Responsabilidade afetiva: é justo culpar o outro pelo o que você sente?

A expressão é recente e o tema é polêmico: responsabilidade afetiva. Por se tratar de algo muito novo, não existe nenhuma definição no dicionário para explicar esse termo tão usado nos últimos tempos, mas responsabilidade afetiva significa, basicamente, que você deve agir com transparência e respeito em todas as suas relações, seja ela de amizade, namoro ou até mesmo com quem é apenas uma fodinha casual.

Me parece muito razoável exigir essa tal de responsabilidade afetiva das pessoas, afinal de contas todo mundo merece honestidade e consideração. Um exemplo simples: uma pessoa que trai em uma relação monogâmica tinha um “contrato” com outra pessoa e quebrou. É justo a chateação da pessoa traída? Ora, claro que sim! Agora, vamos supor que as duas pessoas estejam em uma relação aberta e o mesmo acontece. O “contrato” é outro, certo? Se as duas pessoas estão agindo dentro do que elas combinaram e uma delas se magoa, ela é responsável por aquilo que ela sentiu – afinal, ninguém agiu de má fé ali.

Eu sou responsável por tudo que sinto

Sim, é importante que você exija uma comunicação clara e respeitosa em todas as suas relações, mas o problema é achar que responsabilidade afetiva significa que outras pessoas são culpadas por aquilo que você está sentindo. Vamos supor, se você está ficando com alguém – sem promessa de monogamia – e a outra pessoa fica com outra pessoa, é mesmo culpa dela ou foi você que criou expectativas? É claro que você pode justificar falando que a pessoa deu sinais, te iludiu e o caralho a quatro, mas será que você não pode ter interpretado as coisas da forma errada?

É muito importante entender que a gente precisa exigir respeito nas relações, mas não podemos confundir isso com esperar que a pessoa atenda a todas as nossas expectativas – especialmente se você não verbalizou o que você espera dessa pessoa. E, mais fácil do que responsabilizar todos ao nosso redor pelos nossos sentimentos negativos, é entender que o que as pessoas fazem conosco pode ser uma escolha delas, mas o que a gente faz a partir disso é responsabilidade completamente nossa.

Amor próprio salva

Que lindo seria o mundo se todas as pessoas fossem honestas, se respeitassem e tivessem cuidado e carinho por todos ao redor. Seria, claro, mas o mundo real não funciona assim. Durante a sua vida você vai esbarrar com pessoas incríveis, pessoas muitos babacas e, principalmente, pessoas que não são santas nem demônios, mas que estão fazendo o melhor que elas podem naquele momento e, infelizmente, às vezes magoam uma ou outra pessoa sem querer.

O segredo é você buscar desenvolver o seu amor próprio e entender que seus sentimentos e sua vida não podem ser reféns de outras pessoas – é um peso muito grande você colocar a responsabilidade pela sua felicidade nas costas de outra pessoa que não seja você mesma(o).

E agora, você vai passar a vida inteira culpando pessoas ou vai se fortalecer para não cair nas mesmas conversas e nos mesmos erros? 

Coloque-se SEMPRE em primeiro lugar

OBS: gostaria de deixar claro que a reflexão foi feita pensando em situações que envolvem falta de comunicação entre as partes. De forma alguma quero minimizar o sofrimento de pessoas que passaram por relações abusivas e colocar a culpa na vítima. A caixa de comentários tá aí para a gente continuar discutindo o tema – com muito respeito, claro!

You should go and love yourself

Eu não lembro da primeira vez que alguém me disse que eu era feia. Não lembro também da primeira vez em que me senti feia. Desde que me entendo por gente eu tive essa sensação de me sentir inadequada, inferior.  E ter sido uma criança gorda, claro, contribuiu muito para que isso acontecesse.

Antes dos dez anos eu já tinha conhecido o Vigilantes do Peso. Lembro nitidamente de quando minha mãe me levou para o nutricionista e ele usou a expressão obesidade infantil para descrever meu caso. Em uma sociedade que considera gordos repugnantes, eu voltei para casa e só conseguia sentir ódio de tudo aquilo que eu era.

Desde muito pequena fiz dieta. Ouvia insultos das meninas mais velhas na aula de jazz e me perguntava o que tinha de tão errado comigo para ter nascido nesse corpo tão nojento. Queria ser como a menina magra, branca, de olhos azuis que todos os alunos e professores elogiavam. A mim restavam duas opções: ser odiada ou ser ignorada. Comecei a me esforçar para estar sempre na segunda categoria.

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Já tentei passar o dia inteiro sem comer e me odiei quando não consegui. Já tentei forçar o vomito depois de comer o que as pessoas chamam de “gordice”, afinal a palavra gorda está sempre associada a coisas ruins, nojentas, repugnantes. Já tomei laxante pra tentar emagrecer. Já tomei água até quase vomitar para tentar enganar a fome. Já dormi rezando para que minha alma fosse magicamente parar em um corpo que fosse amado.

Quando eu tirei o siso e passei alguns dias em uma dieta líquida, emagreci. “Como você tá linda!’, me falaram no colégio. “Tirar o siso te fez bem”, elogiaram meus familiares. E assim eu entendi que eu poderia continuar comendo pouco até ficar mais e mais magra. Era ano de vestibular, eu tinha terminado um namoro e acordava triste todos os dias.

A cada quilo a menos eu me tornava mais interessante para as pessoas ao meu redor. Meninos que nunca olharam para mim começaram a me notar, as meninas populares passaram a me tratar com respeito. Eu passei a viver de sopa de pacote, alface e peito de frango. Se algum dia me descontrolava, tentava vomitar mesmo sem conseguir. Me odiava por não conseguir. Fazia abdominais até a exaustão, ocupando o tempo em que deveria estar estudando.

Cheguei aos 48kg me sentindo gorda. A barriga ainda estava lá, os meus peitos viraram duas azeitonas, mas meus ossos apareciam cada vez mais e todo mundo me elogiava. Era assim que eu iria conseguir ser aceita? Então valia o sacrifício.

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Um dia eu estava saindo do banho e minha mãe me viu nua. Ela viu minhas costelas aparecendo entre os meus seios e começou a chorar. Tinha algo de errado comigo, ela me disse, mas eu tinha certeza que ela estava louca. Afinal de contas, não era o que ela e todo mundo queria? Desde a primeira vez que eu fui pro Vigilantes do Peso, desde a minha primeira dieta dos pontos, o objetivo não era ser o mais magra possível?

Cheguei à conclusão que todo mundo estava contra mim, eram todos invejosos que fingiam que queriam o meu bem, mas na verdade queriam ter a minha magreza. No dia seguinte, minha mãe chegou do trabalho com uma pizza, um bolo e um brownie e insistiu para que eu comesse. Eu chorei imaginando que eu iria perder tudo aquilo que tinha conquistado a duras penas. Era 2009.

No ano seguinte, eu comecei a cursar Jornalismo. Entre festas, baladas e churrascos, eu fui redescobrindo a minha paixão por comida. Sentia ânsias incontroláveis de comer tudo que houvesse na minha frente (escondida, é claro): leite condensado, pacotes de bolacha, o que tivesse na frente eu comia escondida no quarto. Me sentia culpada, tentava vomitar, não conseguia. Me odiava. Engordei tudo o que tinha emagrecido e mais um pouco em dois ou três meses.

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Pula para 2016. Eu nunca vi um número tão alto na balança. Minha mãe não está viva, cozinhar virou uma das minhas paixões e eu não sei mais o que é me privar de fazer algo que eu amo para ver um número diferente em um aparelho. Eu ainda me incomodo quando minhas amigas magras falam que elas estão gordas e, portanto, feias, porque eu sei que elas devem me achar feia por ser gorda.

E depois de muito sofrer por causa do meu peso, depois me odiar todos os dias, eu estou, aos poucos, encontrando paz com quem eu sou. Sou mais consciente do meu corpo, consigo valorizar os detalhes que fazem com que eu seja única, aprendi que o meu valor não está em peso, em comidas, em dietas. Está em camadas mais profundas, que nem todo mundo consegue perceber. Mas eu percebo.

Aprendi que comida não é inimiga, não é a solução dos meus problemas, não é companhia para afogar as mágoas. É algo que deve fazer bem para o meu corpo, me dar prazer, mas de uma maneira saudável. Comida não pode ser recompensa ou punição. 

Claro que nem todo dia é uma maravilha, nem todos os dias eu me sinto bem. Mas cada segundo que eu me sinto bonita é um passo a mais para me desvencilhar de uma doença que me causou muito sofrimento e para combater esse controle doentio que a sociedade exerce sobre os nossos corpos.

QF Indica #02

Olá, gente bonita! Estou aqui mais uma vez para deixar algumas dicas de coisas interessantes que eu li, ouvi, comprei ou sei lá o que e acho que pode ser interessante para vocês também. E, claro, não deixem de dizer nos comentários a sugestão de vocês – eu sempre estou caçando livros, músicas, filmes e séries novos pra conhecer.

Joanne

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Teria como começar de outro jeito? Nunca fui ultra fã da Lady Gaga, mas gostava dos primeiros discos. O Artpop não ouvi até hoje, confesso, mas fiquei curiosa pra ouvir Joanne quando li que o Kevin Parker (do Tame Impala) e o Mark Ronson estavam envolvidos na produção.

Apesar de ter achado Perfect Illusion meio boring, adorei muito o resto do álbum (que só será lançado oficialmente dia 21, então ainda não está no Spotify) e o meu destaque vai pra Hey girl, uma parceria maravilhosa com a Florence Welch. Mas não vá esperando o pop farofa de ralar a bunda no chão! Apesar de algumas músicas serem dançantes, a Gaga pegou referências mais country para criar Joanne.

Aqui no Papel Pop tem as primeiras impressões do Phelipe Cruz sobre o álbum, vale a leitura!

Um milkshake chamado Wanda

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Falando em Papel Pop e Phelipe Cruz, um das coisas mais legais que eu descobri em 2016 foi o podcast do site. Quem não tem o hábito de escutar podcasts e/ou não sabe o que é, explico: podcast é tipo um programa de rádio, geralmente cada programa tem um tema, os quadros fixos e tudo o mais. É perfeito pra ouvir enquanto você faz tarefas mecânicas, tipo dentro do ônibus, lavando louça ou até mesmo trabalhando (mas aí vai depender da sua capacidade de executar bem as duas tarefas!).

O podcast da Wanda é pra quem curte cultura pop, fofocas de celebridades e essas coisas que permeiam o mundo do Papel Pop, mas o meu quadro favorito é o “Me ajuda, Wanda”, quando eles leem e-mails de ouvintes pedindo pitaco na vida pessoal deles. É muito engraçado, sério!

Esse post do GWS também fala de outros podcasts que valem a pena conhecer. 

The OC

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“Ai, Mariana, mas essa série já tem uns trocentos anos”. Eu sei, eu sei, mas agora ela entrou na Netflix! Eu já vi The OC várias vezes e todas elas são maravilhosas! E, se você ainda não assistiu, tá aí a oportunidade de ver uma das séries adolescentes que mais marcou os anos 2000.

O principal motivo para você ver The OC é a trilha sonora: puta que o pariu quanta música boa. Conheci várias bandas (entre elas The Killers e Death Cab for Cutie) por causa da série, que a partir da segunda temporada começa a narrar uma história que se passa em uma casa de shows. Além disso, é muito engraçado ver como as roupas que as meninas ricas usavam na época hoje em dia seriam muito cafonas (tipo as bolsinhas minúsculas da Louis Vuitton e os casaquinhos da Juicy).

As quatro temporadas já estão na Netflix. Boa maratona! 

Quadrilogia Napolitana

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Não tenho palavras pra descrever o meu amor por essa série de livros! Escrito pela Elena Ferrante, ela conta a história da amigas Lena e Lila, que se conheceram bem pequenas em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. O primeiro, “A Amiga Genial”, começa quando Lena, já adulta, recebe uma ligação do filho de Lila dizendo que a mãe desapareceu e levou embora qualquer vestígio da própria existência – fotos, roupas, objetos.

Então, Lena começa a narrar toda a história de vida delas com o objetivo de documentar a existência de Lila. O primeiro livro é focado na infância e no início da adolescência das duas e atualmente eu estou lendo “História do Novo Sobrenome”, a continuação de “A Amiga Genial”. Até o final do ano é para sair o terceiro volume da série e eu mal posso esperar para ler!

Também vale a pena ler um pouco sobre a polêmica decisão da autora em manter o anonimato. 

QF Indica #01

Hoje é dia de testar o mais novíssima sessão do Quase Famosas: QF indica. Aqui, nós basicamente vamos fazer um amontado de dicas de coisas que a gente leu, ouviu, viu, comprou, testou e gostou. Por ser algo novo aqui no blog, o feedback de vocês é muito importante! Vamos lá?

DePretas

Esses dias mesmo indiquei por aqui algumas youtubers maravilhosas, mas hoje conheci uma que ficou fora da lista: a Gabi Oliveira. Ela fala sobre temas sérios, especialmente sobre racismo, mas o jeitinho dela é tão especial e incrível que você fica no maior alto astral só de ouvir ela falando. E, melhor de tudo, falando coisas bem relevantes. Vá agora pro canal dela! (Mentira, termina de ler o post antes, mas depois vá lá)

Blonde, do Frank Ocean

Quem já era fã do Frank Ocean sabe o parto que foi pra sair esse álbum: ele confirmava uma data, surgiam rumores que estava quase lançando e… Nada! Em 2016 ele finalmente parou de nos iludir e veio com Blonde, que é amor do começo ao fim. Não consigo parar de ouvir!

Frank Ocean – ‘Nikes’ from DoBeDo Productions on Vimeo.

Bullet journal

Eu sou a desorganização em pessoa. Marco mais de um compromisso no mesmo dia e horário, esqueço de ir no médico, perco guias de exames, não consigo cumprir metas… Mas aí surgiu o bullet journal! Não vou entrar em detalhes porque precisaria de um post só pra isso, mas ele é uma espécie de agenda que você mesmo pode personalizar em qualquer caderno e adaptar de acordo com as suas necessidades. Aqui nesse post do Desancorando tem um passo a passo para você entender melhor.

Easy

Essa série da Netflix fala sobre amor e relacionamentos de uma forma bem natural e despretenciosa. Cada episódio é como se você estivesse vendo a vida de um dos seus amigos ou colegas de trabalho, por isso não espere grandes arcos de acontecimentos ou emoções hollywoodianas. Easy é como ver a vida passando na TV.

E vocês, o que recomendam pra gente? Digam nos comentários! 😉

Crise de pânico não é amadorismo

Na última terça-feira (4 de outubro) estreou a primeira edição do Masterchef: Profissionais. Diferente dos programas anteriores, a produção só aceitou competidores que já estudaram ou trabalharam na área e isso refletiu logo nas primeiras provas: desafios mais complexos, provas com mais pressão.

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Durante uma das eliminatórias, a chef Paola Carosella percebeu que os competidores não dariam conta de fazer os dois menus a tempo e, então, chamou os melhores avaliados das provas anteriores (Ivo e Dário) para descer do mezanino e ajudar. Tudo naquele clima de correria, bagunça e gritaria que quem assiste o programa já conhece. A postura do Ivo acabou irritando a Izadora, uma das competidoras, a ponto de ela começar a chorar e perder completamente o ritmo da prova. Ela paralisou, não lembrava mais o que estava fazendo e teve dificuldade pra conseguir raciocinar.

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“Que amadorismo, todo mundo sabe que a pressão em cozinha de restaurante é assim”, muita gente disse no Twitter. Chamaram ela de amadora, incompetente, sensível demais, fraca, mimada. Já eu fiquei assistindo aquilo tudo com um sentimento familiar demais de quem já passou por isso. E isso não é amadorismo, não é frescura. É uma crise de pânico. E já aconteceu comigo no trabalho, no meio de um shopping lotado, em casa, no meio da rua vazia. Por muito menos, ou até mesmo por motivos que nem eu mesma conseguia compreender.

Engraçado que a internet que ficou jogando pedras na Izadora é a mesma que até alguns dias atrás estava postando textão sobre Setembro Amarelo e disponibilizando inbox para os amigos deprimidos desabafarem (tenho muitas críticas a esse tipo de “ajuda”, inclusive, mas isso é assunto para outro dia).

No fim das contas, a Izadora foi eliminada. Com razão, claro, ela não conseguiu ajudar a equipe durante a prova. Mas isso, de forma alguma, significa que ela seja fraca ou que ela não seja capaz.

5 youtubers maravilhosas que você precisa conhecer

Se você, assim como eu, ficou sabendo da existência de youtubers por causa de pessoas como Felipe Neto, Kéfera e PC Siqueira, deve ter tido uma má primeira impressão. Eu, pelo menos, tive. Achei que youtubers eram pessoas que forçavam a barra para parecerem engraçadas e gritavam para provar que estavam certos sobre determinado assunto. Por isso, nunca me dei ao trabalho de assistir algo no YouTube que não fosse clipe de música ou show.

Anos se passaram e eu me deparei com aquele vídeo da Jout Jout que bombou, não tira o batom vermelho. Foi aí que eu percebi que existe, sim, gente legal no YouTube (não que os citados anteriormente não sejam legais… Eles são, mas pra um outro público, muito diferente de mim). Só que como os que estão mais em ~evidência na mídia são os voltados para um público juvenil, decidi separar alguns canais que eu gosto muito para indicar para vocês!

Marília Gabriela

Sim, a Marília Gabriela agora tem um canal no YouTube e é sensacional demais! Ainda é no formato de programa de entrevistas com pessoas muito interessantes, como a Jout Jout, a Bia Granja, o Facundo Guerra… A cada vídeo eu aprendo alguma coisa nova, é muito bom! Indico para quem não curte muito o formato de vlog, já que o canal é bem profissional e parece mesmo com um programa de TV, só que mais curto.

Liliane Prata 

Conheci a Liliane Prata faz pelo menos uns 10 anos – ela tinha uma coluna na Capricho e escreveu um romance chamado O Diário de Débora, que eu amava. Além de jornalista, ela é filósofa e atualmente é editora da revista Claudia. No canal, a Lili Prata fala principalmente sobre comportamento humano – amor, sexo, relacionamento, amizade, autoconhecimento, movimentos sociais e mais uma porrada de coisas que me fazem refletir. É quase como uma sessão de terapia! A voz dela é super zen e me acalma muito nos momentos de estresse do dia-a-dia.

Hel Mother

Eu não sou mãe, não tenho a menor vontade de ser mãe, mas estou apaixonada por esse canal que fala principalmente sobre… Maternidade ¯\_(ツ)_/¯ A Helen Ramos fala sobre tudo sem tabus e de forma muito engraçada! Recomendo principalmente para as mães, mas qualquer pessoa pode tirar muito proveito  do conteúdo – eu já aprendi muita coisa nova e percebi algumas coisas que eu fazia ou falava pra mães que era meio babaca. Sempre bom praticar a empatia, né?

Conto em Canto 

Conheci a Iara porque ela fez pós com dois amigos meus e me apaixonei pelo canal dela! Ela faz tudo bonitinho: cenário, edição, é tudo muito bem feito e o conteúdo não deixa a desejar. Ela fala principalmente sobre literatura, então é ótimo para pegar umas dicas de livros e autores!

PS: acabei fazendo uma lista só com mulheres, mas para quem curte literatura eu também indico o Livrada!, do Yuri. Ele tem uma pegada mais ~cult que a Iara, mas ambos são muito bons.

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A Olivia é pra quem gosta de pessoas tipo a Jout Jout: ela fala um pouco sobre tudo, às vezes ela não fala nada com coisa nenhuma, mas o carisma dela encanta qualquer um! O canal dela ainda é razoavelmente pequeno, mas tem vídeos novos sempre e assisto sempre que preciso relaxar um pouco e rir.

E vocês, já se renderam aos youtubers ou ainda acham que é coisa de adolescente? Recomendam algum canal? Contem pra gente nos comentários!

Praça de alimentação

É sempre a mesma coisa: chega 11 horas, 11 e meia e eu começo a pensar na hora do almoço. Tem aquele vegetariano que é aqui perto, mas meio caro. Tem também o indiano que é bom, mas não gosto muito daquela região e o restaurante tem umas vibes estranhas. O shopping tem bastante Pokémon pra caçar enquanto eu como, mas o barulho das cadeiras arranhando no chão me incomodam, sem contar os grupos enormes de galera da firma, galera do colégio, galera do cursinho. Evito galeras, mas lá tem bastante opção: mexicano, pizza, massas, hambúrguer, camarão. Mas tudo engorda. Ou é caro. Ou é ruim. Isso que na maioria dos casos eu descarto o delivery, que abre outro leque de opções.

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Às vezes eu acordo convicta do que eu quero comer no almoço, mas é raro. E às vezes acontece também de eu ir certeira, mas na primeira mordida eu olho pro lado e o almoço da mesa ao lado parece mais gostoso. Nessas horas dá saudades de quando eu almoçava a comida da minha vó em casa. Enjoava comer sempre a mesma coisa, às vezes tinha coisa que eu não gostava, mas no geral eu comia sem me preocupar com as opções. Era ou o que tinha ou o que tinha, fim de papo.

Mas por incrível que pareça, não é sobre comida que eu quero falar hoje. Falei sobre esses meus hábitos alimentares porque o amor, antigamente, era como os meus dias almoçando a comida da vó em casa: o caminho já estava meio traçado para nossos pais, nossos avós. Pode perguntar para eles, a maioria se conheceu na vizinhança, na igreja, no baile. No livro “Romance Moderno”, do Aziz Ansari, existe até uma pesquisa que mostra que as pessoas moravam muito perto de quem elas iriam se casar no futuro. As opções eram poucas, os critérios eram mais objetivos: uma pessoa trabalhadora e honesta era o suficiente.

Já o mundo amoroso de hoje em dia é aquela praça de alimentação que tem tanta opção que você acaba perdendo mais tempo escolhendo o que vai comer do que comendo de fato. Você vai ouvir histórias de pessoas que casaram com alguém de outra cidade, outro país, que começaram um relacionamento à distância, as opções são infinitas! E isso pode ser muito bom, claro, a chance de você encontrar alguém mais compatível com você é maior do que há 50 anos, mas o caminho até você encontrar essa pessoa provavelmente será mais longo e cansativo.

Além disso, quem garante que essa pessoa é o amor da sua vida? Mesmo quando você encontrar alguém legal, vai saber que logo ali no bar da esquina pode ter alguém mais bonito, no Tinder pode ter alguém mais interessante, na faculdade pode ter alguém que fode melhor. Como construir relacionamentos se o mundo virou um enorme cardápio de pessoas que podem parecer mais apetitosas que você?

E é claro que eu não vim trazer a solução, porque se eu tivesse a resposta pra essa questão eu estaria rica, muito rica, e não aqui. O que eu posso fazer é falar pra vocês o que eu faço na hora de almoçar: pondero por um tempo, decido que tá na hora de escolher e escolho – pronto. Se for muito bom (não precisa ser a-melhor-comida-do-mundo, entenda como quiser) eu fico satisfeita, sem tentar comparar com a comida do cara da mesa ao lado.

Na busca pelo melhor do mundo, você pode acabar com o prato vazio.

Cada like é um abraço virtual

Eu sou a rainha de começar as coisas e não terminar. Já tive incontáveis blogs, projetos e ideias que começaram e, não muito tempo depois, morreram. E, desde que comecei a fazer terapia, tenho tentado entender o que faz com que eu desista de tudo. Existem vários fatores, mas quero focar aqui em apenas um deles: falta de apoio.

Grande parte dos projetos que eu participei não envolvia dinheiro. Envolvia, sim, a intenção de ganhar dinheiro um dia, mas nunca foi a prioridade. O que me move é muita paixão e vontade de compartilhar experiências com outras pessoas, criar pontes, me expressar.

O problema é que a comunicação não existe se envolve apenas o emissor, sem receptor. O silêncio só era quebrado em dois casos: quando o projeto acabava (aí a pessoa, que nunca curtiu nada ou elogiou, vem dizer que acompanhava o trabalho) ou quando é para falar mal (não é a toa que, em um dos meus últimos projetos, o vídeo que teve mais views foi justo o que só teve comentários negativos).

É por isso que os comentários de portal parecem um inferno: as pessoas só se manifestam quando é para falar mal, na hora de elogiar elas se calam. Acontece que engajamento é engajamento, seja positivo ou negativo. É ele que faz o conteúdo crescer! Por isso que cada vez mais ideias absurdas ganham repercussão enquanto projetos maravilhosos permanecem no anonimato.

Vamos aumentar a corrente de coisas boas na internet? Curta e comente em conteúdos que você consumiu e gostou, elogie, só assim que esse ciclo de ódio que permeia a internet pode se tornar cada vez menor!

Para cada like, nasce um unicórnio.

Carpe diem meu cu

Atire a primeira pedra quem nunca viu por aí uma notícia de “um casal que largou tudo para viajar pelo mundo” ou de uma “publicitária que deixou o emprego para fazer um mochilão pela Europa”. Nas notícias e blogs que divulgam esse novo estilo de vida sempre há fotos de pessoas bronzeadas com os cabelos ao vento, pulando em frente ao mar, dentro de barcos, sorrindo ao lado dos nativos. São quase releituras de “comer, rezar, amar”, só que com GoPro.

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E realmente, deve ser incrível mesmo acordar todos os dias com uma paisagem paradisíaca, sem alarme programado no celular, sem chefe pra dar satisfação. Sorte das pessoas que ousaram fazer isso e agora são felizes, só tem um porém: tem muita gente usando esse novo estilo de vida pra vender. Sim, eles ganham dinheiro falando como a vida é melhor se você for mais simples! Incoerente, né?

Não são um nem dois, são vários influenciadores digitais por aí que ganham uma porrada de dinheiro pra dizer para os pobres assalariados que a vida deles é uma merda e eles só serão realizados quando largarem apartamento, carro e emprego para viverem uma aventura. Tudo muito bonito até que o dinheiro acaba. E aí, ou você tem pais ricos ou a coisa complica.

E antes que me atirem pedras, eu não estou condenando pessoas que vivem assim, mas sim questionando até que ponto o discurso de “menos é mais” se sustenta. É no mínimo desonesto vender uma vida perfeita e acusar todas as pessoas que decidiram traçar um caminho diferente, ou nem mesmo têm a opção de perseguir esse caminho de viagens pelo mundo todo.

Por isso, sempre que você deitar a sua cabeça no travesseiro pensando em como sua vida é patética porque você só é mais uma das peças do sistema, lembre-se que esse caminho não é para todos – alguns demorariam muito tempo para juntar esse dinheiro, outros simplesmente não querem assumir o risco e está tudo bem. Não existe um único formato de vida, um único caminho para a felicidade, ainda bem!

E um recadinho para os influenciadores digitais: vamos ser um pouquinho mais pé no chão, por favor? Vocês surgiram exatamente porque todo mundo estava cansado de propaganda de margarina e agora se tornaram ainda mais artificiais que comercial da novela das 8.