Carpe diem meu cu

Atire a primeira pedra quem nunca viu por aí uma notícia de “um casal que largou tudo para viajar pelo mundo” ou de uma “publicitária que deixou o emprego para fazer um mochilão pela Europa”. Nas notícias e blogs que divulgam esse novo estilo de vida sempre há fotos de pessoas bronzeadas com os cabelos ao vento, pulando em frente ao mar, dentro de barcos, sorrindo ao lado dos nativos. São quase releituras de “comer, rezar, amar”, só que com GoPro.

large

E realmente, deve ser incrível mesmo acordar todos os dias com uma paisagem paradisíaca, sem alarme programado no celular, sem chefe pra dar satisfação. Sorte das pessoas que ousaram fazer isso e agora são felizes, só tem um porém: tem muita gente usando esse novo estilo de vida pra vender. Sim, eles ganham dinheiro falando como a vida é melhor se você for mais simples! Incoerente, né?

Não são um nem dois, são vários influenciadores digitais por aí que ganham uma porrada de dinheiro pra dizer para os pobres assalariados que a vida deles é uma merda e eles só serão realizados quando largarem apartamento, carro e emprego para viverem uma aventura. Tudo muito bonito até que o dinheiro acaba. E aí, ou você tem pais ricos ou a coisa complica.

E antes que me atirem pedras, eu não estou condenando pessoas que vivem assim, mas sim questionando até que ponto o discurso de “menos é mais” se sustenta. É no mínimo desonesto vender uma vida perfeita e acusar todas as pessoas que decidiram traçar um caminho diferente, ou nem mesmo têm a opção de perseguir esse caminho de viagens pelo mundo todo.

Por isso, sempre que você deitar a sua cabeça no travesseiro pensando em como sua vida é patética porque você só é mais uma das peças do sistema, lembre-se que esse caminho não é para todos – alguns demorariam muito tempo para juntar esse dinheiro, outros simplesmente não querem assumir o risco e está tudo bem. Não existe um único formato de vida, um único caminho para a felicidade, ainda bem!

E um recadinho para os influenciadores digitais: vamos ser um pouquinho mais pé no chão, por favor? Vocês surgiram exatamente porque todo mundo estava cansado de propaganda de margarina e agora se tornaram ainda mais artificiais que comercial da novela das 8.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *