Eu no Tinder

:: Você levará 3 minutos para saber como essa experiência terminou::

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Rompi um noivado ano passado. Rompi um noivado cerca de 15 dias antes do casamento. Rompi um noivado e foi a melhor coisa que eu fiz da vida. Não foi fácil. Rompi um noivado e isso implica em estar solteira desde então. SOLTEIRA. Rompi um noivado e tive que ouvir: “Por quê ele te deixou?”. Rompi um noivado e tenho que lidar com a sociedade me dizendo que sou um  fracasso, pois não tenho um par, principalmente por já ser quase uma balzaquiana. 

 

Solteira. Isso ecoa como um mantra. Confesso que a mim esse status não é comum. Sou uma pessoa de relacionamentos duradouros. Não me lembro das vezes em que fiquei sozinha por muito tempo e, talvez por isso, eu esteja tão incomodada. Se me toca, me entrego. Não existe regra, pode levar um ano ou trinta minutos de conversa. É raro, mas acontece.

 

Eis que, logo eu que sempre tive o maior preconceito com esses aplicativos, estava lá selecionando fotos e quebrando a cabeça na “descrição”.  Afinal, como uma pessoa que não bebe, não gosta de sair e vive para o trabalho, vai tropeçar com o amor-da-vida (até que acabe)?

 

App instalado. Durou 3 dias, me senti ridícula, deletei. Voltei. Deletei. Voltei. Segui por mais uns 15 dias. Aquele processo de escolher o livro pela capa, deslizando o dedinho, muito para a esquerda e pouco para a direita.

 

Meu saldo:

 

– Vários match e nenhuma disposição em iniciar a conversa.

Confesso, tenho preguiça.

 

– Várias conversas que não passaram do “oi, tudo bem?”.

Desculpa, mas eu não tenho a mínima disposição para chat uol.

 

– Tantas outras conversas que se esvaíram em um dia.

Como é que se mantém elas?

 

– Um rapaz louco que não conseguia compreender um “Não estou afim”

Ao final, apenas um bloqueio para solucionar a insistência.

 

– Uma mensagem que no lugar do “oi” veio com “sexo hoje?!”.

Minha resposta: “sim, desde que não seja com você”. Não sei lidar, sorry! Ainda que várias pessoas tenham me dito que o Tinder era um app para sexo casual, queria provar o contrário.

 

– Sai com uma menina no dia do seu aniversário.

Ela era nova na cidade e achei que poderia ser interessante. Nada encantador e que morreu em dias de não conversas.

 

– Sai com um rapaz que eu já conhecia.

O encontro não foi nada além de uma conversa exaustiva, afinal, eu falo-pra-caralho e não senti aquele “toque”. Acho que ele já não aguentava aquele blá blá blá todo e fui embora, como sempre, me desculpando pela fala em excesso.

 

– Tive uma conversa empolgante sobre dicas literárias com um historiador bonitinho.

Não passou de um encontro fantástico e algumas mensagens durante a semana. Ele era daquelas pessoas que você quer por perto, sabe como? Que te inspiram.

 

– Várias meninas procurando outras meninas para “ménage”.

Isso é um porre.

 

– Várias mensagens do tipo “como suas tatuagens são legais, quantas são?”

 zzZZzzZZZZzz

 

– Encontrar  ex-namorada no app.

Medo.

 

– Perceber que “porra-eu-to-velha”

18 -20 anos dominam no jogo.

 

– Oi, você lembra de mim? Já tomamos um café há uns 6 anos atrás.

Surpresas da vida.

 

– Encontrei uma menina do app na fila do banheiro de uma cafeteria que me abordou dizendo “- oi, você não é a menina dos 4 instagram?”.

Óbvio que eu não lembrava da menina e, óbvio, que a pergunta me fez questionar o porquê eu ter 4 contas de IG.

 

– Percebi que as mulheres dão um show no app (e na vida). 
Era engraçado, porque eu deixava habilitada a função “homens e mulheres” e em 5 min eu já tirava os caras da seleção.

 

 

Enfim, app deletado e vida que segue.

 

Relacionamentos são investimento. De tempo, principalmente. O Bauman já explicou tudo, mas a gente sempre quer testar, comprovar se é assim mesmo. E, vamos dizer, o processo de inserir uma nova pessoa na nossa vida dá um puta trabalho. Eu não tenho e nunca tive disposição em impressionar, em conquistar. Não sei flertar, não sei. Gosto quando tudo, simplesmente, acontece. Então: serendipity.

 

No lugar no Tinder, cheio de foto de gente bonita e discursos ensaiados, me entreguei, mais uma vez, aos meus livros. Resgatei projetos da gaveta, voltei a estudar e sigo em paz. No lugar da conchinha na hora de ir para cama, optei pelos meus cachorros dormindo comigo, ignorando todos os pelos e falta de conforto ao dormir.

 

A verdade é que nesse meio tempo, conheci algumas pessoas incríveis. Pessoas pelas quais eu me apaixonaria, ou me apaixonei e ignorei, preferindo estar SOLTEIRA. Prefiro o Tinder real, do encontro e sem as “entrevistas-ensaiadas”.

 

Parei de procurar o amor, ele que me encontre.

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

6 thoughts on “Eu no Tinder

  1. Descreveu minha sensação. Poucos os match que resultam em um encontro e poucos encontros que geram boas conversas; no geral, entrevistas estilo chat uol _ melhor definição.

  2. Muita gente julga os apps. Encontrei meu namorado no Tinder e estamos juntos já faz 1 ano. Tem muita gente vazia, que só quer sexo, que não quer nada… Não ė assim na vida?

  3. Todo mundo uma hora entra no Tinder..nem que seja só para ver a pira. Gosto de escolher o livro pela capa e desvendar o conteudo.

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