3 passos para ser um homem melhor

O caso da menina de 13 anos que foi estuprada no RJ me fez passar dias pensando sobre o assunto e percebi que aconteceu o mesmo com muitas pessoas que eu conheço. Aconteceu o mesmo, inclusive, com muitos homens que eram avessos ao feminismo, mas aos poucos estão percebendo que sim, o sistema é muito cruel com as mulheres.
E sim, o sistema é formado por homens como os que estupraram a menina, mas também por homens que não cometem crimes horrendos, mas que de alguma forma contribuem para a manutenção desse sistema tão desumano, tão injusto. E é com esses homens que eu quero conversar hoje! Os bem intencionados, que entendem que existe um problema, mas que estão buscando formas de não ser mais parte do problema.

1. Ouça mulheres. De verdade!
Tem muito homem que fala que ama mulheres, respeita todas elas, mas adoram apontar o dedo para falar que elas estão erradas – mesmo quando o assunto em questão é pautado principalmente pela vivência das mulheres. Você não está na pele de uma mulher, não sabe o que nós vivenciamos diariamente, então tenha a humildade de parar e nos escutar de verdade, de peito aberto, sem julgamentos.
Converse mais com as suas amigas, namoradas, mães e parentes. Quando alguma mulher disser para você que determinada atitude é ofensiva, leve a sério. Respeite. Claro que nós não somos todas iguais e temos opiniões divergentes, mas com conversa você vai perceber que algumas coisas são ofensivas para quase todas nós, como por exemplo o assédio na rua.
Além disso, é importante você consumir obras de mulheres. Ouça músicas feitas por mulheres, leia livros escritos por mulheres, assista séries e filmes criadas e dirigidas por mulheres. Percebo que os meus amigos que fazem isso desenvolvem a empatia e se tornam pessoas melhores ao enxergar a realidade que eles não vivem. Aprenda conosco.

2. Coloque em prática o aprendizado
Não adianta ouvir as mulheres, fazer textão bonito no Facebook e continuar agindo da mesma forma que o patriarcado te ensinou. Corte expressões ofensivas do seu vocabulário, corrija os comportamentos que você perceber que são errados e faça o necessário para não ser parte do problema.
Algumas dicas bem práticas envolvem ações que você provavelmente nunca parou para pensar. Lembre-se, por exemplo, de quando você estava andando sozinho na rua à noite e ouviu passos. Você torceu para ser um homem ou uma mulher? Você rezou para não ser assaltado ou para não ser estuprado? Pois é. Você pode ser um anjo, mas para uma mulher desconhecida você sempre será percebido como uma ameaça. Para amenizar isso, atravesse a rua, fique no campo de visão dela, distancie-se para que ela fique mais tranquila. No transporte público a lógica também vale.
Claro que esse é só um dos exemplos, mas existem uma série de coisas que os homens não vivem e vocês só vão perceber que o problema existe quando ouvirem mulheres. Ouçam, aprendam, coloquem em prática.

3. Torne-se parte da solução
Ok, agora você já está ouvindo mulheres, levando em consideração o que elas falam e agindo de uma forma respeitosa. Legal, fez a sua obrigação. Agora, que tal deixar de ser omisso e começar a quebrar a corrente de machismo que existe entre os homens?
Sabe aquele seu grupo do Whatsapp que você deixou de ver porque é cheio de fotos de mulheres nuas que não foram autorizadas por elas? Aqueles seus amigos de infância que ficam fazendo piada machista toda vez que vocês se encontram? Não abaixe a cabeça com medo que eles pensarão que você é menos homem por não compactuar com isso. Abra a boca, aproveite que eles levam homens mais a sério do que mulheres para se posicionar contra esse tipo de comportamento.
Sua masculinidade não é tão frágil a ponto de você ser omisso por medo que os seus amigos pensem que você é menos homem por se incomodar com slut shaming, não é mesmo? Prove isso diariamente. Não seja amigo de caras que maltratam as namoradas, que abusam de mulheres, que fazem vídeos íntimos e divulgam sem o consentimento da mulher. Posicionar-se para outras mulheres é fácil, agora é hora de peitar os homens que contribuem para a cultura do estupro se perpetuar. Quebre a corrente.

Foto: Leo Correa/AP
Foto: Leo Correa/AP

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