O despertar da escrita

É muito difícil escrever depois de ler tantos bons autores. Tenho ideias todos os dias, o tempo todo, penso “isso pode render um bom texto”, mas sempre sou levada pelo pensamento de que outras pessoas já escreveram, ou escreverão, a mesma coisa, mas melhor que eu. Pra que escrever se outras pessoas, mais talentosas que eu, já o fazem? Melhor poupar o tempo e assistir uma série.

Mesmo pensando dessa forma, eu ainda preciso escrever: porque é meu trabalho, meu sustento, e também porque tem dias que, mesmo que ninguém leia, eu preciso tirar aquilo de mim, materializar aquela ideia, aquela angústia. Preciso escrever porque é isso que eu sempre quis fazer da minha vida, e eu posso não ser a melhor, mas eu posso ser a melhor versão de mim, certo?

Assim, decido que vou me inscrever em um curso de Redação Criativa (fiz na Esc. Escola de Escrita, aqui em Curitiba). Conhecer novas pessoas, aprender algumas técnicas e chacoalhar um pouco a cabeça é necessário. Além disso, sou desafiada diariamente a trabalhar de forma criativa, me destacar entre os demais. Preciso escrever, preciso escrever melhor, preciso aprender a dizer a mesma coisa de formas diferentes. Surpreender a mim mesma e aos outros.

Entrar na sala de aula foi um desafio, já que topei com pessoas que eu conheço e sei que escrevem bem, e outras que não conhecia, mas pareciam escrever bem. Tremi nas bases só de pensar em ler algo de minha autoria em voz alta, mas estava ciente de que cedo ou tarde isso aconteceria.

Exercícios

O primeiro desafio do curso foi escrever, durante 10 minutos, fatos aleatórios sobre nós mesmos em tópicos. Itens como “gosto de cerveja”, “odeio segunda-feira”, “me apaixono facilmente” ou “moro com uma gata” foram colocados em lista e, depois, nós tivemos que criar um perfil com base na folha de outra pessoa que a gente não conhecia. Saíram coisas incríveis e outras nem tanto, mas o mais interessante foi analisar a nossa capacidade de conseguir juntar fatos aleatórios de forma coerente e, ao mesmo tempo, fiel à pessoa.

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Durante o fim de semana, fizemos pelo menos mais alguns textos individuais e outros em cocriação, algo que eu já tinha perdido as contas da última vez que fiz. A professora é sensacional e criou métodos que fazem a gente sair da nossa zona de conforto e escrever sobre coisas que não dominamos. Em um texto (que talvez eu poste aqui mais além), eu cheguei a misturar temperos com esgrima (!!!) e foi muito gratificante ler em voz alta e perceber a reação positiva de quem ouvia.

Referência, referência, referência

Já diria minha professora de Jornalismo Cultural que, para escrever bem e conseguir analisar obras culturais, é preciso referência. Por isso, ao longo do curso, tive a oportunidade de entrar em contato com muitas obras que não conhecia (de forma superficial, claro, o curso durou só um fim de semana) e pude analisar tecnicamente aspectos de obras que amo, mas daquela forma instintiva, sabe? Amo porque amo, mas não era capaz de apontar os elementos que me agradavam.

Uma das atividades mais interessantes do curso foi trocar figurinhas de referências com todos os alunos. Conversar sobre filmes, livros, séries, viagens e outras coisas que tocam os nossos corações foi essencial para entrar em contato com o universo de cada pessoa que estava lá e perceber que é sempre possível buscar mais informações em diferentes meios.

Despertar

Foi só um fim de semana, 16 horas, mas foi o suficiente para dar o chacoalhão que eu precisava na minha vida. Tanto pelo networking quanto pela inspiração e pelo aprendizado, o curso foi capaz de me inspirar muito, acordar minha criatividade e começar a pensar de forma mais séria no que eu quero da minha vida, profissionalmente falando. E, principalmente, para perceber que eu não posso deixar de escrever!

4 thoughts on “O despertar da escrita

  1. Deve ter sido incrível… Eu gosto muito de escrever e desde pequena estou sempre escrevendo, mas às vezes me sinto essa de “Mas alguém já fez isso! Mas o que isso vai acrescentar na vida das pessoas?”. Acho que é normal, mas ainda assim prende a gente, né?
    Adorei seu relato e me deu um gás para procurar um curso parecido por aqui… Vivo falando que quero, mas nunca faço, já passou da hora!

  2. Eu sempre AMO fazer esses tipos de cursos porque nos dá outra perspectiva de mundo, né? Estudo jornalismo também e escrever pra mim é essencial, tanto profissional quanto pessoalmente. Mas chega uma hora que a gente se sente esgotada, e é ai que entram essas descobertas… Adoro os teus textos, Mia! Te acompanho desde quando escrevia apenas para o seu blog pessoal. Continue escrevendo sempre!
    Beijos! <3

    1. Aaaaaa fico extremamente feliz de ler isso, de verdade! Ainda mais quando o elogio é de uma pessoa que não me conhece hahahah porque aí o elogio é ainda mais sincero! E quando der, faça algum curso do gênero, é super divertido! Beijos 🙂

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