Você não namora, você pisa em ovos

Não existe um almoço de família em que alguma tia (às vezes é tio também) pergunte, assim na frente de todo mundo:

– E os namoradinhos?!

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Sabe, me pergunta sobre a as teorias de conspiração do assassinato do presidente Kennedy ou, quem sabe, a minha opinião sobre a redução da maioridade penal, mas não me venha com esse questionamento infame sobre namorados. Não tenho nada contra namoros, de forma alguma, inclusive gosto muito, mas, em 2015, me parece que a forma de se relacionar ganhou um novo padrão. Sim, as definições de namoro foram atualizadas e o update não foi bom.

Ninguém falou que hoje em dia as pessoas não namoram mais, algumas mantém relacionamentos na forma mais tradicional da palavra. Mas hoje eu não vou falar sobre elas, hoje vou comentar sobre relacionamentos que não são assumidos como namoros, mas que parecem um. Confuso? É exatamente por isso que eu tenho uma síncope nervosa toda vez que alguém me pergunta sobre namoros.

Eu namorei boa parte da minha vida, que nem é tão longa assim. Depois que voltei a ser solteira, ou como minha avó gostava de dizer, “avulsa”, reparei que as regras do jogo mudaram um pouco. Aliás, é uma infinidade de regras veladas, sobre as quais ninguém nunca fala, e não existe um edital sobre isso, não está na Wikipedia e o Google também parece não ter muita certeza sobre como relacionamentos funcionam hoje.

O que eu pude perceber é que se demonstramos interesse é bom, mas esse interesse tem que ser uma coisa meio “tô querendo, mas nem tanto assim”. Mas cuidado, se ficar desapegado demais, aí você é frio, impessoal. Por outro lado, se você toma a iniciativa, aí você é fácil demais e perde a graça. Nem tente ser honesto sobre os seus sentimentos, ao que tudo indica, isso também deixa você menos interessante. Vamos supor que é sexta-feira e você está com uma vontade de simplesmente abrir um vinho e assistir a um filme com determinada pessoa. Não! Largue esse telefone, se você chamar, você está entregando o jogo. Mas não deixa essa peteca cair, seja indisponível, mas também seja presente. Entendeu?! Nem eu.

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No meio disso tudo, você está em um relacionamento, acho. Não é um namoro, mas é como se alguém estivesse segurando a vaga na rua ou a mesa no restaurante. Não é oficial, mas é (quase) real.

Exageros literários à parte (e brincadeiras também), é nesse constante pisar em ovos que me sinto no que diz respeito a relacionamentos. E acho isso absurdamente chato e desnecessário. Eu não quero casar com a pessoa, eu nem mesmo sei se quero namorar com ele (a), eu só queria ver um filme. E, se, querer algo mais sério fosse mesmo o caso, eu não poderia nem pensar em dizer isso a plenos pulmões, porque a primeira regra do relacionamento moderno é que você não fala sobre isso.

A segunda regra do relacionamento moderno é: você não fala sobre isso.

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1 thought on “Você não namora, você pisa em ovos

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