Precisamos falar sobre o puerpério

Olá, é a primeira vez que nos encontramos por aqui, então deixa eu me apresentar. Meu nome é Francine Lopes, tenho 27 anos, sou jornalista e mãe do Vitor de dois anos. Com o tempo vamos nos conhecer mais, será um prazer.

A intenção de usar esse espaço aqui no Quase Famosas é falar a real sobre maternidade. O que vemos nas nossas redes sociais são fotos, lindas, de amigos e familiares com seus bebês, ou quando encontramos alguém com criança está tudo bem, mas o dia a dia não é feito só desses momentos, pode apostar!

Muitas das coisas que passei e ainda vou passar na maternidade, gostaria que tivessem me falado. Por exemplo, que não é só o nosso sono que passa a ser cronometrado, mas as refeições, o banho, a troca de roupa… tudo, pelo menos até os 60 dias de vida do baby, tem o tempo determinado pelo neném. Não que isso seja ruim, é apenas questão de adaptação, uma difícil adaptação, confesso. Porém, não há nada mais recompensador que ser mãe.

Enfim, o primeiro tema que quero falar é sobre o puerpério, que no dicionário vem descrito como “período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação”. Ou seja, o pós-parto. Nesse momento o corpo da mulher passa por mudanças físicas e psíquicas, por isso requer uma atenção muito especial.

Uns dois meses antes dele nascer, uma amiga minha, de quase 20 anos de amizade, me disse que depois do nascimento do bebê alguns sentimentos meus poderiam não corresponder às expectativas. Porém, ela me deixou claro que só entenderia quando acontecesse, mas que era importante saber disso.

Ainda na maternidade, com dificuldade de fazer com que o Vitor pegasse o peito para mamar, ele precisou tomar um complemento para não perder peso, e foi só a enfermeira falar isso e pronto: desabei a chorar. Me senti culpada por não conseguir alimentar meu próprio filho e meu marido me abraçou tentando me consolar, pois a culpa não era minha, afinal nosso filho tinha só um dia de vida e estávamos nos conhecendo. No terceiro dia, quando ganhamos alta da maternidade, graças a minha queridíssima medica comecei a entender o que estava acontecendo. Ela disse que eu poderia sentir uma melancolia, vontade de chorar sem motivo, mas que tudo isso era normal durante alguns dias pois, durante a gestação, a placenta é responsável por produzir nossos hormônios e após o parto, com a retirada da placenta, nosso corpo fica sem produção de hormônios por alguns dias, o que acaba nos deixando mais sensíveis. Há mulheres, inclusive, que não sentem aquele amor imediato pelo filho e por isso se frustram, ou se sentem mal, mas pode acontecer nesse período.

Em casa, fiquei mais uns quinze dias sentindo essa vontade de chorar sem motivo. No começo meu marido ficou preocupado, mas foi passando e hoje damos risada juntos dos motivos pelos quais eu chorava. Lembro que era só minha mãe me perguntar se estava tudo bem que eu desabava a chorar, mas estava tudo bem haha.

Em resumo, os primeiros dias pareciam uma eternidade, porque meu filho chorava e eu ainda não sabia o que ele queria, minha rotina do dia para a noite mudou e tudo isso mexe com a gente, mas passa, é apenas uma fase. Para algumas mulheres é mais complicado, existem casos de depressão (de verdade) pós-parto, que às vezes é confundido com o puerpério. Depressão é uma coisa, é doença, é sério. O puerpério é outra, é uma fase delicada e que vai passar, tem que passar.

O mais importante de tudo é que nós precisamos falar mais sobre isso. Quem já é mãe, precisa falar como é, e quem não tem filho também pode falar o que sabe sobre o assunto. Os homens, seja o pai ou não, precisam compreender, respeitar e acolher essa mulher.  Empatia nunca é demais.

 

2 thoughts on “Precisamos falar sobre o puerpério

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