Os cinco piores filmes dos últimos dois anos

Ultimamente eu tenho encontrado uma certa dificuldade em gostar MUITO de filmes. Tipo sair da sala de cinema ou desligar o computador e pensar por horas no que foi assistido, sabe? A última vez que isso aconteceu foi recentemente, depois de ver Jurassic World, que muitos odiaram, por sinal.

Tudo bem, confesso que não tenho visto muitos filmes, mas a maior parte dos que eu assisti nos últimos anos pode ser classificada em três categorias: “Bonzinho”, “Mé” e “Por que existe?”.

Pensando em toda essa frustração, fiz uma lista de alguns filmes que eu poderia ter ficado sem assistir, ou seja, estão na categoria “Por que existe?”. Olha só:

*Atenção, pode conter spoilers*

5 – Don Jon (Como não perder essa mulher) – (2013)

 

Amo o Joseph Gordon-Levitt, de verdade. Estava muito ansiosa para assistir esse filme e foi uma grande decepção. Ele mesmo foi o diretor do filme, que conta a história de um cara muito putão e viciado em pornografia. Ele é muito babaca, pega todas as mulheres que quer, até que se apaixona. O problema é que ele não consegue evitar o vício em filmes pornográficos. Assisti até o final esperando uma moral da história, uma explicação digna pra ele ser assim, mas não achei. Só entendi que ele é babaca mesmo ou precisa de ajuda.

4 – Lucy – (2014)

 

Mais uma decepção. Amo a Scarlett Johansson também, mas nesse filme não dá. “Mimimi é ficção”. Para mim, não justifica. Não achei nada de genial uma pessoa virar um pen drive.

3 – Warm Bodies (Meu Namorado é um Zumbi) – (2013)

 

Basicamente o cara vira um zumbi e arranja uma namoradinha. Além da história ser péssima a atuação é padrão Nana Gouvêa e a maquiagem nível Crepúsculo.

2 – Truque de Mestre (Now You See Me) – (2013)

 

Eu não sou muito fã de mágica. Não porque eu sou uma pessoa triste e amargurada, mas porque eu não gosto de ser feita de boba. E esse filme, além de fazer eu me sentir idiota por ver tantos truques, me fez de sonsa pela reviravolta que acontece no final. Os mágicos roubavam os espectadores durante as apresentações e o FBI passa o filme todo investigando a quadrilha. Porém, um dos agentes se revela como o líder do grupo de ilusionistas e, claro, me fazendo de trouxa por acreditar nas boas intenções dele. Para alguns, isso é um diferencial do filme, mas assim como toda mágica, você é enganado do começo ao fim.

1 – The Lazarus Effect (Renascida do Inferno) – (2015)

 

Ai, Olivia Wilde, você também não precisava disso. No filme, um grupo de cientistas de uma universidade descobrem uma fórmula que ressuscita pessoas. Primeiro testam um cachorro e ele fica endiabrado. Depois, claro, testam em uma pessoa e dá tudo errado. Meio que a pessoa morre e vai pro inferno, aí ressuscita e volta endiabrada.

Não sou nenhuma crítica de cinema, criei a lista baseada em gosto pessoal, sendo esse o único critério para a escolha. A próxima lista terá os filmes mais ruins que eu amo. Quem nunca, né?

Facebook: /anatalierosa
Twitter: /natalierosa
Instagram: natalie.rosa

A Quadrilha de Carlos é para dois

O amor funciona um pouco como uma dança, tem seu ritmo próprio e é feito a dois – ou deveria ser. Por outro lado, tem sempre os Billy Idols dessa vida, que dançam melhor mesmo sozinhos. A verdade é que entrar na dança de alguém amolece um pouco as pernas da gente e parece que sem nenhum aviso, um ventilador passou a funcionar na velocidade III dentro da nossa barriga.

tumblr_nsr9ejtbVo1td4iwjo1_500

É incrível como aquela dança parece irresistível e ao mesmo tempo insustentável. No começo é de se estranhar aquilo tudo, que diabo de passo é esse? Mas depois você decora e ensina também seus próprios movimentos e se você tiver sorte, vira uma verdadeira coreografia muito bem ensaiada. Como é feita a dois, depende do par não deixar a pista cair em monotonia, embalada por uma música que já não faz o menor sentido – mas isso é outra história.

Se tem um cara que entenderia a coreografia solitária de Billy Idol, talvez seria Carlos Drummond de Andrade porque enquanto todo mundo dizia de peito aberto que dançar junto era muito mais negócio, ele sabia muito bem que a balada não era de tudo simples. Não que Drummond achasse a vida a dois errada, pelo contrário, tem muito amor nas entrelinhas de seus poemas. Mas ele compreendia que se fosse fácil, não existiria dor de amor, ou especificamente, de cotovelo.

.A Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. | Carlos Drummond de Andrade

Se Drummond, que com certeza não escreve verso sem saber do que fala, não for o suficiente pra te convencer, Chico Buarque de Hollanda se inspirou no mesmo poema, que desce como um soco na boca do estômago, em um trecho da sua “A Flor da Idade”. Se ainda assim tudo parecer um mar de flores, tem mais um punhado de músicos, escritores, roteiristas, artistas e sei lá mais o que prontos para mandar um aviso amigo de quem já entrou na dança incontáveis vezes.

Não que isso seja um prelúdio dramático para você começar ter fobia de pistas de dança com música lenta e luz baixa – não, quem fez isso foi o Billy Idol e cá entre nós, ele não poderia ter sido mais covarde nessa colocação. Tem sim que ter muita coragem para entrar nessa dança e deixar claro que é uma dança a dois, mas que é preciso ter seu espaço para rodar, senão vem o problema da tal monotonia e aí já sabe.

Então talvez seja justo entender que tanto o roqueiro quanto o poeta tenham razão, mas não cada um do seu lado do salão, em verdadeiros solos de dança e sim juntos. Não é que você precise entrar sozinho na dança do outro – você, com todos os movimentos que são só seus, tem que achar alguém que queria aprendê-los e que te ensine também como é que se mexe nessa dança.

Acontece que é um pouco raro achar o bailarino(a) que vai te querer parte de uma coreografia a dois, que não vai ser nem dele(a), nem sua – e sim um duo. Na maioria das vezes, a dança morre sem nem ter tido a chance do primeiro passo, porque eu gosto de fulano, que gosta de sicrana, que por sua vez não gosta de ninguém. E assim o jogo segue, numa verdadeira ciranda um pouco incômoda, um tanto deliciosa. Até a hora que você acerta o ritmo, o par, a música e o resto, é amor.

tumblr_n0i3eybwwj1sgdoxto1_500

E aí, quer dançar?

Fala na cara

Assim como “festas do pijama” (com direito a guerra de travesseiros só de calcinha), os motivos pelos quais meninas vão sempre juntas ao banheiro são combustível para a imaginação de muitos garotos. Sobre as batalhas com lingerie não vou revelar a verdade porque isso é sigilo. Mas a parte do banheiro, desculpem, vou ter que falar.

Acontece que nós vamos juntas porque queremos: 1) dar uma ajeitada no visual 2) a opinião das amigas sobre o mesmo e 3) fofocar. Sim. Nada além disso meninos, peço desculpas pelo balde de água fria. Em uma dessas idas em conjunto ao banheiro, ouvi uma moça desabafando a vida inteira dela para uma amiga.

– Meu bem, ele só quer sexo.

– Mas por que diabos não fala isso de uma vez?!

tumblr_njxw0pyFou1sxyrnzo1_500

É uma excelente pergunta. Assim como a moça, que agora se acabava em lágrimas do meu lado no espelho, eu também não entendo qual é a grande dificuldade em dizer as verdadeiras intenções – e não só em relacionamentos – em tudo. Claro, existem jeitos de dizer certas coisas que, normalmente, não são boas de escutar. Mas nem por isso devemos enganar os outros. Joguei essa pergunta na roda de amigas e:

– Homem é assim mesmo, não sabem dizer que não querem mais ou que só querem sexo e ficam levando as meninas nesse papo.

De novo, esse questionamento não é apenas sobre essa questão polêmica de ser “só sexo” e sim para todo o resto. Se for parar para pensar bem, a gente mente sobre muita coisa e pior, fazemos isso com a desculpa horrível de que é para não magoar o outro. Olha, essa é a maior balela de todos os tempos, porque, eventualmente, os verdadeiros motivos da sua mentirinha vão aparecer e a mágoa vai ser muito maior do que se você tivesse sido honesto(a) desde o começo.

tumblr_nqy5rvCCyU1sxyrnzo1_500

Gostaria de dizer que, com isso, não me refiro à humanidade inteira (e muito menos ao universo masculino exclusivamente), mas haters gonna hate de qualquer jeito, eu sei. Acontece que eu sei bem que sou honesta até demais e isso nem sempre é algo tranquilo ou legal. Mas pelo menos eu não engano ninguém.

Tá namorando e não curte mais a pessoa? Fale. Sua (seu) amiga(o) anda fazendo algo que te incomoda muito? Fale. Seus pais/família estão te controlando além do necessário? Fale também. Tá começando algo novo e percebeu que ainda gosta do (a) ex? Com certeza, fale. Você está saindo com alguém que, claramente gosta muito de você e, do seu lado da história é apenas sexo? Pelo amor de Deus, fale.

Claro, fale com jeitinho, com calma e entenda que o outro merece a chance de escolher sabendo de todos os fatos. Medo de perder pessoas, seja qual o papel que elas representem na sua vida, todo mundo tem. Covardia, por outro lado, devia nem existir.

Numa dessas a pessoa tem a mesma visão da coisa que você e só estava com esse mesmo medo de botar tudo a perder e você nem sabia! Corre o risco dela também discordar e escolher outro caminho. Mas, seja como for, essa confissão que tanto pesa aí vai deixar tudo mais leve, mais livre e, principalmente, mais justo.

Um elogio por dia

Acordei meio virada, sentindo os terríveis efeitos na TPM no meu corpo: mau humor, irritação, inchaço e a autoestima inexistente. Levantei atrasada e, depois de trocar de roupa cinco vezes, consegui me conformar com uma das opções. Nesses dias parece que poucas coisas nos fariam um pouquinho mais felizes, especialmente pela manhã, por isso apostei em uma xícara de café quente e bem forte e em uma playlist com músicas tão nubladas quanto o céu de Curitiba. Fiquei um pouco mais calma, mas mesmo assim não estava com vontade de interagir com seres humanos.

Quando estava na porta quase saindo de casa, ouvi minha irmã falando que eu estava bonita e que a roupa estava uma graça. Agradeci e fui pra rua um pouquinho mais feliz e animada para começar o dia. Comecei a pensar em como um simples elogio, como “seu cabelo está bonito hoje” ou “adorei a sua camiseta” podem ter um efeito grande no humor de uma pessoa. Já aconteceu várias vezes de um dia meio bosta se transformar num dia ok depois que alguém me elogiou.

Então lembrei que esses dias vi uma conhecida minha com um blazer azul maravilhoso que combinou muito com o tom do cabelo dela e, por vergonha, acabei ficando quieta. Vai que ela tivesse num dia ruim e o meu comentário, que não me custaria nada e não levaria 5 segundos do nosso tempo, fosse melhorar? Mas não, eu decidi ficar na minha e ela nem ficou sabendo que a roupa tava ótima.

Já pensou em quantas vezes você poderia ter feito uma pessoa mais feliz e não fez? Então, agora é a hora de mudar isso. Se alguém fez um bom trabalho, se o almoço da sua mãe está gostoso, se o seu colega de trabalho cortou o cabelo e ficou bonito ou se você gostou do texto que sua amiga escreveu, elogie. Eu decidi falar ao menos uma coisa gentil todos os dias e, por menor que pareça, é uma atitude que faz a diferença para mim e para as pessoas ao meu redor. Spread the love!

 giphy-14

Você não namora, você pisa em ovos

Não existe um almoço de família em que alguma tia (às vezes é tio também) pergunte, assim na frente de todo mundo:

– E os namoradinhos?!

tumblr_nqeuj7dVav1sxyrnzo1_500

Sabe, me pergunta sobre a as teorias de conspiração do assassinato do presidente Kennedy ou, quem sabe, a minha opinião sobre a redução da maioridade penal, mas não me venha com esse questionamento infame sobre namorados. Não tenho nada contra namoros, de forma alguma, inclusive gosto muito, mas, em 2015, me parece que a forma de se relacionar ganhou um novo padrão. Sim, as definições de namoro foram atualizadas e o update não foi bom.

Ninguém falou que hoje em dia as pessoas não namoram mais, algumas mantém relacionamentos na forma mais tradicional da palavra. Mas hoje eu não vou falar sobre elas, hoje vou comentar sobre relacionamentos que não são assumidos como namoros, mas que parecem um. Confuso? É exatamente por isso que eu tenho uma síncope nervosa toda vez que alguém me pergunta sobre namoros.

Eu namorei boa parte da minha vida, que nem é tão longa assim. Depois que voltei a ser solteira, ou como minha avó gostava de dizer, “avulsa”, reparei que as regras do jogo mudaram um pouco. Aliás, é uma infinidade de regras veladas, sobre as quais ninguém nunca fala, e não existe um edital sobre isso, não está na Wikipedia e o Google também parece não ter muita certeza sobre como relacionamentos funcionam hoje.

O que eu pude perceber é que se demonstramos interesse é bom, mas esse interesse tem que ser uma coisa meio “tô querendo, mas nem tanto assim”. Mas cuidado, se ficar desapegado demais, aí você é frio, impessoal. Por outro lado, se você toma a iniciativa, aí você é fácil demais e perde a graça. Nem tente ser honesto sobre os seus sentimentos, ao que tudo indica, isso também deixa você menos interessante. Vamos supor que é sexta-feira e você está com uma vontade de simplesmente abrir um vinho e assistir a um filme com determinada pessoa. Não! Largue esse telefone, se você chamar, você está entregando o jogo. Mas não deixa essa peteca cair, seja indisponível, mas também seja presente. Entendeu?! Nem eu.

tumblr_nr1tc1GQJ81sxyrnzo1_500

No meio disso tudo, você está em um relacionamento, acho. Não é um namoro, mas é como se alguém estivesse segurando a vaga na rua ou a mesa no restaurante. Não é oficial, mas é (quase) real.

Exageros literários à parte (e brincadeiras também), é nesse constante pisar em ovos que me sinto no que diz respeito a relacionamentos. E acho isso absurdamente chato e desnecessário. Eu não quero casar com a pessoa, eu nem mesmo sei se quero namorar com ele (a), eu só queria ver um filme. E, se, querer algo mais sério fosse mesmo o caso, eu não poderia nem pensar em dizer isso a plenos pulmões, porque a primeira regra do relacionamento moderno é que você não fala sobre isso.

A segunda regra do relacionamento moderno é: você não fala sobre isso.

1659741_10536977_lz