O ano da saudade

A gente sempre brinca que o ano tá péssimo porque, convenhamos, é mais fácil sofrer coletivamente e chega a ficar engraçado o tanto de postagem sobre. Mas confesso que 2016 foi um ano denso, pesado e difícil demais. Tão difícil que me senti obrigada a colocar isso para fora.

É tão estranho porque eu mal vi o ano passar, mas ao mesmo tempo me peguei chocada ao perceber que já estamos em novembro. É isso, menos de dois meses da data de hoje e já vai ser 2017. E ao mesmo tempo que dá um alívio que esse ano vai terminar, bate um desespero de que o próximo seja ainda mais complicado.

Assim como eu gosto muito de montar a playlist com as melhores músicas do ano e também criar listas e mais listas contendo os melhores filmes e livros, também gosto de pensar que cada ano que passa meio que tem um tema, que ninguém definiu, apenas que se repetiu ao longo de 365 dias. 2015, por exemplo, foi um ano em que eu precisei ser absurdamente forte por uma série de razões, mas especialmente de saúde. E eu fui, cara, como eu fui. Mas eu fui tão forte que parece que esgotei a barrinha de energia e agora me sinto desmontando, aos poucos.

Se ano passado foi o ano da força, 2016 é o ano da saudade, definitivamente. Acho que nos meus 28 anos eu nunca senti tanta saudade de tanta gente ao mesmo tempo.

Eu odeio sentir saudade porque, em alguns casos, simplesmente não tem o que possa ser feito a respeito – tem vezes que a pessoa foi embora pra sempre e você nem teve a chance de se despedir. É uma saudade que não vai passar porque não existe forma de resolver isso.

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Tem outras em que a pessoa sumiu, desapareceu da sua vida depois de fazer parte da sua rotina diária, mas não está a muitos quilômetros de distância de você e o coração aperta porque parece tão fácil de se resolver, mas, ao mesmo tempo, não depende só de você.

Em 2016 eu perdi muito e muita gente que, honestamente, deixou um vazio dentro do peito. Teve dias em que me peguei chorando de desespero no chão do quarto, pensando comigo mesma que era isso, não tinha mais como sofrer porque tudo de ruim já havia acontecido e eu estava: errada. É claro que eu estava errada.

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E hoje eu percebi que tinha outra saudade dentro de mim. Acordei mas não senti vontade de levantar da cama. Olhei para as sombras da luz do dia que dançavam soltas no teto do quarto e senti uma saudade enorme. Tentei entender de quem eu estava sentindo falta assim. Não era da minha avó que foi embora antes que eu pudesse dar um abraço apertado – e disso vou me arrepender pro resto da vida. Não era do cara que ocupou o meu coração esse ano quase inteiro e que havia sumido do dia pra noite da minha vida. Não era do amigo que tá do outro lado do mundo, incomunicável e sabe-se lá até quando. Não, dessas pessoas e de mais um monte de gente, sinto falta 24 horas por dia. Dessa vez, eu estava sentindo falta de mim mesma.

Parece completamente ilógico sentir falta de você mesmo, eu sei. Mas foram tantas perdas e desencontros em tão pouco tempo que acabei me perdendo também. Sinto que ando uma companhia difícil de lidar porque parece que apagaram a luz aqui dentro, mas quem me conhece sabe: eu vou sair dessa. Enquanto isso sigo sentindo uma saudade que mal cabe dentro de mim.

Pela paciência e compreensão, eu agradeço e muito.

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