Entre a moda e a futilidade

Vou ser bem honesta: eu nunca gostei de moda. Nunca me interessei, nunca consegui enxergar na moda algo além de futilidade, dinheiro e padrão de beleza. Cresci admirando mulheres como Courtney Love, Brody Dalle, Kathleen Hanna e outras artistas que acreditavam que a mulher deveria ser mais que um enfeite e que todas nós podemos contribuir muito mais com o nosso interior do que com o nosso exterior. Resultado? Nunca tinha lido revistas de moda, não me importava com desfiles, grifes ou tendências, me vestia do meu jeitinho e problema resolvido.

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Essa era a minha maior referência de estilo.

Neste ano, porém, eu comecei a trabalhar com clientes que exigiam conhecimento de moda e, aos poucos, fui me inserindo num mundo que eu entendia tão bem quanto eu entendo de carros (talvez eu entendesse mais de carros por ser filha de uma vendedora de carros). Além das poucas marcas que eu admirava, como Burberry e Chanel, eu passei a conhecer a história de várias marcas que começaram do nada, a me surpreender com a genialidade de alguns estilistas e, confesso, me encantei pelas possibilidades que a moda traz.

Quando digo moda, não falo de roupas, sapatos e acessórios, mas sim de histórias importantes e pessoas que pensaram fora da caixa e trouxeram ao mundo criações que são dignas de serem chamadas de obras de arte. São pessoas que encorajam a originalidade, a atitude e a expressão por meio da moda. Elas, sim, eu admiro pra caramba, porque são pessoas que quebram paradigmas e esbanjam a criatividade e a expressão autêntica por meio da moda.

Infelizmente, essas descobertas não anulam o fato de que o meu senso comum de antigamente que acreditava que moda = futilidade não está totalmente errado. Nos desfiles ainda predominam um único padrão de corpo, as roupas ainda têm um custo muito alto que nem sempre todo mundo pode ter acesso, a diversidade de mulheres na moda e na publicidade ainda é muito pequena e, além de tudo, a maioria das marcas se preocupa pouco com a inovação e muito com as vendas (neste verão 2016, por exemplo, 9 entre 10 marcas apostaram no mesmo conceito boho-70s-hippie-étnico).

Entre a moda e a futilidade, eu fico com estilo. E estilo ultrapassa preço de roupa, tipo de corpo ou tendências, falta só as marcas perceberem isso e voltarem a inovar com novos rostos, corpos e modelagens, basta deixar de fazer mais do mesmo.

Menos cagação de regra e mais diversão <3
Menos cagação de regra e mais diversão <3

2 thoughts on “Entre a moda e a futilidade

  1. Mari, concordo com você! Mesmo amando moda e falando sobre ela, os ambientes em que ela se encontra são fúteis e se posso dizer que não gosto de alguma coisa é desse aspecto que as pessoas que vão em eventos de moda têm: são todas iguais, não dá para conversar mais de um minuto sem perceber que elas só sabem comprar e não entendem dessa moda que cria e questiona o mundo ao redor, usando a roupa como forma de comunicação. E sim, como tem blogueirx com cagação de regra…e isso eu passo, obrigada 🙂 Adorei o texto.

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