O peso do mundo

Sempre considerei uma qualidade a característica de ser uma boa ouvinte. Aliás, modéstia parte, acho que isso é um dos fatores que me torna uma boa amiga. Gosto de saber que eu sou uma das primeiras opções quando alguém precisa de uma ajuda, um conselho, me sinto bem na posição de ombro amigo para todas as horas. No entanto, nos últimos tempos eu sinto que isso já não está mais me fazendo bem.

Por um lado, é ótimo poder ouvir as experiências dos outros, levar alguns aprendizados pra vida e me sentir útil para o meu círculo de amigos. Por outro, eu sinto que existem pessoas que, de forma involuntária, acabam descarregando muita energia negativa pra cima de mim. É como se eu abrisse as portas para receber os problemas, as pessoas fossem lá e deixassem eles comigo. E aí fico eu, sozinha, com uma sala cheia de caixas de problemas profissionais, amorosos, familiares e uma porção de coisas que nem minhas são.

E, ao mesmo tempo que eu sou essa pessoa que ama ouvir, sou incapaz de falar muito. Às vezes pode até parecer que eu falo muito, e eu falo, mas dificilmente eu vou abrir a boca pra soltar uma angústia minha em cima de alguém. A impressão que eu tenho é que, ao levar minha caixinha cheia de problemas para alguém, eu estarei atrapalhando. O caminho oposto, no entanto, é corriqueiro.

No fim do dia, restam eu, minhas caixas e mais uma porção de caixas que foram aparecendo porque eu deixei e achei que seria inconveniente negar isso aos amigos. Fico com as minhas questões, as questões dos outros e não me sinto no direito de dividir esse fardo. E elas pesam, incomodam e eu não sei como me desvencilhar de tudo isso.

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