Bem vindos ao nosso novo mundo

Ser mãe pra mim é a realização de um sonho. Desde que me conheço por gente sonhava isso e só depois de ter o meu filho consegui entender o porquê (se é que precisa explicar esse tipo de coisa). O principal motivo, é que queria sentir e dar esse amor incondicional que a maternidade proporciona na relação mãe e filho. Mas, na mesma intensidade (não proporção) que esse amor invade nossa vida, outras coisas não tão boas surgem junto.

Quando estamos com as crianças as coisas parecem fluir em outro tempo, outro ritmo. No começo são as madrugadas intermináveis, trocas de fralda, mamá esse ciclo sem fim. Haha Depois vem a introdução alimentar, o desfralde, a escola, as primeiras palavras (não necessariamente nessa ordem) tudo isso vai surgindo, a gente não se dá conta que o mundo do “lado de lá” continua e quando percebemos, tudo está diferente.

Algumas pessoas não estão mais no mesmo lugar, outras coisas perdem a graça e isso assusta um pouco.

Quando finalmente surge um tempo livre, paro para pensar no que quero fazer, quem gostaria de ver e essa decisão se resume, geralmente, no quão dispostos os outros estão para estar comigo. Aqui bate a realidade.  E isso falo de amigos, desde os mais próximos até os nem tanto assim, e também dos familiares.

Mas não estou aqui culpando ninguém e muito menos reclamando da minha vida. Apenas quero expor um sentimento que tenho certeza não é só meu, e eximir uma culpa que não sei porque nós, pais, achamos que é nossa.

Pois isso mamães, amigos e amigas de mamães (e dos papais também viu gente) entendam que há sim um período em que a nossa família ficará mais reservada, no entanto a mãe e o pai continuam sendo aqueles bons de papo, que gostam de uma festa, reunião com amigos, jogar conversa fora, etc. Eles só estão um pouco diferentes, é verdade, mas numa versão melhorada. Temos um novo mundo para apresentar para vocês, e queremos fazer isso.

 

 

Antes do meu filho, eu era a mãe perfeita

Às vezes eu paro para pensar: como é difícil ser a mãe que eu era antes de ter filho. Para começar, meu filho não ia precisar de chupeta. O ambiente em casa é tranquilo, logo ele seria um bebê tranquilo, mas não contava com a cólica. Quando ele chorou a primeira vez desesperado de dor, não tive dúvidas, ainda na maternidade pedi para que meu marido passasse numa farmácia e comprasse uma chupeta. Foram três modelos diferentes, até achar a que ele gostou. Uffa! Hoje ele está com 2 anos e 1 mês, continua com a chupeta (me condenem) e tenho planos de tirar depois do desfralde (siiim, ele ainda usa fraldas).

O segundo baque foi quando percebi que não tinha toda paciência do mundo para a exausta rotina de uma mãe-bebê recém-nascidos.  Gente, é surreal a carga de emoções e obrigações que surgem ao mesmo tempo. Me senti a pior mãe do mundo quando, depois de amamentar, fazer arrotar, trocar fralda, colocar para dormir, lavar louça, varrer o chão, passar pano, lavar roupa, entre outros afazeres da casa, eu sentava para comer, ver meu celular ou qualquer outra coisa e ele acordava. Sentia um gelo na barriga do tipo, não pode ser, não acredito que já acordou e eu nem fiz xixi, não tirei o pijama e do trajeto de onde eu estava até ele eu ia pensando “que saco, poxa só queria um minuto em paz”. Mas aí, era só chegar e ver aqueles olhinhos implorando um colinho, um chamego e ao mesmo que tudo passava, a culpa invadia a alma. Como é que pude pensar isso de um bebê? Isso acontece até hoje por inúmeros motivos.

Eu sempre gostei de cozinhar, nada gourmet, coisa simples mesmo. Mas isso, até a introdução alimentar. Como é difícil dar papinhas variadas (porque não pode repetir os legumes). Perdi o gosto pela cozinha em dois meses, haha. Me esforço ao máximo, mesmo, para que o Vitor tenha a melhor alimentação possível, mas tem dias que chega da escola e come pão, que ele adora, que o lanche da tarde é um bolo de chocolate, que ele não tá afim de comer e o almoço é um mamá. E mais uma vez, a danada da culpa invade a alma.

Mas aí a campeã de todas é a TV. Imagina que antes de engravidar meu filho iria assistir televisão antes dos dois anos. Nossa, eu pesquisava brincadeiras e atividades para passar o tempo com ele. Podem dar gargalhada. Com seis meses, quando voltei a trabalhar, e precisava trabalhar um tempo em casa, ele assistia TV porque eu precisava que ele se distraísse. E assim estamos até hoje. Ele assiste quando pede, assiste quando preciso fazer algo, assiste quando estou cansada, assiste porque assiste e pronto. E não, não sou a pior mãe do mundo por causa disso, apesar de me sentir assim às vezes.

Poderia passar horas escrevendo sobre coisas que jamais faria antes de ter filhos, mas com o tempo e conversando com outras mães, a gente começa a lembrar que é humana. Precisamos nos permitir mais, acreditar mais nas nossas escolhas e decisões como mães e mulheres. É insano querer acompanhar tudo que chega para a gente referente a maternidade.  Cada uma tem o seu jeito, sua rotina, suas crenças e hábitos. Você, e SÓ você, sabe o que é melhor para você e seu filho, e isso é o que basta.

Ainda tenho muito a melhorar, mas hoje já me permito deixar a casa bagunçada e ir brincar com ele, deixá-lo em alguma vovó e sair com o pai, deitar no tapete da sala e ver desenho junto (isso dura uns 3 minutos haha) sem me culpar pelo o que eu deveria estar fazendo ou não.

Na foto estou feliz da vida vendo o Vitor comer seu primeiro brigadeiro. Ele estava com 1 ano e 9 meses, mas e daí? Olha a carinha de delícia dele!

Foto: Marina Ferraresi Freiberger

Amamentação como uma variação do verbo amar

No primeiro post falei da dificuldade em fazer meu filho pegar o peito nos primeiros dias de vida dele e meus como mãe. Logo que me trouxeram ele no quarto e o colocaram no meu peito, ele pegou e mamou gostoso o colostro (líquido que desce antes do leite). Porém, nas mamadas seguintes foi uma dificuldade só.

Nos três dias que passei na maternidade consegui amamentar muito pouco, a pega estava difícil, mas o que mais me incomodava era a pressão dos que estavam em volta. Cada hora era alguém que estava junto e no intuito de nos ajudar acabavam me deixando nervosa e consequentemente meu pequeno também.

No livro A Maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman (Aliás, muito bom. Estou lendo e será assunto de um post futuro) ela diz que todas as mães podem amamentar seus filhos. Que não é questão de técnicas, posições, etc., mas sim de amor. “Amamentar nosso filho será simples se nos dermos conta de que é semelhante a fazer amor: no princípio precisamos nos conhecer. E isso se consegue melhor sozinhos, sem pressa ”

Aprendi isso na prática. No dia em que tivemos alta da maternidade, a mistura de sentimentos era incrível. Feliz em poder ir para casa com meu pequeno, mas ao mesmo tempo com medo de como seria a vida sem todo o apoio que recebi na maternidade.  Mas é em casa, que de fato as coisas começam a acontecer.

Na primeira tentativa, no mesmo dia, em que estávamos SÓ eu e ele, no nosso cantinho, silêncio, olho no olho, sem pitacos e dicas, nós nos acertamos. Ele conseguiu pegar, eu consegui segurar ele e o peito, foi lindo! Nos demos tão bem que não tive problema nenhum com bico rachado (usei uma bucha vegetal durante a gestação para engrossar e evitar a rachadura), mastite ou qualquer outro problema.

Minha dica: tenha calma e paciência, você e seu filho (a) estão aprendendo juntos. Tudo que é feito com amor e carinho, flui.

 

 

Precisamos falar sobre o puerpério

Olá, é a primeira vez que nos encontramos por aqui, então deixa eu me apresentar. Meu nome é Francine Lopes, tenho 27 anos, sou jornalista e mãe do Vitor de dois anos. Com o tempo vamos nos conhecer mais, será um prazer.

A intenção de usar esse espaço aqui no Quase Famosas é falar a real sobre maternidade. O que vemos nas nossas redes sociais são fotos, lindas, de amigos e familiares com seus bebês, ou quando encontramos alguém com criança está tudo bem, mas o dia a dia não é feito só desses momentos, pode apostar!

Muitas das coisas que passei e ainda vou passar na maternidade, gostaria que tivessem me falado. Por exemplo, que não é só o nosso sono que passa a ser cronometrado, mas as refeições, o banho, a troca de roupa… tudo, pelo menos até os 60 dias de vida do baby, tem o tempo determinado pelo neném. Não que isso seja ruim, é apenas questão de adaptação, uma difícil adaptação, confesso. Porém, não há nada mais recompensador que ser mãe.

Enfim, o primeiro tema que quero falar é sobre o puerpério, que no dicionário vem descrito como “período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação”. Ou seja, o pós-parto. Nesse momento o corpo da mulher passa por mudanças físicas e psíquicas, por isso requer uma atenção muito especial.

Uns dois meses antes dele nascer, uma amiga minha, de quase 20 anos de amizade, me disse que depois do nascimento do bebê alguns sentimentos meus poderiam não corresponder às expectativas. Porém, ela me deixou claro que só entenderia quando acontecesse, mas que era importante saber disso.

Ainda na maternidade, com dificuldade de fazer com que o Vitor pegasse o peito para mamar, ele precisou tomar um complemento para não perder peso, e foi só a enfermeira falar isso e pronto: desabei a chorar. Me senti culpada por não conseguir alimentar meu próprio filho e meu marido me abraçou tentando me consolar, pois a culpa não era minha, afinal nosso filho tinha só um dia de vida e estávamos nos conhecendo. No terceiro dia, quando ganhamos alta da maternidade, graças a minha queridíssima medica comecei a entender o que estava acontecendo. Ela disse que eu poderia sentir uma melancolia, vontade de chorar sem motivo, mas que tudo isso era normal durante alguns dias pois, durante a gestação, a placenta é responsável por produzir nossos hormônios e após o parto, com a retirada da placenta, nosso corpo fica sem produção de hormônios por alguns dias, o que acaba nos deixando mais sensíveis. Há mulheres, inclusive, que não sentem aquele amor imediato pelo filho e por isso se frustram, ou se sentem mal, mas pode acontecer nesse período.

Em casa, fiquei mais uns quinze dias sentindo essa vontade de chorar sem motivo. No começo meu marido ficou preocupado, mas foi passando e hoje damos risada juntos dos motivos pelos quais eu chorava. Lembro que era só minha mãe me perguntar se estava tudo bem que eu desabava a chorar, mas estava tudo bem haha.

Em resumo, os primeiros dias pareciam uma eternidade, porque meu filho chorava e eu ainda não sabia o que ele queria, minha rotina do dia para a noite mudou e tudo isso mexe com a gente, mas passa, é apenas uma fase. Para algumas mulheres é mais complicado, existem casos de depressão (de verdade) pós-parto, que às vezes é confundido com o puerpério. Depressão é uma coisa, é doença, é sério. O puerpério é outra, é uma fase delicada e que vai passar, tem que passar.

O mais importante de tudo é que nós precisamos falar mais sobre isso. Quem já é mãe, precisa falar como é, e quem não tem filho também pode falar o que sabe sobre o assunto. Os homens, seja o pai ou não, precisam compreender, respeitar e acolher essa mulher.  Empatia nunca é demais.