Crítica social foda

Você com certeza ouviu falar de ’13 Reasons Why’ se você faz parte do maravilhoso mundo das redes sociais. E não é pra menos, acho que todo mundo devia assistir a essa série porque ela é um mal necessário – porque acredite em mim, vai te fazer muito mais mal do que bem.

De forma bem resumida, a série fala sobre uma garota que se matou e deixou 13 fitas K7 contando quem foram os responsáveis por isso. Sim, é uma série sobre bullying, machismo e desrespeito e ela é difícil demais de assistir.

Ouvi muita gente dizer que essa é uma série muito adolescente, que é bobagem e acho que só é capaz de dizer algo assim quem praticou muito bullying e não tem coragem de admitir ou que não tem sensibilidade pra entender a importância disso tudo. E pra mim isso é um problema de proporções assustadoras.

O cenário pode ser o ensino médio de uma escola americana e os personagens principais são sim todos adolescentes. Mas, na verdade, a série fala sobre a forma como tratamos uns aos outros e como isso pode afetar as vidas de todo mundo. Muita gente fala que é besteira, que todo mundo passa por isso.

As pessoas são naturalmente maldosas, isso vale para todo mundo. Se você entrar em uma sala de jardim de infância vai perceber o quanto as crianças são más e é para isso, em teoria, que existe a educação.  Só que o bullying, o desrespeito, o preconceito não terminam quando o colégio acaba. E não terminam porque as pessoas saem quase sempre impunes de situações assim.

“Tudo bem você chamar alguém de gordo, tudo bem você chamar alguém de puta, de vagabunda. Tudo bem você chamar alguém com descendência asiática de japa, dizer que tem o pinto pequeno. Tudo bem você chamar alguém negro de macaco, tudo bem chamar alguém com descendência árabe de terrorista”. Tudo bem?! Não! Não pode ser que isso seja normal, mas as pessoas agem como se isso fosse só uma brincadeira, como se isso não tivesse efeito algum nas pessoas.

Ninguém sabe e nem nunca vai saber como é estar na pele de outra pessoa. Não tem como saber pelo que o outro passa, como é a vida da pessoa, os problemas dela, as delícias e os medos. Mas sabe, existe empatia, tem que existir sempre. Tá todo mundo junto nesse mundo de merda e ninguém tá preparado pra nada, o mínimo que a gente tinha que fazer é se respeitar. Não é nem questão de ser uma boa pessoa, é questão de ser humano mesmo.

Na série, a personagem principal passa por vários episódios de assédio e machismo. Ela é tratada feito lixo por vários caras – e essa é a realidade da maioria das minha amigas e inclusive minha. Quando ela encontra um moço legal, o trauma é tão grande, tão dolorido, que ela não consegue deixar de ver ele como todos os outros caras. Isso é um exemplo de como esse tipo de coisa não acontece e simplesmente passa. Esse sentimento fica, pesa, muda a forma como vemos a nós mesmos.

E pode ser que você seja uma pessoa ótima e sensata, que não julga ninguém e nem tem preconceitos (inclusive me adiciona se você for). Mas ver alguma coisa errada acontecendo e não fazer nada, é tão parte do problema quanto. É uma questão de ser próximo das pessoas também, próximo a ponto de conseguir entender quando alguém não está bem. Você pode até não entender o que ela está passando, mas você pode sempre ajudar.

Minha mãe, maravilhosa que é, tem uma regra de ouro e eu acho que talvez seja uma das coisas mais importantes que ela me ensinou: nunca faça para ou outros o que você não gostaria que fizessem para você.

Tudo que a gente fala para os outros afeta de alguma forma, seja ela positiva ou negativa. Então se tiver que falar algo, que seja um elogio – não custa nada e pode mudar o dia de alguém. Eu acho que gentileza é a coisa mais atraente que alguém pode ter.

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