Amora: substantivo feminino

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Há alguns dias terminei a leitura de Amora, livro de contos da escritora Natalia Polesso.  Confesso que meu encontro com o livro foi de início pelo nome, Amora. Amor no feminino. Uma das minhas frutas preferidas também. Cativada por esse título, fui em busca de algo que me descrevesse o livro, mas sem spoiler.

Em síntese, o livro está dividido em duas partes: “Grandes e Sumarentas” – 22 contos e “Pequenas e Ácidas” – 11 contos, totalizando 33 contos de temática lésbica.  Interessante, mas não por isso.  Até porque o livro não é sobre homoafetividade, esse é apenas um “detalhe”.  O livro fala dos amores, das descobertas, dos encontros, das despedidas… da vida.

Eis que fui até a livraria e lá encontrei o livro, meio ao acaso. Um projeto editorial lindo, com direito a capa dura e tudo.  Não resisti, mesmo com a fila de leituras que me persegue, comprei-o ignorando a ordem de leitura e fui conhecer Amora. Agora estou aqui, escrevendo sobre essa coletânea incrível.

Amora é daqueles livros com os quais você certamente se identificará em algum momento. Seja com alguma história ou personagem. Os contos tem isso, de nos encontrarem. É daquelas leituras em que você se pega rindo sozinha, dá aquela olhadinha para o lado, para ver se ninguém no café percebeu o seu riso, mas quando vê, está novamente gargalhando sozinha. A escritora permeia seus contos com humor, sarcasmo e no meio disso tudo, inúmeros conflitos internos, e, claro, amores. Quem não tem o seu?

São Contos, oras. Concisos, mas nem por isso menores. Natália traz as descobertas, as angústias, as alegrias e os silêncios das relações em suas histórias. Repleto de sensações e sentimentos que atravessam as suas diversas personagens, femininas. Ela traz mulheres que amam mulheres, e isso é muito bacana, termos protagonistas mulheres. Por muito tempo eu escrevi minhas histórias trocando meus casais lésbicos por héteros e, lendo o livro, me senti uma completa idiota. É um livro de amor e não que esse seja romântico, pois muitas vezes a morte pode ser um puta-ato-de-amor. Já pensou nisso? Leia Carta a D., do Gorz e me entenderá. Voltando ao livro, esse é o amor visto por diferentes prismas, desde a doçura e ingenuidade do amor adolescente, a velhice ao lado de quem se ama, e isso não depende de gênero, entende? Ao terminar a leitura, se você é gay, terá a percepção de que a autora conhece bem o universo sobre o qual escreve, o que permite esse encontro mais próximo, para essa parte do público.

A escrita de Natália é delicada e ao mesmo tempo um soco no estômago.

É feminina, porra!

Bom, todas essas palavras, um quanto que confusas, foram apenas uma tentativa em te indicar uma leitura esta semana. Se meu humilde post não te convenceu a ler o livro, fica aqui o registro de que ele levou dois prêmios no Jabuti, o 1º Lugar em Contos e Crônicas e também o troféu de Escolha do Leitor.

 

 

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

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