Responsabilidade afetiva: é justo culpar o outro pelo o que você sente?

A expressão é recente e o tema é polêmico: responsabilidade afetiva. Por se tratar de algo muito novo, não existe nenhuma definição no dicionário para explicar esse termo tão usado nos últimos tempos, mas responsabilidade afetiva significa, basicamente, que você deve agir com transparência e respeito em todas as suas relações, seja ela de amizade, namoro ou até mesmo com quem é apenas uma fodinha casual.

Me parece muito razoável exigir essa tal de responsabilidade afetiva das pessoas, afinal de contas todo mundo merece honestidade e consideração. Um exemplo simples: uma pessoa que trai em uma relação monogâmica tinha um “contrato” com outra pessoa e quebrou. É justo a chateação da pessoa traída? Ora, claro que sim! Agora, vamos supor que as duas pessoas estejam em uma relação aberta e o mesmo acontece. O “contrato” é outro, certo? Se as duas pessoas estão agindo dentro do que elas combinaram e uma delas se magoa, ela é responsável por aquilo que ela sentiu – afinal, ninguém agiu de má fé ali.

Eu sou responsável por tudo que sinto

Sim, é importante que você exija uma comunicação clara e respeitosa em todas as suas relações, mas o problema é achar que responsabilidade afetiva significa que outras pessoas são culpadas por aquilo que você está sentindo. Vamos supor, se você está ficando com alguém – sem promessa de monogamia – e a outra pessoa fica com outra pessoa, é mesmo culpa dela ou foi você que criou expectativas? É claro que você pode justificar falando que a pessoa deu sinais, te iludiu e o caralho a quatro, mas será que você não pode ter interpretado as coisas da forma errada?

É muito importante entender que a gente precisa exigir respeito nas relações, mas não podemos confundir isso com esperar que a pessoa atenda a todas as nossas expectativas – especialmente se você não verbalizou o que você espera dessa pessoa. E, mais fácil do que responsabilizar todos ao nosso redor pelos nossos sentimentos negativos, é entender que o que as pessoas fazem conosco pode ser uma escolha delas, mas o que a gente faz a partir disso é responsabilidade completamente nossa.

Amor próprio salva

Que lindo seria o mundo se todas as pessoas fossem honestas, se respeitassem e tivessem cuidado e carinho por todos ao redor. Seria, claro, mas o mundo real não funciona assim. Durante a sua vida você vai esbarrar com pessoas incríveis, pessoas muitos babacas e, principalmente, pessoas que não são santas nem demônios, mas que estão fazendo o melhor que elas podem naquele momento e, infelizmente, às vezes magoam uma ou outra pessoa sem querer.

O segredo é você buscar desenvolver o seu amor próprio e entender que seus sentimentos e sua vida não podem ser reféns de outras pessoas – é um peso muito grande você colocar a responsabilidade pela sua felicidade nas costas de outra pessoa que não seja você mesma(o).

E agora, você vai passar a vida inteira culpando pessoas ou vai se fortalecer para não cair nas mesmas conversas e nos mesmos erros? 

Coloque-se SEMPRE em primeiro lugar

OBS: gostaria de deixar claro que a reflexão foi feita pensando em situações que envolvem falta de comunicação entre as partes. De forma alguma quero minimizar o sofrimento de pessoas que passaram por relações abusivas e colocar a culpa na vítima. A caixa de comentários tá aí para a gente continuar discutindo o tema – com muito respeito, claro!

1 thought on “Responsabilidade afetiva: é justo culpar o outro pelo o que você sente?

  1. Boa, Mia! Gostei. Concordo. Você exemplificou com assuntos de relacionamentos “novos” ou “informais”ainda, mas eu vejo isso acontecer frequentemente em relacionamentos bem longos, casamentos, e também entre amigos, mães e filhos, no trabalho, etc. Inclusive é a razão do sofrimento de muuuita gente por aí. Acho que isso é algo cultural inclusive, principalmente no relacionamento amoroso, gerando cobranças, por exemplo. Só estou confirmando o que você escreveu… A questão é a pessoa ser consciente de que ela e exclusivamente ela é responsável pelo que ela sente, independente de qualquer estímulo que gerou o sentimento. Estímulos não faltam. O mundo tá aí, coisas acontecem, a justiça nem sempre é justa, Deus (ou seja lá o que for) nem sempre faz acontecer como a gente quer, pessoas são “ruins” ou apenas pensam diferente e estão por ai… Nós é que temos que ter autonomia e consciência dos nossos sentimentos e não deixar eles nas mãos de outros. E isso vale para todas as partes! Em qualquer relação, quando as pessoas têm essa consciência, tudo parece mais leve, não é mesmo?

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