Rotular ou não? Eis a questão!

Quem é da minha geração (18 – 20 e tantos) sabe que, nas relações amorosas e sexuais, rótulo é visto com maus olhos pela maioria das pessoas. “Rotular é limitar”, eles dizem, e preferem não ter nada careta como um namoro, um anel de compromisso ou uma certidão de casamento. As pessoas se conhecem, se atraem, transam, saem juntas, mas é difícil saber quem é peguete, quem é namorado, quem é namorido, quem é marido. Isso tudo, pra muita gente, é sinal de liberdade, de modernidade. Não pra mim.

Veja bem, passo longe de ser uma pessoa tradicional e conservadora. Moro com o meu namorado, não usamos aliança e, por enquanto, não temos nenhum tipo de declaração de união estável ou certidão de casamento. O nosso rótulo de namoro é importante porque eu sei o que eu tenho direito de exigir dele ou não. Como somos monogâmicos, sei que traição é inaceitável, é errado, e se eu ver uma guria pegando ele eu terei o direito de me magoar. Assim como eu sei que, por morarmos juntos, eu não posso simplesmente passar a noite fora sem avisá-lo. Para mim, não é questão de estar presa, mas sim de respeito com os nossos sentimentos.

Silviu & Irina Székely

Já as pessoas que desenvolvem relacionamentos sem rótulos podem se machucar nesse processo de não dar nome aos bois. Uma das pessoas pode considerar a relação monogâmica e a outra não, e aí como é que fica? Os rótulos não são importantes para as duas pessoas em relação à sociedade, mas sim em relação à elas mesmas. Não precisa colocar no Facebook e anunciar para o mundo, mas vocês dois devem saber o que vocês são um para o outro. Relacionar-se sem saber qual é o seu limite e o que vai magoar ou não a outra pessoa é a receita perfeita para o desastre.

Não tô falando pra vocês que o namoro é fundamental, mas sim que o diálogo honesto é peça-chave para que qualquer tipo de relacionamento, seja uma ficada ou um casamento, funcione. Não adianta fugir de DR, se esquivar dos sentimentos: eles existem e devem ser expostos entre vocês. Vamos aproveitar que já existem arranjos para todos os gostos (relacionamento aberto, poliamor ou uma foda casual) e rotular! Não é falta de liberdade, é respeito.

A Tati Michaud também escreveu sobre o mesmo assunto aqui, confira! 

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