You should go and love yourself

Eu não lembro da primeira vez que alguém me disse que eu era feia. Não lembro também da primeira vez em que me senti feia. Desde que me entendo por gente eu tive essa sensação de me sentir inadequada, inferior.  E ter sido uma criança gorda, claro, contribuiu muito para que isso acontecesse.

Antes dos dez anos eu já tinha conhecido o Vigilantes do Peso. Lembro nitidamente de quando minha mãe me levou para o nutricionista e ele usou a expressão obesidade infantil para descrever meu caso. Em uma sociedade que considera gordos repugnantes, eu voltei para casa e só conseguia sentir ódio de tudo aquilo que eu era.

Desde muito pequena fiz dieta. Ouvia insultos das meninas mais velhas na aula de jazz e me perguntava o que tinha de tão errado comigo para ter nascido nesse corpo tão nojento. Queria ser como a menina magra, branca, de olhos azuis que todos os alunos e professores elogiavam. A mim restavam duas opções: ser odiada ou ser ignorada. Comecei a me esforçar para estar sempre na segunda categoria.

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Já tentei passar o dia inteiro sem comer e me odiei quando não consegui. Já tentei forçar o vomito depois de comer o que as pessoas chamam de “gordice”, afinal a palavra gorda está sempre associada a coisas ruins, nojentas, repugnantes. Já tomei laxante pra tentar emagrecer. Já tomei água até quase vomitar para tentar enganar a fome. Já dormi rezando para que minha alma fosse magicamente parar em um corpo que fosse amado.

Quando eu tirei o siso e passei alguns dias em uma dieta líquida, emagreci. “Como você tá linda!’, me falaram no colégio. “Tirar o siso te fez bem”, elogiaram meus familiares. E assim eu entendi que eu poderia continuar comendo pouco até ficar mais e mais magra. Era ano de vestibular, eu tinha terminado um namoro e acordava triste todos os dias.

A cada quilo a menos eu me tornava mais interessante para as pessoas ao meu redor. Meninos que nunca olharam para mim começaram a me notar, as meninas populares passaram a me tratar com respeito. Eu passei a viver de sopa de pacote, alface e peito de frango. Se algum dia me descontrolava, tentava vomitar mesmo sem conseguir. Me odiava por não conseguir. Fazia abdominais até a exaustão, ocupando o tempo em que deveria estar estudando.

Cheguei aos 48kg me sentindo gorda. A barriga ainda estava lá, os meus peitos viraram duas azeitonas, mas meus ossos apareciam cada vez mais e todo mundo me elogiava. Era assim que eu iria conseguir ser aceita? Então valia o sacrifício.

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Um dia eu estava saindo do banho e minha mãe me viu nua. Ela viu minhas costelas aparecendo entre os meus seios e começou a chorar. Tinha algo de errado comigo, ela me disse, mas eu tinha certeza que ela estava louca. Afinal de contas, não era o que ela e todo mundo queria? Desde a primeira vez que eu fui pro Vigilantes do Peso, desde a minha primeira dieta dos pontos, o objetivo não era ser o mais magra possível?

Cheguei à conclusão que todo mundo estava contra mim, eram todos invejosos que fingiam que queriam o meu bem, mas na verdade queriam ter a minha magreza. No dia seguinte, minha mãe chegou do trabalho com uma pizza, um bolo e um brownie e insistiu para que eu comesse. Eu chorei imaginando que eu iria perder tudo aquilo que tinha conquistado a duras penas. Era 2009.

No ano seguinte, eu comecei a cursar Jornalismo. Entre festas, baladas e churrascos, eu fui redescobrindo a minha paixão por comida. Sentia ânsias incontroláveis de comer tudo que houvesse na minha frente (escondida, é claro): leite condensado, pacotes de bolacha, o que tivesse na frente eu comia escondida no quarto. Me sentia culpada, tentava vomitar, não conseguia. Me odiava. Engordei tudo o que tinha emagrecido e mais um pouco em dois ou três meses.

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Pula para 2016. Eu nunca vi um número tão alto na balança. Minha mãe não está viva, cozinhar virou uma das minhas paixões e eu não sei mais o que é me privar de fazer algo que eu amo para ver um número diferente em um aparelho. Eu ainda me incomodo quando minhas amigas magras falam que elas estão gordas e, portanto, feias, porque eu sei que elas devem me achar feia por ser gorda.

E depois de muito sofrer por causa do meu peso, depois me odiar todos os dias, eu estou, aos poucos, encontrando paz com quem eu sou. Sou mais consciente do meu corpo, consigo valorizar os detalhes que fazem com que eu seja única, aprendi que o meu valor não está em peso, em comidas, em dietas. Está em camadas mais profundas, que nem todo mundo consegue perceber. Mas eu percebo.

Aprendi que comida não é inimiga, não é a solução dos meus problemas, não é companhia para afogar as mágoas. É algo que deve fazer bem para o meu corpo, me dar prazer, mas de uma maneira saudável. Comida não pode ser recompensa ou punição. 

Claro que nem todo dia é uma maravilha, nem todos os dias eu me sinto bem. Mas cada segundo que eu me sinto bonita é um passo a mais para me desvencilhar de uma doença que me causou muito sofrimento e para combater esse controle doentio que a sociedade exerce sobre os nossos corpos.

QF Indica #02

Olá, gente bonita! Estou aqui mais uma vez para deixar algumas dicas de coisas interessantes que eu li, ouvi, comprei ou sei lá o que e acho que pode ser interessante para vocês também. E, claro, não deixem de dizer nos comentários a sugestão de vocês – eu sempre estou caçando livros, músicas, filmes e séries novos pra conhecer.

Joanne

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Teria como começar de outro jeito? Nunca fui ultra fã da Lady Gaga, mas gostava dos primeiros discos. O Artpop não ouvi até hoje, confesso, mas fiquei curiosa pra ouvir Joanne quando li que o Kevin Parker (do Tame Impala) e o Mark Ronson estavam envolvidos na produção.

Apesar de ter achado Perfect Illusion meio boring, adorei muito o resto do álbum (que só será lançado oficialmente dia 21, então ainda não está no Spotify) e o meu destaque vai pra Hey girl, uma parceria maravilhosa com a Florence Welch. Mas não vá esperando o pop farofa de ralar a bunda no chão! Apesar de algumas músicas serem dançantes, a Gaga pegou referências mais country para criar Joanne.

Aqui no Papel Pop tem as primeiras impressões do Phelipe Cruz sobre o álbum, vale a leitura!

Um milkshake chamado Wanda

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Falando em Papel Pop e Phelipe Cruz, um das coisas mais legais que eu descobri em 2016 foi o podcast do site. Quem não tem o hábito de escutar podcasts e/ou não sabe o que é, explico: podcast é tipo um programa de rádio, geralmente cada programa tem um tema, os quadros fixos e tudo o mais. É perfeito pra ouvir enquanto você faz tarefas mecânicas, tipo dentro do ônibus, lavando louça ou até mesmo trabalhando (mas aí vai depender da sua capacidade de executar bem as duas tarefas!).

O podcast da Wanda é pra quem curte cultura pop, fofocas de celebridades e essas coisas que permeiam o mundo do Papel Pop, mas o meu quadro favorito é o “Me ajuda, Wanda”, quando eles leem e-mails de ouvintes pedindo pitaco na vida pessoal deles. É muito engraçado, sério!

Esse post do GWS também fala de outros podcasts que valem a pena conhecer. 

The OC

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“Ai, Mariana, mas essa série já tem uns trocentos anos”. Eu sei, eu sei, mas agora ela entrou na Netflix! Eu já vi The OC várias vezes e todas elas são maravilhosas! E, se você ainda não assistiu, tá aí a oportunidade de ver uma das séries adolescentes que mais marcou os anos 2000.

O principal motivo para você ver The OC é a trilha sonora: puta que o pariu quanta música boa. Conheci várias bandas (entre elas The Killers e Death Cab for Cutie) por causa da série, que a partir da segunda temporada começa a narrar uma história que se passa em uma casa de shows. Além disso, é muito engraçado ver como as roupas que as meninas ricas usavam na época hoje em dia seriam muito cafonas (tipo as bolsinhas minúsculas da Louis Vuitton e os casaquinhos da Juicy).

As quatro temporadas já estão na Netflix. Boa maratona! 

Quadrilogia Napolitana

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Não tenho palavras pra descrever o meu amor por essa série de livros! Escrito pela Elena Ferrante, ela conta a história da amigas Lena e Lila, que se conheceram bem pequenas em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. O primeiro, “A Amiga Genial”, começa quando Lena, já adulta, recebe uma ligação do filho de Lila dizendo que a mãe desapareceu e levou embora qualquer vestígio da própria existência – fotos, roupas, objetos.

Então, Lena começa a narrar toda a história de vida delas com o objetivo de documentar a existência de Lila. O primeiro livro é focado na infância e no início da adolescência das duas e atualmente eu estou lendo “História do Novo Sobrenome”, a continuação de “A Amiga Genial”. Até o final do ano é para sair o terceiro volume da série e eu mal posso esperar para ler!

Também vale a pena ler um pouco sobre a polêmica decisão da autora em manter o anonimato. 

QF Indica #01

Hoje é dia de testar o mais novíssima sessão do Quase Famosas: QF indica. Aqui, nós basicamente vamos fazer um amontado de dicas de coisas que a gente leu, ouviu, viu, comprou, testou e gostou. Por ser algo novo aqui no blog, o feedback de vocês é muito importante! Vamos lá?

DePretas

Esses dias mesmo indiquei por aqui algumas youtubers maravilhosas, mas hoje conheci uma que ficou fora da lista: a Gabi Oliveira. Ela fala sobre temas sérios, especialmente sobre racismo, mas o jeitinho dela é tão especial e incrível que você fica no maior alto astral só de ouvir ela falando. E, melhor de tudo, falando coisas bem relevantes. Vá agora pro canal dela! (Mentira, termina de ler o post antes, mas depois vá lá)

Blonde, do Frank Ocean

Quem já era fã do Frank Ocean sabe o parto que foi pra sair esse álbum: ele confirmava uma data, surgiam rumores que estava quase lançando e… Nada! Em 2016 ele finalmente parou de nos iludir e veio com Blonde, que é amor do começo ao fim. Não consigo parar de ouvir!

Frank Ocean – ‘Nikes’ from DoBeDo Productions on Vimeo.

Bullet journal

Eu sou a desorganização em pessoa. Marco mais de um compromisso no mesmo dia e horário, esqueço de ir no médico, perco guias de exames, não consigo cumprir metas… Mas aí surgiu o bullet journal! Não vou entrar em detalhes porque precisaria de um post só pra isso, mas ele é uma espécie de agenda que você mesmo pode personalizar em qualquer caderno e adaptar de acordo com as suas necessidades. Aqui nesse post do Desancorando tem um passo a passo para você entender melhor.

Easy

Essa série da Netflix fala sobre amor e relacionamentos de uma forma bem natural e despretenciosa. Cada episódio é como se você estivesse vendo a vida de um dos seus amigos ou colegas de trabalho, por isso não espere grandes arcos de acontecimentos ou emoções hollywoodianas. Easy é como ver a vida passando na TV.

E vocês, o que recomendam pra gente? Digam nos comentários! 😉

As maravilhosas Karol Conka e Mc Carol em “100% feminista”

A funkeira carioca Mc Carol e a rapper curitibana Karol Conka divulgaram ontem nas redes sociais a parceria em uma música incrível!


“100% Feminista” é uma música produzida por Leo Justi e pelo Tropkillaz e tem tudo o que a gente gosta: rap, funk e girl power.

Não ouviu ainda? Pfvr, dá play aqui embaixo:

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Instagram: natalie.rosa

Crise de pânico não é amadorismo

Na última terça-feira (4 de outubro) estreou a primeira edição do Masterchef: Profissionais. Diferente dos programas anteriores, a produção só aceitou competidores que já estudaram ou trabalharam na área e isso refletiu logo nas primeiras provas: desafios mais complexos, provas com mais pressão.

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Durante uma das eliminatórias, a chef Paola Carosella percebeu que os competidores não dariam conta de fazer os dois menus a tempo e, então, chamou os melhores avaliados das provas anteriores (Ivo e Dário) para descer do mezanino e ajudar. Tudo naquele clima de correria, bagunça e gritaria que quem assiste o programa já conhece. A postura do Ivo acabou irritando a Izadora, uma das competidoras, a ponto de ela começar a chorar e perder completamente o ritmo da prova. Ela paralisou, não lembrava mais o que estava fazendo e teve dificuldade pra conseguir raciocinar.

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“Que amadorismo, todo mundo sabe que a pressão em cozinha de restaurante é assim”, muita gente disse no Twitter. Chamaram ela de amadora, incompetente, sensível demais, fraca, mimada. Já eu fiquei assistindo aquilo tudo com um sentimento familiar demais de quem já passou por isso. E isso não é amadorismo, não é frescura. É uma crise de pânico. E já aconteceu comigo no trabalho, no meio de um shopping lotado, em casa, no meio da rua vazia. Por muito menos, ou até mesmo por motivos que nem eu mesma conseguia compreender.

Engraçado que a internet que ficou jogando pedras na Izadora é a mesma que até alguns dias atrás estava postando textão sobre Setembro Amarelo e disponibilizando inbox para os amigos deprimidos desabafarem (tenho muitas críticas a esse tipo de “ajuda”, inclusive, mas isso é assunto para outro dia).

No fim das contas, a Izadora foi eliminada. Com razão, claro, ela não conseguiu ajudar a equipe durante a prova. Mas isso, de forma alguma, significa que ela seja fraca ou que ela não seja capaz.