O mundo mágico das redes sociais

Vamos fazer um teste: tente se lembrar das suas blogueiras/vlogueiras favoritas, ou de pessoas que mesmo sem blog ou canal no YouTube fazem sucesso na internet (os tais “influenciadores digitais”). Agora, entre no Instagram deles e tente perceber a linha editorial do perfil. Provavelmente você vai encontrar um monte de paisagens bonitas de cidades diferentes, roupas caras, cenários paradisíacos e um rosto impecável, sem uma espinha ou fio de cabelo fora do lugar, certo?

Lembro de quando eu era mais nova e os blogs eram pessoais, feitos por adolescentes e jovens que usavam a ferramenta como lazer, não como trabalho. A blogueira ultra famosa que hoje em dia fatura mais de 30 mil por mês com publicidade era só uma menina como qualquer outra, que tinha criatividade para combinar roupas baratas e escrevia bem. Elas falavam de problemas de dinheiro, contavam novidades boas e ruins, e por isso se tornou mais interessante acompanhar esses blogs do que as velhas revistas femininas que continuavam reforçando os velhos estereótipos.

A grande mudança aconteceu quando as empresas começaram a perceber a influência dessas meninas e mulheres no público jovem e passou a se aproveitar disso para anunciar bolsas, sapatos, roupas, esmaltes e mais uma porção de coisas. Isso fez com que as blogueiras mudassem a relação que elas têm com o blog e com o público: o que antes era algo pessoal, feito de forma amadora, se tornou uma ferramenta de trabalho. E é aquela coisa: você não vai falar dentro do ambiente de trabalho que tá triste, que a vida é uma merda e que aquele vestido que te pagaram pra usar naquela foto do Instagram é de um tecido péssimo, né?

Foi aí que tudo desandou. Por um lado é muito interessante ver um monte de pessoas jovens ganhando dinheiro trabalhando com internet, por outro é frustrante ver como essa relação blogueiras-empresas mudou a blogosfera e as redes sociais. Tudo se tornou vendável, e a competição por likes e por fama criou pessoas muito mais preocupadas com estética do que com conteúdo – pode perceber, a maioria dos blogs tem 5 linhas de texto para muitas e muitas fotos de produtos, viagens e um lifestyle inatingível para nós, meras mortais.

Por isso, a gente estava precisando mesmo do chacoalhão que a blogueira australiana deu no mundo todo. Likes não significam nada, nada, além de dinheiro caso você trabalhe com isso. Para quem não trabalha, não significa amor, nem admiração, nem porra nenhuma. Você não é melhor ou pior do que alguém por ser mais ou menos popular na internet, sério. O que ela falou não é nada novo, mas precisamos lembrar disso, de que a perfeição das redes sociais é só uma colagem, como um álbum de fotos: as partes boas são destacadas e as ruins escondidas.

Por isso, não tenha medo de postar uma foto borrada de um momento feliz, de compartilhar um vídeo em que aparece a gordurinha da sua barriga ou qualquer coisa que não renda likes. De perfeição e artificialidade a gente já viu demais, obrigada.

dancing

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