O jogo que ninguém vence

Não importa o seu status de relacionamento, você provavelmente vai concordar comigo: nunca foi tão fácil conhecer gente nova, mas também nunca foi tão difícil se relacionar com alguém. Temos em nossas mãos todas as ferramentas possíveis: Tinder, Grindr, Whatsapp e todas as outras redes sociais, mas mesmo com tanta tecnologia é quase impossível esbarrar com alguém que te proporcione bons momentos. Por que será?

Esses dias me mandaram o texto “Será que ela vai escrever de volta? Será que não?”,  do ator Aziz Ansari (de Parks and Recreation e Master of None) com colaboração do sociólogo Eric Klinenberg, e eu não consegui parar de pensar sobre ele. Trocando em miúdos, o estudo sobre relacionamentos na era digital compara a troca de mensagens de textos com uma máquina de caça níquel: a pessoa se torna viciada no imediatismo e surta quando a resposta não é imediata. Parece familiar pra você?

O resultado desse estudo diz, basicamente, que o nosso cérebro tende a se interessar mais por recompensas incertas, ou seja, por aquelas pessoas insuportáveis que respondem na hora e, do nada, somem por algumas horas (ou dias. Ou semanas. O ser humano não tem limites na hora de dar gelo). Novamente, você deve ter se identificado, afinal quem nunca ficou perdidamente interessado(a) em uma pessoa de comportamento instável?

12805852_10207163857188960_6475192239255464706_n

Deveria ser mais simples. Temos tantas chances de conhecer pessoas legais, mas ao mesmo tempo sabotamos tudo isso com joguinhos mirabolantes que, muito provavelmente, não levam a lugar nenhum. Todo mundo fala pra você ser você mesmo, mas como não jogar se qualquer demonstração de sentimento genuína é encarada como fraqueza e desespero?

Infelizmente, não tenho uma solução mágica para que isso se resolva (se tivesse, estaria riquíssima vendendo livros de autoajuda e passando as férias no Caribe), mas tenho a esperança de que, a partir do momento que a gente se torna consciente dessa cilada que o nosso cérebro apronta conosco, nos tornamos mais fortes para lutar contra o vício de só gostar de relações complicadas, de pessoas que não deixam claro o que sentem por nós.

Afinal de contas, se um relacionamento tem como base o joguinho amoroso, ele irá sobreviver somente quando as duas pessoas ficarem nessa dança estranha de aproximação e afastamento, porque assim que uma delas passar estabilidade e segurança, a outra está altamente inclinada à perder o interesse. Já as relações que já começam honestas, com as duas pessoas agindo de forma espontânea e sem muito overthinking sobre cada palavra ou gesto, crescem com uma base mais sólida. E aí, o amor vence o jogo.

12742541_950188941697699_4744455855234041640_n

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *