Baddie Winkle is cooler than you

Baddie Winkle é uma senhora americana de 87 anos, nascida em Kentucky com o nome Helen Van Winkle. E sim, ela é muito, mas muito mais legal que eu e você. Pra quem não a conhece, ela é dona de uma conta no Instagram com mais de um milhão de seguidores, e tudo isso começou quando uma das netas delas postou uma foto da avó usando roupas de adolescentes. Depois de ser seguida nas redes sociais pela Rihanna, Baddie Winkle se tornou uma web celebridade que já foi clicada ao lado de Miley Cyrus e Nicole Richie.

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Conheci ela vendo um vídeo em que ela conta toda essa história. Baddie choca à primeira vista: sempre com roupas muito chamativas, o estilo dela é uma coisa entre Iris Apfel e Miley Cyrus, quase sempre com alguma referência à cultura da internet ou à maconha nas peças, e nos vídeos ela soa ora como uma senhora que está prestes a fritar bolinho de chuva para os netos, ora como uma adolescente que entrou há pouco na puberdade. Ou seja, ela é incrível!

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Quando questionada pelo seu estilo excêntrico, Baddie é categórica: “Eu não me sinto velha, eu nunca me senti velha. Eu acho que a gente pode se vestir do jeito que a gente quiser”. Em entrevista ao site Refinery 29, ela confessou que a ousadia no modo de se vestir também se tornou uma forma de superar a morte do marido e do filho, e diz que nunca gostou de roupas feitas para pessoas mais velhas. Ela é uma baita de uma inspiração para qualquer pessoa que tenha vontade de se vestir de forma diferente, mas tem medo. No alto dos seus 80 e tantos anos, Baddie mostra que não tem idade ou corpo certos para vestir alguma coisa!

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No meio de tanta gente contida, artificial e preocupada com a aparência, é bom seguir uma conta do Instagram que instiga, que tira a gente do lugar comum e nos deixa com mais coragem para ousar. Não só para os mais velhos, mas para os mais novos a Baddie é um baita tapa na cara de quem acha que a diversão acaba quando a velhice chega. You go, girl!

Entre a moda e a futilidade

Vou ser bem honesta: eu nunca gostei de moda. Nunca me interessei, nunca consegui enxergar na moda algo além de futilidade, dinheiro e padrão de beleza. Cresci admirando mulheres como Courtney Love, Brody Dalle, Kathleen Hanna e outras artistas que acreditavam que a mulher deveria ser mais que um enfeite e que todas nós podemos contribuir muito mais com o nosso interior do que com o nosso exterior. Resultado? Nunca tinha lido revistas de moda, não me importava com desfiles, grifes ou tendências, me vestia do meu jeitinho e problema resolvido.

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Essa era a minha maior referência de estilo.

Neste ano, porém, eu comecei a trabalhar com clientes que exigiam conhecimento de moda e, aos poucos, fui me inserindo num mundo que eu entendia tão bem quanto eu entendo de carros (talvez eu entendesse mais de carros por ser filha de uma vendedora de carros). Além das poucas marcas que eu admirava, como Burberry e Chanel, eu passei a conhecer a história de várias marcas que começaram do nada, a me surpreender com a genialidade de alguns estilistas e, confesso, me encantei pelas possibilidades que a moda traz.

Quando digo moda, não falo de roupas, sapatos e acessórios, mas sim de histórias importantes e pessoas que pensaram fora da caixa e trouxeram ao mundo criações que são dignas de serem chamadas de obras de arte. São pessoas que encorajam a originalidade, a atitude e a expressão por meio da moda. Elas, sim, eu admiro pra caramba, porque são pessoas que quebram paradigmas e esbanjam a criatividade e a expressão autêntica por meio da moda.

Infelizmente, essas descobertas não anulam o fato de que o meu senso comum de antigamente que acreditava que moda = futilidade não está totalmente errado. Nos desfiles ainda predominam um único padrão de corpo, as roupas ainda têm um custo muito alto que nem sempre todo mundo pode ter acesso, a diversidade de mulheres na moda e na publicidade ainda é muito pequena e, além de tudo, a maioria das marcas se preocupa pouco com a inovação e muito com as vendas (neste verão 2016, por exemplo, 9 entre 10 marcas apostaram no mesmo conceito boho-70s-hippie-étnico).

Entre a moda e a futilidade, eu fico com estilo. E estilo ultrapassa preço de roupa, tipo de corpo ou tendências, falta só as marcas perceberem isso e voltarem a inovar com novos rostos, corpos e modelagens, basta deixar de fazer mais do mesmo.

Menos cagação de regra e mais diversão <3
Menos cagação de regra e mais diversão <3

Fantasias de Halloween para it pobrinhas

O Halloween tá quase chegando e quem tem festa para ir provavelmente está super em dúvida sobre qual fantasia usar. Eu, que sou mulher, tenho ainda mais dificuldade porque, além de não querer gastar muito dinheiro com isso (igual todo mundo), eu não gosto de quase nada que oferecem nas lojas de fantasias, já que 99% das roupas são alguma versão sexy de qualquer personagem: policial sexy, branca de neve sexy, marinheira sexy, feiticeira sexy, etc. Se você não tá afim de mostrar muito peito, bunda e barriga, a tarefa de achar uma fantasia pronta por um preço razoável se torna muito mais difícil!

Por isso, separei algumas ideias de fantasia que podem ser feitas só com o que você tem em casa ou com algum detalhe comprado em lojas de fantasia, para não gastar muito dinheiro e mesmo assim poder aproveitar a festa com uma fantasia criativa!

Mia Wallace – Pulp Fiction

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O primeiro item da lista é, na verdade, a única fantasia que eu consegui criar sozinha de última hora. Para quem tem cabelo chanel castanho escuro ou preto já é meio caminho andado, e quem não tem pode achar fácil uma peruca com esse estilo de cabelo. Para completar o visual, uma camisa branca, uma calça social preta e uma sapatilha resolvem! Se quiser deixar a fantasia ainda mais elaborada, dá para usar batom e esmalte vermelho. Quando eu me fantasiei, fiz a Mia Wallace pós-overdose, com sangue falso no nariz e uma seringa no peito (que eu grudei com fita crepe e ficou caindo a festa toda, aí eu larguei mão).

Princesa Leia – Star Wars

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Essa é uma fantasia que eu sempre quis usar, mas nunca tive a oportunidade! Como a princesa Leia quase sempre está totalmente de branco e com o penteado característico, é muito fácil fazer a fantasia gastando pouco. Um vestido branco e um cinto prateado resolvem o problema, e se você tiver o cabelo comprido castanho escuro ou preto também não é necessário apelar para perucas.

Wandinha Addams – Família Addams

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Outra fantasia que é muito fácil de fazer, especialmente se você já tem o cabelo comprido e escuro! Basta um vestido preto ou azul marinho com gola branca (existem golas removíveis para vender, caso você não encontre um vestido com gola), duas tranças e uma maquiagem bem feita e pronto, a fantasia fica perfeita. O único problema é que ela já se tornou um clichê da data, assim como a Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, então pode ser que você não seja a única com essa fantasia na festa.

Gêmeas – O Iluminado

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Essa fantasia só faz sentido se você for à festa com uma amiga, e fica melhor ainda se você e sua amiga forem parecidas. Basta as duas irem vestidas com o mesmo vestido azul claro com um laço branco, meias brancas 3/4 e sapato boneca preto. Uma maquiagem pálida e o cabelo penteado para o lado com um grampo completam o visual. Procurei na internet e vi algumas versões em que as duas mulheres vão banhadas com sangue falso, mas eu, particularmente, acho mais legal sem o sangue, assim como está na foto acima.

Samara – O Chamado

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Além de ser uma fantasia muuuuito simples de se fazer, a Samara é uma ótima opção porque, na minha opinião, ela é a mais assustadora da lista. Para a fantasia você só precisa de uma camisola (uma camiseta muito grande serve também) branca e um cabelo comprido e escuro caindo sobre o rosto. Fazer uma maquiagem com rosto pálido e olheiras também ajuda! A Tati, que também escreve para o blog, já usou essa fantasia e levou uma TV debaixo do braço para complementar o look, e apesar de muito criativo eu não recomendo repetir o feito por motivos de: dor nas costas.

Espero que as sugestões deem uma luz para quem está com festa marcada para o Halloween! E, se vocês experimentarem uma das fantasias, nos mandem a foto para a gente ver como ficou!

Não sei usar calcinha

Sim, é isso mesmo que você leu! Cheguei à conclusão que eu não sei usar calcinha, nem sutiã, nem qualquer tipo de roupa íntima. Na última terça-feira eu participei de uma palestra no Pátio Batel com a diretora de criação e estilo da Liz, Lígia Buonamici Costa, e percebi que eu nunca parei para analisar o tipo de roupa íntima que eu tava usando, eu simplesmente pegava a primeira coisa que achava bonita e confortável e era o suficiente. Acontece que hoje eu percebi que, apesar de ela não aparecer, a roupa íntima influencia muito no caimento das roupas.

A Lígia começou o evento explicando um pouco sobre a história da Liz e derrubando um grande mito que existe até hoje de que o algodão sempre é a melhor opção para a roupa íntima porque deixa a pele respirar. Sim, o algodão deixa a pele respirar mais do que muito tecido sintético por aí, mas hoje em dia existem tecidos sintéticos muito melhores para deixar a pele respirar – vide os jogadores de futebol, que já abandonaram o algodão faz tempo!

A parte mais interessante do encontro foi quando ela mostrou os diferentes tipos de lingerie da Liz e como eles fazem diferença dependendo do tipo de roupa que a gente está usando – mesmo que a gente esteja com uma roupa íntima de qualidade e do tamanho certo. Uma calcinha comum, por exemplo, marca muito mais o corpo com um vestido justo ou com uma calça clara do que o shortinho Invisible Control da marca, que comprime a barriga e não divide a bunda em dois!

Depois disso, a Lígia mostrou uma modelo com o sutiã push-up, feito para usar com decote, com uma camiseta básica por cima e, mesmo sendo um sutiã maravilhoso, ele estragou com o caimento da roupa simplesmente porque ele não foi feito para ser usado com aquele tipo de blusa. Eu e todas as mulheres que participaram do encontro saímos de lá chocadas e com vontade de renovar toda a gaveta de lingeries.

Resumindo toda a conversa, por que a gente se preocupa tanto com roupas, cosméticos e não damos tanta importância para a roupa íntima e para a função dela? Afinal, no dia-a-dia ela passa mais tempo escondida do que aparecendo, então é mais importante que ela ajude no caimento da roupa, as tanguinhas e lingeries mais bonitas podem ficar para as ocasiões em que elas realmente vão aparecer!

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Pânico na Band e o desserviço para as mulheres

No último domigo (18) o programa Pânico na Band prestou um verdadeiro desserviço às mulheres, o que já não é novidade. Tudo começou quando a atriz e apresentadora Mônica Iozzi postou uma crítica a um dos quadros do programa no seu Instagram. Veja aqui.

Para quem não conhece, neste quadro as mulheres tem que descer uma lona molhada com um microbiquini e tentar arremessar um ganso de brinquedo dentro da piscina. Parece divertido, se a intenção não fosse ver as mulheres chegarem praticamente nuas no fim do trajeto, visto que as peças do biquini se perdem durante o caminho. “Mimimi, mas tem homens também”. Sim, tem homens, mas sempre uma minoria que é usada pra tirar sarro. Ou um anão ou uma pessoa “feia”.

Bom, vamos voltar ao que Mônica Iozzi falou:

“Assistindo um quadro chamado “Afogando o Ganso” e pensando… Que orgulho ter uma filha panicat, né?”

Pera, Mônica, não vamos dar uma de moralistas e muito menos mexer com a família das meninas, né? Nenhuma mãe ou pai vai sentir vergonha de sua filha, independente do trabalho que ela faça e que, querendo ou não, é o seu sustento. Não tem problema algum em usar biquini. O problema é que ali elas são vítimas da sociedade, tanto quanto todas as mulheres do mundo.

Ok, Mônica Iozzi está errada, porém eu entendi o que ela quis dizer mas não soube se expressar: não precisa disso.

Não precisamos desse clichê ultrapassado de tratar mulheres como objeto, de mostrar que mulheres só precisam de um corpo bonito e sarado, e de mais nada. O que o Pânico faz é tratar as mulheres como uma bunda, que muitas vezes serve de cenário para qualquer quadro que não tem nada a ver com mulher gostosa.  Seja qual for o tema, sempre vai ter uma Panicat de costas e de fio dental pra ilustrar. Sem contar que quando uma mulher tem voz no programa, ela é chamada de “burra”, “anta”. Sim, com essas palavras.

Depois da crítica, em uma atitude extremamente infantil, a equipe foi atrás da Mônica Iozzi, com duas Panicats (de biquini, óbvio). Isso também é uma característica do programa, né? “Falou mal da gente? Como assim? Vamos atrás perguntar o motivo e vamos encher o teu saco e fazer piadinhas em todos os programas até você querer falar com a gente”.

Lá, perguntaram sobre a crítica, deixando a apresentadora muito sem graça e sem conseguir se explicar direito. Quando ela se justificou, não me convenceu do jeito que eu estava esperando e fiquei muito triste por ela não conseguir se expressar e ser humilhada pela equipe.

Enquanto conversavam, Mônica falou que se ela precisasse ficar pelada em uma novela ela ficaria. Aí veio uma imagem de uma pessoa com ânsia de vômito. Legal, né? Aí veio outra imagem chamando de gorda e, na sequência, ela foi presenteada com um vale-academia simbólico e um cubo mágico pra ela tentar resolver e não ficar cuidando da vida dos outros. Ou seja, para eles a mulher só pode mostrar o corpo e ter voz se for gostosa, caso contrário tem que ficar quietinha e nem sonhar em botar um biquini porque os homens ficam com nojo.

Como se não pudesse piorar, finalizaram o quadro com um clipe com um sósia da Mônica Iozzi lamentando por ser feia, ter micose, espinhas, celulite, gordurinhas e tudo mais.

Veja se tiver estômago:

Iozzi, me liga, vamos ser amigas, temos muito pra conversar.

Facebook: /anatalierosa
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Instagram: natalie.rosa

Lugares para comprar vestidos fofos em Curitiba

Toda vez que eu preciso/quero comprar roupas novas é aquele drama: na maioria das lojas eu não gosto de nada e, nas poucas que eu gosto, o preço não é muito atraente. Isso faz com que eu leve muito tempo até encontrar algo que eu realmente goste por um preço justo, e imagino que muitas outras pessoas passem por esse problema na hora de comprar uma roupa nova.

E, quem me conhece, sabe que 90% do meu guarda-roupa é composto por vestidos. Por ser uma peça única eu perco menos tempo no dia-a-dia pensando na composição e ainda fico com um ar de “arrumada” sem muito esforço. Pensando nisso, decidi listar as minhas lojas favoritas para comprar vestidos bonitos, e com um preço justo. Vem comigo!

Vestido Antix, modelo Chá das Cinco, comprado na Apple Spicy <3
Vestido Antix, modelo Chá das Cinco, comprado na Apple Spicy <3

Emme

A Emme é uma das poucas lojas que eu entro e facilmente consigo identificar peças do meu estilo. Eles têm uma carinha jovem, mas sem ser boba, e com roupas delicadas sem serem muito cheias de frufrus. Os vestidos custam por volta de 150 reais e vale a pena ir lá em tempos de liquidação, para comprar alguns por 80 ou 100 reais. Além disso, as saias e as lingeries da marca são super charmosas! Aqui em Curitiba só tem Emme no Parkshopping Barigui, mas eles vendem online pro Brasil inteiro.

Apple Spicy

Uma palavra consegue resumir todas as roupas da Apple Spicy: fofa. Estampas delicadas, animais e rendas fazem parte da loja, que tem vestidos, shorts, saias e camisas lindas demais! Presente no Polloshop e no Jardim das Américas, a Apple Spicy é uma das poucas que vende Antix em Curitiba – uma das minhas marcas favoritas, que eu só não compro por motivos de dinheiro – cada vestido custa, em média, uns 250 reais. Outro diferencial é o atendimento, só conheço a loja do Polloshop, mas as vendedoras foram super simpáticas e atenciosas. Vale a pena conhecer!

Álbum Design Hits

Conheci essa loja meio por acaso, quando estava procurando um biquini com cintura alta e me indicaram a Álbum pelo Twitter. Apesar de não ter comprado nada lá no dia (me decepcionei porque quase todas as peças só tinham em numeração pequena), gostei porque lá tem muita coisa bonita da American Apparel, e eu nunca tinha visto uma loja que venda a marca em Curitiba. Além disso, eles tem uma arara só de roupas usadas, com vários vestidos antigos fofos. A loja fica na Rua Brigadeiro Franco, pertinho da Praça 29 de março.

Nonsense

Para começo de conversa, uma loja que vende Vans e Melissa já ganha o meu respeito e o meu amor. Juntando isso a várias camisetas bonitas, um monte de acessórios com referência à Star Wars e um atendimento de primeira, a Nonsense entrou no meu hall de lojas favoritas, até porque o preço é justo e os vestidos são super diferentes, de várias marcas e bem exclusivos. Aqui em Curitiba tem Nonsense no Omar, mas na região metropolitana tem no Shopping São José também.

Conhece algum lugar com o custo/benefício melhor? Conte nos comentários! 😉

Quanto tempo o tempo tem?

Uma das falas que me marcou muito quando eu estava no Ensino Médio e era viciada em Sex and the City foi quando as quatro amigas estavam conversando sobre relacionamentos e uma delas citou uma regra que deveria ser respeitada: após um rompimento, a pessoa deve contar uma semana para cada mês do relacionamento e não superar nem antes nem depois. Ou seja, se a pessoa namorou ou ficou com alguém durante três meses, ela deve superar o fim em três semanas.

Inconscientemente, sempre tentei seguir algo próximo desta regra. Minha tendência, na verdade, sempre foi demorar um pouco mais para processar as perdas – de pessoas, de amigos, de fases da vida – e me sentia boba por demorar tanto para conseguir superar. Acontece que esses dias estava pensando sobre isso e percebi que não passa de mais uma imposição babaca sobre o tempo – que é tão subjetivo e pessoal que não deveria ser encaixado nessas convenções sociais.

Alguns padrões de tempo devem ser aplicados para um grande número de pessoas por questões práticas: a maioridade penal deve ser uma idade única, ignorando as particularidades das pessoas e o fato de algumas serem emocionalmente mais maduras que outras. O mesmo acontece com idade de aposentadoria, horas trabalhadas na empresa ou qualquer outro sistema que dependa dessa generalização para funcionar.

Agora quando se trata de vida pessoal, qual é o sentido de criar regras? Quem disse que tem idade certa para se formar, para namorar, para casar? Quem disse que ficar com uma pessoa por um ano sem namorar ou que começar a namorar alguém que conheceu há dois dias é errado? Quando se trata de sentimentos, o tempo não deveria ser padronizado, não é normal cobrar alguém por ter um tempo diferente do seu. Essas particularidades é que fazem com que a nossa trajetória seja tão única e tão especial. Jamais abra mão disso.

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A insustentável boa imagem

Não tem muito tempo eu estava na praia, sentada de frente para o mar em dia cinzento e frio – tão frio que cheguei a me enrolar na canga, que até aquele momento era apenas figurativa, pois claramente ninguém ia tomar sol porque o mesmo estava escondido no céu nublado ou ainda entrar no mar com aquele vento gelado. Uma amiga, que dividia a paisagem quase digna de inverno europeu, perguntou, sem o menor aviso:

– Você já traiu alguém?

Ainda sem tirar os olhos do mar, equilibrei a garrafa de cerveja meio torta na areia e balancei negativamente a cabeça. Ela, um pouco perplexa, questionou como isso era possível e eu, que já imaginava o motivo da pergunta, fiquei sem jeito de dizer. Mas é claro que ela insistiu.

– Olha, eu nunca traí ninguém, mas já fui traída.

Senti que ela ficou desconfortável, mas expliquei que eu não julgo isso, apenas nunca fiz e nem vou justamente porque eu sei como é estar do outro lado. Ela então me perguntou como foi que eu me senti. Essa pergunta me desconcerta um pouco porque, honestamente, detesto falar sobre isso. O problema em lembrar é que isso traz à tona várias lembranças que estavam quietas no canto do peito. Mas, expliquei que é um misto de raiva, com mágoa e insegurança. Acontece que o cerne da questão não é o que você sente na hora, mas que algo assim muda você para o resto da vida. Mesmo que o relacionamento não termine, mesmo que continuem juntos, vai ser diferente porque isso acarreta traumas e inseguranças que antes nem existiam ali.

– Preferia nem ter ficado sabendo, então?

O mar ressaqueado agora parecia se encaixar em sincronia perfeita com o embolo que senti dentro de mim. Tomei mais um pouco da cerveja e levei alguns muitos segundos a mais do que o necessário para responder:

– Acho que sim.

A perplexidade dela aumentava de acordo com o meu pânico em falar desse assunto. Eu sei que é uma resposta um pouco inesperada, mas a verdade é que eu preferia que a imagem que tinha da pessoa em questão, que na época era um namorado, não tivesse mudado. Isso é algo que vai muito além de traições e até mesmo de relacionamentos amorosos. Quando a gente conhece alguém novo (seja amigo, namorado, conhecido, o que for) você cria uma imagem da pessoa. Às vezes a imagem não é das melhores, mas aí a pessoa te surpreende e é só alegria. O problema é quando a situação é oposta.

Pode ser um(a) namorado(a) (ou do que quer que vocês se chamem) que traiu ou que passou a te tratar de um jeito completamente inesperado; pode ser um(a) amigo(a) que faça algo tão grave quanto uma traição ou, ainda, passe a ser grosseiro e impaciente sem o menor motivo com você. Podem ser tantas coisas e ao mesmo tempo pode ser apenas uma. Um detalhe que muda tudo. E a partir disso, por mais que você queira, por mais que seja a sua pessoa favorita no mundo inteiro, as coisas mudam e nada nunca mais volta a ser como era. Por esse motivo eu respondi que preferia não ter ficado sabendo (alías, se fosse mesmo pra escolher, eu diria que preferia que nunca nem tivesse acontecido), porque além de ter que lidar com essa mágoa pelo ocorrido, o que por si só já é horrível, eu ainda precisei lidar com o fato de que aquilo que a gente tinha, nunca mais ia voltar a ser. Estragou, azedou. Isso, talvez, cause mais dor do que todo o resto.

Com isso não quero dizer que você não deva contar o que fez, aliás, se existe um conselho nesse texto é de que você deve evitar, o máximo que der, fazer algo que possa machucar outra pessoa e, talvez, estragar tudo. Porque olha, se quando o chato do colégio fazia bullying com você, já machucava, tomar uma dessas de alguém querido, de alguém que você confia, é 110 vezes pior.

Eu nunca fui uma pessoa rancorosa, alias, perdoo as pessoas com uma facilidade meio assustadora. E mesmo sendo desse jeito meio desapegado, quando alguém que eu gosto muito faz algo tão grave a ponto de mudar a imagem que eu tinha da pessoa, posso até perdoar, mas não consigo mais vê-la do mesmo jeito e isso dói de jeitos que eu nem imaginava ser possível. Eu sei que é meio ridículo, mas além da mágoa com a pessoa, eu também fico triste comigo mesma porque, por mais que eu tente evitar ao máximo, preciso admitir para mim mesma que aquilo tudo mudou para mim em um instante.

E é o tipo de coisa que não adianta sofrer por antecipação ou desenvolver uma fobia de decepções, pois, ainda que já exista tecnologia suficiente para um absurdo de coisas, ninguém ainda inventou como controlar isso. Então o máximo que dá para fazer é aproveitar cada segundinho das pessoas com o melhor que elas são para você e se apegar a isso, a esse sentimento bom. E se deixar de ser bom? Você junta os seus pedaços e segue em frente, colecionando boas imagens das pessoas enquanto durar, num ciclo um tanto delicioso e outro tanto assustador de possibilidades.

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