Vale a pena estudar inglês fora do Brasil?

Muitas pessoas ficam curiosas sobre como é aprender inglês fora do país e se compensa todo o esforço de fazer um intercâmbio. Com base na minha experiência até então, digo que: sim!

A língua inglesa nunca foi algo difícil para mim (provavelmente nem para você que está lendo), mas nunca cheguei a estudar em um curso específico, só como uma matéria em escola pública. Meu primeiro contato com ela foi quando ganhei um CD das Spice Girls com, sei lá, uns 8 ou 9 anos de idade. Não me contentava só em ouvir, mas sim em ler o encarte e decorar as letras. Não fazia ideia do que eu estava cantando, mas aprendi a pronunciar muito rápido, pois quando se é novo assim é muito mais fácil aprender qualquer coisa.

Depois de muito praticar dublando sozinha no quarto as músicas das Spice Girls e divas do pop da época, como Britney Spears e Christina Aguilera, avancei mais um passo e comecei a focar nos videoclipes que passavam no Multishow, naquele programa Top TVZ. Eu ouvia as músicas e relacionava o que estava escrito na legenda com o que a música falava. Com isso, comecei a pegar algum vocabulário e passar a entender o significado de algumas músicas que eu ouvia sem precisar de tradução ou legenda.

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Massa. Próximo passo: assistir séries e filmes legendados. Passei parte da pré-adolescência assistindo Lei & Ordem e Sex and the City, e do mesmo jeito que eu treinava com os videoclipes, treinei com as séries. Aprendi gírias, mais vocabulário e que era de tal jeito que se falava tal coisa, mas sem saber regra nenhuma.

Segui assim por anos até que com uns 22, 23 anos, comecei a assistir vídeos de talk show no YouTube. Assisti tanto, mas tanto, mas TANTO, que aprendi a entender o inglês sem precisar de legenda e me senti vitoriosa. Pensei: bacana, não preciso mais de curso de inglês, acredito que estou próxima da fluência. Também pensei que por isso não teria problemas para conversar.

Um dia ganhei uma promoção e tive a oportunidade de conhecer uma banda americana que foi fazer show em Curitiba. Consegui me apresentar, falar o que fazia da vida, com o que trabalhava e até entendi algumas piadas deles.

Ótimo, não preciso mais do inglês.

Doce ilusão.

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Sempre tive o sonho de fazer intercâmbio nos Estados Unidos, mas sempre tive medo. Até que um dia rolou. Não queria fazer inglês, pois achava que sabia o suficiente, mas escolhi por ser muito mais em conta e pela oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro e suas culturas.

Fiz essa introdução enorme aqui para dizer que com base na minha experiência e de outros depoimentos que ouvi, um curso de 10 anos de inglês no Brasil não adianta de nada se não tiver prática.

É óbvio que tudo o que eu estudei adiantou e MUITO para eu conseguir me virar aqui, mas a realidade é bem diferente.

Vão ter pessoas que você vai conseguir entender, outras que não. Terão aqueles que falam rápido, que falam enrolado, que cortam palavras da frase e que não vão ter paciência para lidar com um gringo. Mas também terão aqueles que são naturalmente calmos e que tem a dicção perfeita. Meus amigos, vocês já assistiram um telejornal americano? (Sugiro o Good Morning America). Não é impossível entender, mas é preciso fazer um esforço enorme para isso que você precisa respirar fundo a cada intervalo. Se você sabe do que eu to falando, sabe também que é assim que a maioria dos americanos fala. E muitos dos que falam assim são as pessoas que vão anotar o seu pedido no restaurante e fast food.

Você provavelmente vai receber um pedido errado em algum momento da sua estadia aqui, seja uma carne mega mal passada ou hambúrguer sem queijo. E isso pode acontecer por dois motivos: ou você realmente entendeu errado ou ficou com tanta vergonha de pedir para repetir que só vai responder sim ou não. Pode acontecer de você responder “sim” para alguém que perguntou o seu nome.

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Mas isso é questão de tempo. Logo você não vai se apavorar com aquela atendente falando na velocidade da luz e inclusive vai conseguir pedir detalhes sobre o seu lanche.

Chegando na escola de inglês, o aluno faz o placement test pra saber de qual nível vai começar. Comecei pelo “intermediário avançado” e achei que seria moleza. Mas a cada aula, um choque. “Ah, então é por isso que isso se fala assim”. “Caramba, não sabia disso”. “Nossa meu, eu ‘falava’ errado o tempo todo”. “PQP, não to entendendo essa matéria”.

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Com base nisso, tenho outra dica para vocês: você nunca sabe o suficiente. Posso estar generalizando, mas nada como um bom conhecimento de gramática e MUITA prática para se sentir seguro em relação ao seu inglês. Eu achava que sabia 90%, mas descobri que se fosse 60% seria muito. O aprendizado no país que fala a língua que você está aprendendo é crucial para chegar em fluência total.

Se você tem vontade de fazer intercâmbio de curso de inglês, mas acha que não precisa, faça.

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Sim, eu li um livro de youtuber

Desculpa, mundo, eu li um livro de youtuber. E sim, eu tenho mais de 15 anos. E gostei. Foi mal, sociedade, mas todo mundo tem uns detalhes de personalidade que são reprováveis! Quem tem o gosto impecável pra todo tá mentindo e eu é que não caio nessa áurea cult hipster diferentão que só consome livros e filmes aplaudidos pela crítica especializada.

Em minha defesa, a youtuber em questão fala com o meu público, sabe? Nós, classe média de vinte e poucos, na faculdade ou recém formados, essas coisas. Além disso, até onde todo mundo sabe a Julia Tolezano não pagou um ghost writer, ela sentou a bunda na cadeira e escreveu. Agora vamos deixar de justificativas, né? Li Tá Todo Mundo Mal, lançado mês passado pela Companhia das Letras, e foi uma delícia!

Todas as páginas tem aquele jeitinho Jout Jout, então se você curte o canal, a chance de gostar do livro é bem grande. Cada capítulo é uma crise dela (já adianto que tem um capítulo chamado “crise do pum quentinho”, melhor título de capítulo) e é impossível não se identificar ao menos com um dos pequenos grandes dramas que são abordados.

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O começo foi um flashback para a minha pré adolescência! Nessa época da vida, eu juro pra vocês, a coisa MAIS importante do mundo é ter um namoradinho. Tudo que a gente faz é pra ser mais bonita, mais legal e mais apaixonante aos olhos dos meninos. Se a gente foge do padrão de beleza, somos renegadas, quando muito, ao posto de amiga. E isso é o fim do mundo. Ou a gente achava que era, até perceber que o futuro tava reservando coisas muito melhores do que rapazes de 13 anos com bigodinho fino.

A Jout Jout resume muito bem essa sensação boba e é incrível perceber como as grandes crises do presente se tornam bobagens no passado. Então, se você está meio desesperada(o) com a vida, o livro é uma ótima pedida. Ela também fala da crise de escolher o que quer fazer da vida, de quando ela desistiu de um emprego porque simplesmente viu que não era o que ela queria (sabemos que nem todos tem esse privilégio, afinal CONTAS, BOLETOS BANCÁRIOS INFINITOS) e várias histórias interessantes do namoro com o Caio.

Caio, aliás, é um ponto altíssimo do livro. A introdução feita por ele é de chorar de amores e é mágico ver o quanto os dois aprendem juntos na relação – é um exemplo de relação boa, construtiva, saudável. Vale olhar com atenção para a forma com que as pessoas crescem quando o namoro é bom.

Como nem tudo é perfeito, alguns momentos me causaram um pouco de incomodo porque ela passou a impressão de ser muito mimada, sabe? Mas assim, ela é um ser humano, tem defeitos e teve uma vivência diferente da minha, então tá tudo certo porque no fim das contas ela ajuda milhares de pessoas em crise e isso já torna Jout Jout maravilhosa.

Li o livro rapidinho, foi necessário apenas o horário de almoço durante uma semana. Recomendo fortemente que você reserve algumas horinhas da sua vida para ler Tá Todo Mundo Mal, especialmente se você está na bad e tá precisando colocar as coisas em perspectiva! Perca esse preconceito com livro de youtuber, pelo menos com esse. Tá bem? Então tá bem!

5 razões para comprar um e-reader

Antes de começar a lista, gostaria de deixar bem claro que até pouco tempo atrás não existia alguém mais avessa aos e-readers do que eu. Nunca tive vontade de comprar, minha irmã tinha um e eu sempre torci o nariz pra ele. Adoro estantes bonitas cheias de livros, adoro as capas, o cheiro de livro novo, a textura das folhas, os detalhes da diagramação… O conteúdo é o mais importante, claro, mas todos os detalhes dos livros impressos são mágicos para quem curte ler.

Comecei a considerar um e-reader depois que me mudei para um apartamento muito pequeno, já que deixei boa parte do meu acervo com a minha irmã e aqui os poucos livros que eu tenho já estão começando a ocupar espaço demais. Para me informar, fui  conversar com pessoas que possuem e-readers e percebi que mesmo as que são apaixonadas por livros viraram apaixonadas pelos seus kindles, kobos e afins.

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Na última semana, peguei emprestado o Kindle de uma amiga minha e, em poucos dias, já consegui amar todas as vantagens! Vou listá-las aqui para quem, assim como eu, não coloca muita fé em ler numa tela:

Dá pra ler com uma só mão

Isso faz muita diferença quando você tá com vontade de ler um livro durante o almoço, tomando um café ou realizando qualquer outra atividade que ocupe uma das mãos. Com a outra, é completamente possível segurar o e-reader e mudar de página.

É muito leve

E isso faz toda a diferença para quem viaja com frequência ou simplesmente gosta de sempre ter um livro na bolsa ou mochila. Já aconteceu muitas vezes de eu ler menos porque não queria carregar o peso do livro na bolsa e agora os problemas acabaram!

Você vai ler mais!

A mesma amiga que me emprestou o Kindle comentou de uma pesquisa que fala que leitores de e-readers leem mais. Não consegui encontrar a pesquisa para deixar o link aqui, mas percebi na prática que estou lendo bastante! Afinal, posso carregar ele para qualquer lugar e ler ao invés de ficar vendo o que vocês estão fazendo no Instagram.

Ocupa pouco espaço

Quando eu for muito rica, quero ter uma biblioteca enorme cheia de livros. Enquanto isso não acontece, preciso ser realista e admitir que no meu apartamento de um quarto é difícil guardar o acervo que eu gostaria de ter. Poderia até comprar os livros e doar logo depois de ler, mas isso exige uma organização que eu não tenho.

Acervo infinito e instantâneo

Gente, pirataria é feio, mas enquanto eu não tenho um Kindle Unlimited pra chamar de meu eu estou baixando livros e é muito fácil, sério! No site lelivros.online tem um acervo gigantesco e é possível baixar e colocar no e-reader em menos de cinco minutos! Para quem não curte pirataria, uma ótima opção é o Kindle Unlimited, que custa R$19,90 por mês. Fiz as contas e dá pra ter Netflix, Spotify e Kindle Unlimited gastando uns 60 reais por mês… Considerando que todos os serviços são ilimitados, acho bem justo.

Contem pra mim nos comentários sobre a experiência de vocês com e-readers e vamos trocar informações sobre o assunto! 🙂

 

 

3 passos para ser um homem melhor

O caso da menina de 13 anos que foi estuprada no RJ me fez passar dias pensando sobre o assunto e percebi que aconteceu o mesmo com muitas pessoas que eu conheço. Aconteceu o mesmo, inclusive, com muitos homens que eram avessos ao feminismo, mas aos poucos estão percebendo que sim, o sistema é muito cruel com as mulheres.
E sim, o sistema é formado por homens como os que estupraram a menina, mas também por homens que não cometem crimes horrendos, mas que de alguma forma contribuem para a manutenção desse sistema tão desumano, tão injusto. E é com esses homens que eu quero conversar hoje! Os bem intencionados, que entendem que existe um problema, mas que estão buscando formas de não ser mais parte do problema.

1. Ouça mulheres. De verdade!
Tem muito homem que fala que ama mulheres, respeita todas elas, mas adoram apontar o dedo para falar que elas estão erradas – mesmo quando o assunto em questão é pautado principalmente pela vivência das mulheres. Você não está na pele de uma mulher, não sabe o que nós vivenciamos diariamente, então tenha a humildade de parar e nos escutar de verdade, de peito aberto, sem julgamentos.
Converse mais com as suas amigas, namoradas, mães e parentes. Quando alguma mulher disser para você que determinada atitude é ofensiva, leve a sério. Respeite. Claro que nós não somos todas iguais e temos opiniões divergentes, mas com conversa você vai perceber que algumas coisas são ofensivas para quase todas nós, como por exemplo o assédio na rua.
Além disso, é importante você consumir obras de mulheres. Ouça músicas feitas por mulheres, leia livros escritos por mulheres, assista séries e filmes criadas e dirigidas por mulheres. Percebo que os meus amigos que fazem isso desenvolvem a empatia e se tornam pessoas melhores ao enxergar a realidade que eles não vivem. Aprenda conosco.

2. Coloque em prática o aprendizado
Não adianta ouvir as mulheres, fazer textão bonito no Facebook e continuar agindo da mesma forma que o patriarcado te ensinou. Corte expressões ofensivas do seu vocabulário, corrija os comportamentos que você perceber que são errados e faça o necessário para não ser parte do problema.
Algumas dicas bem práticas envolvem ações que você provavelmente nunca parou para pensar. Lembre-se, por exemplo, de quando você estava andando sozinho na rua à noite e ouviu passos. Você torceu para ser um homem ou uma mulher? Você rezou para não ser assaltado ou para não ser estuprado? Pois é. Você pode ser um anjo, mas para uma mulher desconhecida você sempre será percebido como uma ameaça. Para amenizar isso, atravesse a rua, fique no campo de visão dela, distancie-se para que ela fique mais tranquila. No transporte público a lógica também vale.
Claro que esse é só um dos exemplos, mas existem uma série de coisas que os homens não vivem e vocês só vão perceber que o problema existe quando ouvirem mulheres. Ouçam, aprendam, coloquem em prática.

3. Torne-se parte da solução
Ok, agora você já está ouvindo mulheres, levando em consideração o que elas falam e agindo de uma forma respeitosa. Legal, fez a sua obrigação. Agora, que tal deixar de ser omisso e começar a quebrar a corrente de machismo que existe entre os homens?
Sabe aquele seu grupo do Whatsapp que você deixou de ver porque é cheio de fotos de mulheres nuas que não foram autorizadas por elas? Aqueles seus amigos de infância que ficam fazendo piada machista toda vez que vocês se encontram? Não abaixe a cabeça com medo que eles pensarão que você é menos homem por não compactuar com isso. Abra a boca, aproveite que eles levam homens mais a sério do que mulheres para se posicionar contra esse tipo de comportamento.
Sua masculinidade não é tão frágil a ponto de você ser omisso por medo que os seus amigos pensem que você é menos homem por se incomodar com slut shaming, não é mesmo? Prove isso diariamente. Não seja amigo de caras que maltratam as namoradas, que abusam de mulheres, que fazem vídeos íntimos e divulgam sem o consentimento da mulher. Posicionar-se para outras mulheres é fácil, agora é hora de peitar os homens que contribuem para a cultura do estupro se perpetuar. Quebre a corrente.

Foto: Leo Correa/AP
Foto: Leo Correa/AP