Medo da felicidade

“É melhor ser alegre que ser triste” é uma verdade universal. Ninguém veio ao mundo com a ânsia de sofrer, de passar por dificuldades, de ser infeliz. De certa forma, reconhecemos que um pouco de dificuldade é bom para o amadurecimento e crescimento pessoal, mas parece coisa de louco imaginar que alguém tem o desejo de ser triste. Nascemos, crescemos, trabalhamos, amamos, suamos a camisa, tudo isso em busca da felicidade. O que nos faz bem, mantemos por perto. O que nos machuca e faz mal, afastamos. Simples assim!

Nem tanto. Muitas pessoas, ao longo da vida, podem afastar as coisas boas e se aproximar justamente daquilo que é prejudicial, mesmo sem perceber ou reconhecer. Afinal, se o objetivo maior da vida de qualquer ser humano é ser feliz, por que existiria alguém que tomaria decisões que atraem a infelicidade? Só pode ser auto-sabotagem! E é exatamente isso. Já passei por isso vezes o suficiente para ao menos reconhecer quando meu comportamento está boicotando a minha própria alegria.

Dusty and Dicey © Eugenia Loli

Esses dias mesmo me peguei falando ao meu namorado que estava desconfiada da minha vida. “Não tem nada de errado acontecendo, sabe? Consegui um trabalho que eu amo, estou feliz aqui em casa, não estou passando por nenhuma dificuldade. Eu tenho medo, sabe? Parece que algo muito ruim pode acontecer a qualquer momento”. Não que eu seja a senhora Vida Perfeita, mas eu não posso ser ingrata e não admitir que estou passando por uma fase muito boa da minha vida, estou satisfeita, estou bem.

É aqui, neste momento, que a auto-sabotagem entra. Pessoas que tiveram muitas dificuldades na vida, seja no quesito profissional, amoroso ou qualquer outro, se acostumam com a bagunça. É seguro viver com a tristeza, afinal tudo de bom que vier é lucro. Quem não tem nada não tem nada a perder. E aí, quando algo bom acontece, a gente sabe que não é eterno, que coisas ruins podem acontecer a qualquer momento. Abraçar as coisas boas da vida significa, também, admitir que a qualquer momento você pode perdê-las. É assustador.

Ainda não encontrei uma solução definitiva para o problema, mas uma estratégia que me ajuda a tomar decisões difíceis de forma racional, sem medo de mudanças, é fazer lista de prós e contras. Assim, a gente sabe que está tomando a decisão certa, não apenas voltando para a zona de conforto. Além disso, é sempre importante nos tornarmos conscientes de nossos atos. Quanto mais a gente percebe que está se auto sabotando, mais fácil fica para fugir dos mesmos comportamentos destrutivos!

E você, já sofreu com a auto-sabotagem? Conseguiu se livrar desse círculo vicioso? Conta para a gente nos comentários, a sua história pode ajudar outras pessoas!

2 thoughts on “Medo da felicidade

  1. Sim, cara. Exatamente como você relatou aí!!!! Já até achei “é bom demais pra ser verdade” haha!!! Eu acredito que nossa cabeça/pensamento sempre vai para a tristeza inconscientemente. O mundo hoje faz a gente achar que nunca é suficiente (dinheiro, alegria, status, trabalho). Então o mais fácil é se deixar levar pelo ciclo vicioso, esse é o curso normal. Se tivermos a consciência disso, podemos lutar contra esses pensamentos na nossa cabeça e não deixar que nossos próprios pensamentos acabem com a nossa alegria. É louco né? Eu já fiz muitas listas, ajuda bastante. Mas com o tempo fui aprendendo a fazer diariamente na minha cabeça. O problema é que essas coisas, se você se descuidar, pluft! De um dia pro outro você não faz mais e você se perde de novo… Então é uma reflexão constante. Daí quando você consegue ter isso internalizado é o tal da felicidade no caminho e não no fim. Não sei se deu pra entender mas é tipo isso haha.

    1. Nossa, sim! É bem isso haha a partir do momento que a gente se torna ciente desse comportamento autodestrutivo, fica mais fácil fazer essa reflexão constante 🙂

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