A genialidade de Xavier Dolan

Faz um bom tempo que eu estava com vontade de escrever sobre o Xavier Dolan. Se eu tivesse escrito há alguns meses, provavelmente seriam poucas as pessoas que teriam visto um trabalho dele. Hoje, no entanto, grande parte deve ter visto ao menos um clipe que ele dirigiu: Hello, da Adele. O canadense tem só 26 anos e, antes de toda a polêmica com o celular de flip, já era um nome forte em Cannes. Além disso, recentemente ele posou para uma campanha da Louis Vuitton.

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Dolan é nascido em Montreal e, por isso, seus filmes são todos em francês. O grande diferencial das obras é a sensibilidade que ele tem de colocar detalhes tão pessoais e envolventes, de forma que a gente se identifique e se apaixone por todos os personagens criados por ele. Vou falar um pouquinho filmes que assisti dele mas, ao invés de usar a ordem de lançamento, prefiro utilizar a ordem em que eu assisti para dividir com vocês de que forma eu conheci o trabalho dele.

Amores imaginários

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A primeira coisa que me chamou atenção em Amores Imaginários é a fotografia: cada cena do filme poderia ser um quadro, é tudo tão bonito e simétrico que visualmente o filme já vale a pena. A história mostra um triângulo amoroso formado pela moça da foto acima, o melhor amigo gay (interpretado pelo Xavier Dolan) e um loiro que faz os dois morrerem de amores. Vale a pena ver para relembrar exatamente qual é aquele sentimento devastador da paixão, que nos torna meio ridículos. E assim como todos os filmes do Dolan, a trilha sonora é excelente e vai do clássico ao pop.

Mommy

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Dá um nózinho na garganta só de lembrar de Mommy. Além da trilha sonora impecável (a vibe me lembra um pouco a trilha sonora de Boyhood) e da fotografia original (o filme é quase todo 1:1, parece tipo um filme do Instagram), Mommy é extremamente visceral e intenso do começo ao fim. A relação entre mãe e filho é explorada com Diane e Steve, um garoto problema que é expulso do reformatório e volta a morar com a mãe. A relação entre os dois transita entre o incestuoso e o violento, levantando questões sobre os conceitos de normalidade.

Eu matei minha mãe 

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O primeiro grande sucesso do Xavier Dolan foi o último que assisti dele. E sim, o título é assustador, mas não é literal. Eu matei minha mãe é estrelado pelo próprio Dolan e tem traços autobiográficos, já que mostra a problemática relação entre o filho homossexual e sua mãe. É impossível não mergulhar na história dos dois e não lembrar dos nossos próprios conflitos com nossas mães – afinal, por melhores que elas sejam, existem sempre brigas e conflitos terríveis. Chorei horrores lembrando da minha mãe e de toda a nossa história, que ora tinha muito carinho, ora era uma verdadeira guerra.

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