Antes do meu filho, eu era a mãe perfeita

Às vezes eu paro para pensar: como é difícil ser a mãe que eu era antes de ter filho. Para começar, meu filho não ia precisar de chupeta. O ambiente em casa é tranquilo, logo ele seria um bebê tranquilo, mas não contava com a cólica. Quando ele chorou a primeira vez desesperado de dor, não tive dúvidas, ainda na maternidade pedi para que meu marido passasse numa farmácia e comprasse uma chupeta. Foram três modelos diferentes, até achar a que ele gostou. Uffa! Hoje ele está com 2 anos e 1 mês, continua com a chupeta (me condenem) e tenho planos de tirar depois do desfralde (siiim, ele ainda usa fraldas).

O segundo baque foi quando percebi que não tinha toda paciência do mundo para a exausta rotina de uma mãe-bebê recém-nascidos.  Gente, é surreal a carga de emoções e obrigações que surgem ao mesmo tempo. Me senti a pior mãe do mundo quando, depois de amamentar, fazer arrotar, trocar fralda, colocar para dormir, lavar louça, varrer o chão, passar pano, lavar roupa, entre outros afazeres da casa, eu sentava para comer, ver meu celular ou qualquer outra coisa e ele acordava. Sentia um gelo na barriga do tipo, não pode ser, não acredito que já acordou e eu nem fiz xixi, não tirei o pijama e do trajeto de onde eu estava até ele eu ia pensando “que saco, poxa só queria um minuto em paz”. Mas aí, era só chegar e ver aqueles olhinhos implorando um colinho, um chamego e ao mesmo que tudo passava, a culpa invadia a alma. Como é que pude pensar isso de um bebê? Isso acontece até hoje por inúmeros motivos.

Eu sempre gostei de cozinhar, nada gourmet, coisa simples mesmo. Mas isso, até a introdução alimentar. Como é difícil dar papinhas variadas (porque não pode repetir os legumes). Perdi o gosto pela cozinha em dois meses, haha. Me esforço ao máximo, mesmo, para que o Vitor tenha a melhor alimentação possível, mas tem dias que chega da escola e come pão, que ele adora, que o lanche da tarde é um bolo de chocolate, que ele não tá afim de comer e o almoço é um mamá. E mais uma vez, a danada da culpa invade a alma.

Mas aí a campeã de todas é a TV. Imagina que antes de engravidar meu filho iria assistir televisão antes dos dois anos. Nossa, eu pesquisava brincadeiras e atividades para passar o tempo com ele. Podem dar gargalhada. Com seis meses, quando voltei a trabalhar, e precisava trabalhar um tempo em casa, ele assistia TV porque eu precisava que ele se distraísse. E assim estamos até hoje. Ele assiste quando pede, assiste quando preciso fazer algo, assiste quando estou cansada, assiste porque assiste e pronto. E não, não sou a pior mãe do mundo por causa disso, apesar de me sentir assim às vezes.

Poderia passar horas escrevendo sobre coisas que jamais faria antes de ter filhos, mas com o tempo e conversando com outras mães, a gente começa a lembrar que é humana. Precisamos nos permitir mais, acreditar mais nas nossas escolhas e decisões como mães e mulheres. É insano querer acompanhar tudo que chega para a gente referente a maternidade.  Cada uma tem o seu jeito, sua rotina, suas crenças e hábitos. Você, e SÓ você, sabe o que é melhor para você e seu filho, e isso é o que basta.

Ainda tenho muito a melhorar, mas hoje já me permito deixar a casa bagunçada e ir brincar com ele, deixá-lo em alguma vovó e sair com o pai, deitar no tapete da sala e ver desenho junto (isso dura uns 3 minutos haha) sem me culpar pelo o que eu deveria estar fazendo ou não.

Na foto estou feliz da vida vendo o Vitor comer seu primeiro brigadeiro. Ele estava com 1 ano e 9 meses, mas e daí? Olha a carinha de delícia dele!

Foto: Marina Ferraresi Freiberger

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