Tatuagem e arrependimento

Há alguns meses me flagrei em um conflito existencial da era moderna. Tenho algumas tatuagens, oito, mais precisamente. Três delas são bem grandes e sempre gostei de todas, mesmo sabendo que umas não são de um estilo que ainda me agrada.

tattoo

Até aí, tudo bem, nunca me incomodaram. Até que um dia li uma notícia de que estavam desenvolvendo um creme removedor de tatuagem (!!!) que tira toda a tinta da pele em apenas algumas passadas, sem dor e sem gastar muito dinheiro. Fiquei encantada (mesmo sabendo que isso só chegaria ao mercado em um mundo paralelo, convenhamos) e pensei muito sobre a hipótese: “nossa, quero tirar essa, essa, essa e essa”.

Parei, refleti sobre o que eu tinha pensado e me perguntei: “Guria, como assim você queria tirar todas as suas tatuagens? Não é algo que você gosta muito?”. Em uma conversa de loucos comigo mesma, respondi: “Bom, não, não todas, só essa aqui grandona que me lembra tal coisa, essa aqui que me lembra outra, essa aqui que cobriu a tatuagem que eu fiz com um cara maneta (essa história merece um outro post) e que ela ainda aparece embaixo e que, claro, me lembra coisas ruins e… só”.

Esqueci essa “conversa” por um tempo. Lembrei do assunto algumas semanas depois e cheguei à conclusão de que não, eu não deveria remover nenhuma tatuagem. Primeiro, porque eu ainda gosto da arte da mesma forma que eu gostava quando fiz a primeira, com 17 (ou 18) anos, e ainda pretendo fazer mais.

Segundo, porque fazer uma tatuagem grande foi o maior ato de coragem que eu já tive, pois sempre fui muito medrosa. Não pensei muito e não analisei as consequências.

E por terceiro, mas não mais importante, uma tatuagem é o registro de um momento da sua vida. Funciona como se fosse uma memória olfativa, quando você sente o cheiro de algum perfume, por exemplo, e um filme passa pela sua cabeça. A diferença é que como ela está sempre lá, já faz parte do nosso corpo e a gente aprendeu a conviver com isso.

Elas também são como cicatrizes, uma lembrança de algo que te machucou, mas não te matou. Essas “agressões emocionais” foram superadas, são coisas ruins que, falando da maneira mais clichê possível, resultaram em uma lição de vida.

Agora, olho para a minha gigante tatuagem que me faz lembrar da pior época da minha vida e penso: superei, aprendi. Talvez eu não fosse quem eu sou hoje se isso não tivesse me acontecido. Essa marca vai ficar para sempre no meu braço não para me lembrar de coisas ruins, mas sim, que eu passei por cima disso tudo SAMBANDO. Afinal, a gente erra, sofre e aprende desde que nascemos, é um looping que segue até o fim da vida, não tem como evitar.

E você, tem problema com alguma tatuagem?

Obs. 1: nenhuma tatuagem envolve nomes e rostos de pessoas.

Obs. 2: o post é anulado automaticamente se o assunto é tatuagem mal feita.

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1 thought on “Tatuagem e arrependimento

  1. Eu tenho algumas tatuagens, amo todas elas, cada uma representa um momento da minha vida, bom ou ruim, algumas muito bem feitas e outras nem tanto, concordo com tudo o que você escreveu, porém algumas delas foram feitas por caras que eram meus amigos, eram… isso me traz um certo desconforto, principalmente porque um deles traiu minha confiança, e naquela época isso me deixou bem pra baixo, mas como você disse, superamos, estamos vivos e tatuados e é isso, grande abraço!

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