O Brasil virou um estádio de futebol

E o jogo em questão não é um amistoso. Se você não estava em coma, vive no terceiro planeta do Sistema Solar, Hemisfério Sul da Terra, nesse grande país chamado de Brasil-il-il, você sabe que a situação política por aqui não está nada boa. Com isso quero dizer que você tem, pelo menos uma noção, que vivemos, em terras tupiniquins, uma crise política de proporções para lá de assustadoras.

Em algum momento da sua vida, você percebeu que tem tendências políticas que pendem mais para a direita ou esquerda, dentro do sistema, certo? Eu, por exemplo, sempre tendi mais para políticas de esquerda. Você leu bem o “mais” escrito ali, né? Isso, ortograficamente, implica que eu concordo mais com políticas governamentais de esquerda, mas que não acho tudo certo, lindo e maravilhoso. Não estou aqui duvidando da sua capacidade de interpretação de texto, mas é que eu eu ando, literalmente, com medo de expor meus ideais sociopolíticos.

Acontece que o cenário político atingiu tamanhas proporções por aqui, que as pessoas começaram, de repente, a sentir uma necessidade incrível em assumir cegamente um partido e demonizar o da oposição. E pior do que isso, a população passou a agir como torcedores enlouquecidos de torcidas organizadas ou até mesmo membros de grupos religiosos que tentam, a todo custo, evangelizar todo mundo – e muito mais grave do que isso, as pessoas estão agindo de forma violenta, com discurso de ódio dos dois lados.

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O brasileiro, em sua grande maioria, parece viver em um momento de histeria coletiva e isso é de dar medo. Durante a evolução da humanidade, alguém muito inteligente afirmou que futebol, religião e política, não se discute. Claro, se debate, conversa sobre, mas não tem cabimento ficar questionando as escolhas, sejam elas qual forem, do amiguinho.

Quando eu disse no começo desse texto que sempre fui mais de esquerda, não quis dizer que sou PT ou que concordo com tudo que acontece no atual governo – eu sou apartidária, com muito orgulho. Quer dizer, única e exclusivamente, que eu tendo mais para movimentos de esquerda. E eu tenho, democraticamente, esse direito. Mas quando eu comento algo desse gênero hoje, alguém olha para mim e começa uma discussão irracional sobre como eu sou “pró-Dilma”.

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Em pleno 2016 fala-se em impeachment (e, felizmente, mais se fala do que se escreve, porque ô vergonha desses erros ortográficos) e, me desculpe, se você acredita mesmo que essa é a grande solução para o nosso país, que isso vai salvar a pátria, você precisa voltar para a escola e assistir a aulas de História do Brasil. De novo, eu não sou petista e com certeza não sou “tucana”, mas eu sou a favor de uma democracia. Infelizmente, o Brasil é um país corrupto desde a sua colonização e o povo brasileiro foi criado para sempre dar aquele “jeitinho”.

Não adianta muito bater no peito e pedir justiça e ética e não agir da mesma forma nas pequenas coisas do dia-a-dia. Não adianta baixar filmes e músicas ilegalmente, estacionar em vaga preferencial, ser um babaca com as pessoas ao redor e ficar clamando por justiça enquanto veste uma roupa verde e amarela.

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A política brasileira é um jogo e nós todos fazemos parte dele, como cúmplices. Quem assume o poder muda as regras, mas sempre em benefício próprio, sempre em busca de dar o seu “jeitinho”. As pessoas perderam a capacidade de argumentação racional e apenas afirmam que tem que tirar fulano do poder ou colocar alguém para governar. Eu concordo, o que tem acontecido tem sido bem decepcionante, sem dúvidas. Mas e vai colocar quem lá? Outro peão do jogo que em uma ou duas rodadas vai deixar tudo igual ou pior? Uma peça tão corrupta quanto todas as outras?

O Brasil sofre de amnésia coletiva, e o jogo vira, mas as peças continuam as mesmas. E a torcida se atraca como se isso fosse resolver o problema.

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