suicidas e Ao Sul de Lugar Nenhum em uma dessas.

Comecei a rodar a prateleira e reconheci um best seller muito bom que havia lido há algum tempo. Nunca tive preconceito com gênero literário (um pouquinho com autoajuda, talvez), e comentei que gostava muito daquele livro. Foi o suficiente para ouvir “não gosto desse gênero, me sinto mais burra lendo isso” de uma menina – que não havia nem lido a porra do livro. Na hora fiquei um pouco sem graça, me sentindo boba por ainda me interessar por literatura infanto-juvenil, e mudei de assunto rapidamente para não parecer menos inteligente na frente dos meus amigos.

Mais tarde, em casa, me lembrei do ocorrido e me arrependi de não ter dito nada, de ter abaixado a cabeça como uma pessoa inferior por ter um gosto meio… Juvenil. E veja bem, uma coisa não exclui a outra, é possível passear por diferentes gêneros literários sem se tornar menos inteligente por isso. Do mesmo jeito que minha conta do Spotify comporta de Aretha Franklin a Taylor Swift. Foi aí que eu percebi que o problema não era comigo, mas com a pessoa que tentou me insultar de forma sutil pelo meu gosto. De que forma gostar de um livro me torna, automaticamente, mais burra?

“Será que a inteligência está inevitavelmente ligada à arrogância?”, pensei. Em boa parte dos casos, sim. Mas nem sempre. Lembrei-me de um amigo muito querido – ele já leu de tudo, tem um conhecimento absurdo sobre diversos assuntos, uma sensibilidade extraordinária para escrever e, mesmo assim, eu me sinto em casa conversando com ele. Não meço palavras, não tenho medo de dizer “não conheço” ou “nunca ouvi falar” porque, ao invés de ele me recriminar por isso, ele vai me explicar sobre o que se trata. E, sempre que nos encontramos, eu saio do bar mais inteligente do que entrei.

Ser legal com outros não tem nada a ver com a sua capacidade intelectual ou conhecimento de mundo. Aliás, a humildade em admitir que não sabe de tudo só te ajuda a aprender mais e mais. Evidentemente, a arrogância nada tem a ver com a inteligência de uma pessoa. Aprendam isso, por favor.

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