O discurso de P!nk no VMA 2017

A cantora P!nk foi homenageada, no último domingo (27), pela MTV americana como forma de reconhecimento ao trabalho na indústria da música. Depois de apresentar um medley com os seus maiores sucessos, P!nk ganhou destaque pelo seu discurso sobre questões de gênero, autoestima e padrões de beleza.

Ela começa contando do dia em que a sua filha, Willow, disse se achar a garota mais feia que ela conhece por parecer um menino. Veja o momento do discurso:

“Recentemente, estava levando minha filha para a escola e, do nada, ela me disse: ‘Mamãe, eu sou a menina mais feia que conheço’. Eu falei: ‘Hã?’. Ela disse: ‘É, eu pareço um menino com cabelo comprido’. Então meu cérebro entrou numa loucura. ‘Meu Deus, você tem 6 anos, de onde veio isso? Quem disse isso? Posso chutar a bunda de outra criança de 6 anos?’ Mas eu não disse nada.

Em vez disso, fui para casa e fiz uma apresentação no PowerPoint para ela. Nessa apresentação estavam estrelas do rock andróginas e artistas que viveram a verdade, que provavelmente foram zoados por todos os dias de suas vidas, mas mesmo assim seguiram com elas, levantaram suas bandeiras e inspiraram todos nós. São artistas como Michael Jackson, David Bowie, Freddie Mercury, Annie Lennox, Prince, Janis Joplin, George Michael e Elton John… Eram muitos artistas e os olhinhos dela brilharam.

Mas então eu disse: ‘Quero saber por que você se sente assim’, e ela respondeu: ‘Eu pareço um menino’ e eu disse: ‘Bom, com o que você acha que eu me pareço?’. Ela disse: ‘você é bonita’. Então eu agradeci e disse: ‘Quando as pessoas querem me zoar, é isso o que elas falam. Elas dizem que eu pareço um menino, que sou muito masculina, que tenho muitas opiniões, que meu corpo é muito forte’. Eu perguntei a ela: ‘Você me vê deixando o cabelo comprido?’ Ela disse: ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê mudando meu corpo?’. ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê mudando o jeito como me apresento para o mundo?’. ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê enchendo estádios ao redor do mundo?’, ela disse: ‘Sim, mamãe’.

Então, minha bebê, nós não mudamos. Nós pegamos um cascalho da concha e o transformamos em pérola. Nós ajudamos outras pessoas a mudarem para que elas possam ver mais tipos diferentes de beleza.

A todos os artistas que estão aqui, me inspiro em todos vocês. Obrigada por serem quem são de verdade e por iluminarem o caminho para nós. Me inspiro muito em vocês. Continuem brilhando para que a gente veja. E você, minha querida, é linda e eu te amo”.

via Capricho

 

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The Handmaid’s Tale e a pavorosa República de Gilead

(publicado originamente no Puro Pop)

The Handmaid’s tale é uma série baseada no livro de mesmo nome da autora Margaret Atwood, de 1985, e foi produzida pela plataforma de streaming Hulu

Conhecida também como O Conto da Aia, a série é pesada e se torna ainda mais assustadora se pensarmos que nada é irreal.

Não faz ideia do que eu estou falando? Então respire fundo e sinta o soco no estômago.

Do que se trata

Imagine que você mora na maior potência do mundo, em um país conhecido por ser “livre”, onde todos já desejaram estar.  Então, de uma hora para a outra, esta nação se torna o contrário de tudo isso.

Pois é.

Em The Handmaid’s Tale, as maiores vítimas são as mulheres. Elas foram obrigadas  a mudar suas vidas para serem apenas uma posse. Isso acontece depois que os Estados Unidos se transforma em um governo totalitário e teocrático cristão chamado República de Gilead.

No novo regime extremista, o país é dividido por castas, ou seja, cada cidadão tem a sua função baseada em uma hierarquia social. Uma vez em uma classe, você nunca mais sai dela. OU SEJA, a pessoa perde toda a sua liberdade e, se é mulher, ferrou mais ainda.

Do Fred

A história de The Handmaid’s Tale acontece sob a perspectiva de Offred (Elizabeth Moss), que antes era conhecida como June. Ela se torna uma aia, mulher fértil que “tem a função” de gerar uma criança para uma esposa infértil e o seu marido.

Além de se tornar propriedade dessa família, ela é estuprada mensalmente pelo seu “comandante” durante o período fértil em um ritual chamado de “cerimônia”. O mais bizarro  é que a esposa está sempre presente no ritual de estupro. A sua função no processo é segurar a aia no meio de suas pernas para simular uma ligação entre os três.

A cerimônia é repetida mensalmente até que ela engravide. Então, ela permanece na família até o bebê nascer e parar de amamentar, para depois seguir seu rumo para a outra casa, outra família, fazer a mesma coisa. Basicamente, esta é a única função de uma aia.

Cada aia possui um nome semelhante que é composto por “of”, “de” em inglês, com o nome do comandante da casa. No caso da protagonista, Offred, seria “of Fred”, ou “de Fred”. Perturbador.

Bizarrices

Em meio a todos os fatos perturbadores presentes em The Handmaid’s Tale, o mais espantoso é perceber que as leis são baseadas na Bíblia e que nada é 100% inventado. O cristianismo é usado com tanto fervor que os diálogos, por exemplo, são repletos de frases religiosas.  “Bendito seja o fruto”, “que o Senhor possa abrir”, “louvado seja”, entre outras, são frases ouvidas o tempo todo.

Os castigos punem de maneira extrema e com MUITA violência os que não respeitam os ensinamentos bíblicos. A homossexualidade, por exemplo, é “traição de gênero” e a punição pode ser a morte por enforcamento ou mutilação.

No caso das aias, elas não têm permissão para ler, escrever e nem olhar os homens nos olhos. Caso estas ou outras leis não sejam cumpridas, a sentença também pode ser a morte, mutilação ou torturas muito piores.

Na verdade, todos estão sujeitos a estas punições, não só as mulheres. Em The Handmaid’s Tale, assim como qualquer outra trama que envolve política, assistimos uma batalha pelo poder. Como não poderia deixar de ser, vemos uma guerra cheia de hipocrisia e injustiça.

Esperança

É difícil dizer que uma série com tanto absurdo e crueldade é incrível, mas The Handmaid’s Tale de fato é!

Os primeiros episódios são difíceis de assistir. Mesmo. Mas conforme conhecemos os personagens e suas vidas no passado, e acompanhamos o início de uma revolta, tudo flui um pouco mais leve. No final, sentimos um pouco de esperança de que a República de Gilead seja extinta. Será?

Handmaid’s Tale já foi renovada para a segunda temporada em 2018!

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Seria mesmo Sophia Amoruso um exemplo de “girlboss”?

Ano passado tive a oportunidade de passar pela frente da Nasty Gal, que fica em uma região luxuosa de Los Angeles. Já conhecia a marca e por isso nunca me atrevi a entrar, já sabendo dos preços nada acessíveis para uma #girlquebrada. Isso não agrega nada no post, só queria contar mesmo.

Na mesma época, descobri o livro #GIRLBOSS e já comecei a ler. Gostei da história de Sophia, mas tudo o que eu pude pensar é que eu jamais serei como ela. Primeiro porque a personalidade dela é e sempre foi a de muitas pessoas que estão no poder: egoísta, prepotente, subestima os outros, abusiva, erra e nunca assume os erros. Aí eu me pergunto? Esse é o perfil de um chefe ou de uma #girlboss?


Não é novidade de que poder e dinheiro corrompem, por isso a política é tão zoada. No caso de Sophia, ela já nasceu “corrompida”.

A personalidade dela era perfeita para o sucesso, mas muitos só chegam lá com muito privilégio, algo que ela teve mas recusou a vida toda por achar que nada é o suficiente para ela, nem mesmo o sistema. Mas apesar da personalidade forte, com todas as escolhas que ela fez, ela tinha tudo para ser uma mendiga e não uma empresária de sucesso.

Para mim, o que aconteceu com Sophia foi o mesmo que aconteceu com todas as pessoas que cresceram profissionalmente no mundo da internet na década passada: timing. Foi a pessoa certa, do jeito certo, na época certa.

Quando as pessoas começaram a descobrir a internet como base de uma carreira, não muito tempo atrás, quem acreditou neste futuro deu certo. Sophia já se via sem saída, até que no colo dela estavam a ascensão do eBay, a popularidade do MySpace e uma vocação. Ou seja, não tinha nada a perder e de fato só ganhou. Nos tempos de hoje, em que qualquer pessoa pode ter um blog, uma loja online ou criar um aplicativo para celular, todo mundo quer viver disso, mas o diferencial é crucial.

Série

Estava empolgada para assistir a série Girlboss adaptada pela Netflix. De cara gostei do trailer, mas ao ver pela segunda vez achei a interpretação de Sophia um pouco forçada. Mas se a própria estava ali para guiar e aprovar a interpretação dos fatos, aceitei.

A série estreou em uma sexta-feira e terminei de assistir menos de 24 horas depois do lançamento. Não foi o que eu esperava antes de ver o trailer, mas superou ninhas expectativas de depois de ver o trailer. O começo foi difícil pois senti falta de vários fatos destacados no livro que precediam ao que foi escolhido para a televisão. Com o tempo, a série acabou prendendo a minha atenção e gostei bastante.

Sophia, a escrota?

No mesmo fim de semana de estreia eu vi garotas revoltadíssimas com a personalidade e as atitudes de Sophia durante o seu crescimento profissional. Sim, eu concordo con elas, mas não acredito que seja um fato para odiar como tudo aconteceu.

A história foi criada em cima de fatos verdadeiros, então não faz sentido a gente assistir esperando a protagonista perfeita, com problemas reais, injustiçada e que depois de muita batalha recebe o que merece, acompanhado de um príncipe encantado. Steve Jobs (RIP) e Apple tão aí para provar que mau caratismo também vence e ninguém odeia ele e a marca (alô, machismo).

A vida real não é assim. Mais do que isso, o mundo corporativo não é feito de pessoas de caráter exemplar. Elas existem, claro, mas deixar de falar sobre uma marca que conquistou milhões de meninas, que cresceu de forma estrondosa e que é sim um case de sucesso para empreendedoras, só porque não está de acordo com nossos princípios, é bobagem.

Esta forma de entretenimento informativo e educativo não significa que seja um exemplo e que é forma certa. Temos cérebro, temos capacidade suficiente para extrair as partes boas e ruins de cada história e absorver para uma experiência própria.

Se você acha que Girlboss não agregou nada em sua vida pessoal ou profissional, eu discordo de você. Use os defeitos de Sophia como uma lição sobre como não ser e não fazer. Quando você estiver em uma posição de poder, não seja Sophia, não seja o seu chefe que te fez chorar antes de dormir ou que te gerou uma gastrite. Não pense e não faça com que o sucesso só aconteça nessas condições e faça a diferença.

 

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Cinco ilustradoras para seguir no Instagram (parte 1)

Aqui no Quase Famosas a gente gosta de enaltecer o trabalho das garotas. Pois bem, como também gostamos muito de arte e ilustrações, decidi listar algumas das minhas ilustradoras preferidas que descobri no Instagram e por indicações de outras amigas artistas. Vamos começar?

 

1 – Nath Araújo

A Nath já divulga o seu trabalho há um tempo, não só no Instagram mas também em seu canal no YouTube. Nos últimos meses, vem ficando a cada dia mais conhecida pelas suas ilustrações retratando signos e com a série “Quem é você no Instagram”.

 

2 – Sirlanney

Ilustradora e quadrinista, Sirlanney ganhou popularidade com o seu livro Magra de Ruim, que hoje já conta até com uma parte 2. O trabalho dela pode ser encontrado nas redes sociais, com quadrinhos que fazem a gente se identificar (e muito!) e em sua lojinha!

 

3 – Sublinhando

Patricia Ieda faz os desenhos mais fofos que você vai ver hoje. Seus desenhos são compostos também de lettering em frases de motivação. O seu trabalho já é possível ser encontrado também em produtos com parceria com algumas marcas. Tem tudo lá na página dela!

 

4 – Luiza Alcântara

Luiza é supercaprichosa e seus trabalhos têm um estilo único. Em suas últimas publicações no Instagram e Facebook, ela vem mostrando o seu trabalho registrando famílias e casais através de pinturas fofíssimas. Seus desenhos podem ser encontrados também à venda em diversos produtos, clica aqui.

 

5 – Sibylline

Sibylline é francesa e tem o estilo um pouco parecido com o da Luiza, mas ela gosta de incluir muitos detalhes e cores variadas em suas pinturas. Como inspiração, ela foca bastante no tema “galáxia”. Ela tem um canal no YouTube e também comercializa produtos com a sua arte.

Gostou? Então se liga que esta é apenas a parte 1! Fique à vontade para indicar suas artistas preferidas pra gente divulgar por aqui!

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Veja o trailer do documentário inspirado no projeto “Chega de Fiu Fiu”

As meninas da ONG Think Olga criaram, em 2013, uma campanha para relatar os assédios sofridos diariamente pelas mulheres na rua. Agora, o projeto ganhou mais uma etapa em forma de documentário.

O filme é focado na apresentação de relatos de assédios contados por diversas brasileiras, que confessam quais são as adversidades enfrentadas devido ao medo constante e diário.

Assista ao trailer:

O documentário “Chega de Fiu Fiu” foi produzido com a ajuda da ferramenta de financiamento coletivo “Catarse” e deve servir de material educativo para ser exibido em escolas e órgãos públicos.

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As maravilhosas Karol Conka e Mc Carol em “100% feminista”

A funkeira carioca Mc Carol e a rapper curitibana Karol Conka divulgaram ontem nas redes sociais a parceria em uma música incrível!


“100% Feminista” é uma música produzida por Leo Justi e pelo Tropkillaz e tem tudo o que a gente gosta: rap, funk e girl power.

Não ouviu ainda? Pfvr, dá play aqui embaixo:

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5 bandas com meninas para conhecer

Estamos bastante acostumadas em ouvir no rádio e televisão vocais femininos na música pop, mas eles também estão presentes em outros estilos musicais, seja heavy metal, rock alternativo ou, até mesmo, punk rock. Pensando nisso, resolvi selecionar algumas bandas com mulheres e indicar aqui no blog. Coloquei na lista algumas das minhas preferidas!

1 – Best Coast

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Best Coast (minha preferida <3) é uma banda formada por uma mulher, Bethany Consetino, no vocal e guitarra e por um homem, o multi-instrumentista Bobb Bruno. A banda está na ativa desde 2009 e tem três álbuns de estúdio. O som deles é um indie rock/alternativo, ouve aí:

2 – Tsunami Bomb

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O Tsunami Bomb marcou minha adolescência emo e é uma banda de punk rock do final dos anos 90, encerrando a carreira em 2005, voltando apenas no final do ano passado. Na primeira formação, as mulheres da banda eram Emily “Agent M” Whitehurst e Kristin McRory nos vocais . Na atual, Kate Jacobi nos vocais e Oobliette Sparks no teclado.

3 – Save Ferris

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Formada em Orange County, na Califórnia, o Save Ferris surgiu em 1995 e conta com Monique Powell no vocal. A banda toca ska/punk e é bastante reconhecida no mundo do punk rock.

4 – Bikini Kill

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Formada no estado de Washington em 1990, o Bikini Kill também é uma banda bastante conhecida para apreciadores de punk rock/hardcore. Com elas, foi a primeira vez que ouvir falar em feminismo. A banda durou apenas sete anos, mas ainda é muito lembrada e conceituada no meio. O Bikini Kill contava com Kathleen Hannah, Kathi Wilcox e Tobi Vail.

5 – Tegan & Sara

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As gêmeas idênticas Tegan e Sara são multi-instrumentistas e permanecem na carreira musical desde 1995. Canadenses, elas acabaram de lançar o seu oitavo álbum de estúdio, onde permanecem no estilo indie pop.

O que acharam dos grupos? Deixem nos comentários a sua indicação para o próximo post! 😉

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Dica de filme: Amizades Improváveis

TPM ou até mesmo uma menstruação desregulada pode nos trazer diversos sentimentos, seja vontade de doce, de chorar sem motivo, de ficar dormindo ou de ver um filme com uma lição de vida no final. No meu caso foi a última opção e o filme “Amizades Improváveis”, versão brasileira para o livro “The Fundamentals of Caring”, foi o escolhido.

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Estrelado por Paul Rudd, Craig Roberts e Seleninha Gomez, a trama se trata da adaptação do livro “The Revised Fundamentals of Caregiving” e conta a história de um homem de meia idade que decide se tornar cuidador de pessoas com necessidades especiais. Com isso, ele conhece Trevor, portador de displasia epifisária hemimélica, uma distrofia rara que atinge 1 a cada 1350 homens.
Trevor tem 20 anos e foi morar nos Estados Unidos com a sua mãe, depois de ela ser transferida da Inglaterra à trabalho. A sua rotina consiste em comer, assistir televisão e ir ao parque uma vez por semana. Mas com a chegada de Benjamin, que ainda sofre com um desastre acontecido em sua família e com a tentativa de divórcio de sua esposa, os simples sonhos de Trevor começam a se realizar.

O filme não conta uma história muito triste e não é pesado de assistir, inclusive, tem algumas cenas leves de comédia. Cada personagem entra na história com um objetivo, sem a necessidade de serem aprofundados. Tudo o que aconteceu ali foi o suficiente para Trevor viver um pouco fora do seu quarto e ver o mundo com os seus próprios olhos.

O filme está disponível na Netflix!

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Vale a pena estudar inglês fora do Brasil?

Muitas pessoas ficam curiosas sobre como é aprender inglês fora do país e se compensa todo o esforço de fazer um intercâmbio. Com base na minha experiência até então, digo que: sim!

A língua inglesa nunca foi algo difícil para mim (provavelmente nem para você que está lendo), mas nunca cheguei a estudar em um curso específico, só como uma matéria em escola pública. Meu primeiro contato com ela foi quando ganhei um CD das Spice Girls com, sei lá, uns 8 ou 9 anos de idade. Não me contentava só em ouvir, mas sim em ler o encarte e decorar as letras. Não fazia ideia do que eu estava cantando, mas aprendi a pronunciar muito rápido, pois quando se é novo assim é muito mais fácil aprender qualquer coisa.

Depois de muito praticar dublando sozinha no quarto as músicas das Spice Girls e divas do pop da época, como Britney Spears e Christina Aguilera, avancei mais um passo e comecei a focar nos videoclipes que passavam no Multishow, naquele programa Top TVZ. Eu ouvia as músicas e relacionava o que estava escrito na legenda com o que a música falava. Com isso, comecei a pegar algum vocabulário e passar a entender o significado de algumas músicas que eu ouvia sem precisar de tradução ou legenda.

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Massa. Próximo passo: assistir séries e filmes legendados. Passei parte da pré-adolescência assistindo Lei & Ordem e Sex and the City, e do mesmo jeito que eu treinava com os videoclipes, treinei com as séries. Aprendi gírias, mais vocabulário e que era de tal jeito que se falava tal coisa, mas sem saber regra nenhuma.

Segui assim por anos até que com uns 22, 23 anos, comecei a assistir vídeos de talk show no YouTube. Assisti tanto, mas tanto, mas TANTO, que aprendi a entender o inglês sem precisar de legenda e me senti vitoriosa. Pensei: bacana, não preciso mais de curso de inglês, acredito que estou próxima da fluência. Também pensei que por isso não teria problemas para conversar.

Um dia ganhei uma promoção e tive a oportunidade de conhecer uma banda americana que foi fazer show em Curitiba. Consegui me apresentar, falar o que fazia da vida, com o que trabalhava e até entendi algumas piadas deles.

Ótimo, não preciso mais do inglês.

Doce ilusão.

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Sempre tive o sonho de fazer intercâmbio nos Estados Unidos, mas sempre tive medo. Até que um dia rolou. Não queria fazer inglês, pois achava que sabia o suficiente, mas escolhi por ser muito mais em conta e pela oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro e suas culturas.

Fiz essa introdução enorme aqui para dizer que com base na minha experiência e de outros depoimentos que ouvi, um curso de 10 anos de inglês no Brasil não adianta de nada se não tiver prática.

É óbvio que tudo o que eu estudei adiantou e MUITO para eu conseguir me virar aqui, mas a realidade é bem diferente.

Vão ter pessoas que você vai conseguir entender, outras que não. Terão aqueles que falam rápido, que falam enrolado, que cortam palavras da frase e que não vão ter paciência para lidar com um gringo. Mas também terão aqueles que são naturalmente calmos e que tem a dicção perfeita. Meus amigos, vocês já assistiram um telejornal americano? (Sugiro o Good Morning America). Não é impossível entender, mas é preciso fazer um esforço enorme para isso que você precisa respirar fundo a cada intervalo. Se você sabe do que eu to falando, sabe também que é assim que a maioria dos americanos fala. E muitos dos que falam assim são as pessoas que vão anotar o seu pedido no restaurante e fast food.

Você provavelmente vai receber um pedido errado em algum momento da sua estadia aqui, seja uma carne mega mal passada ou hambúrguer sem queijo. E isso pode acontecer por dois motivos: ou você realmente entendeu errado ou ficou com tanta vergonha de pedir para repetir que só vai responder sim ou não. Pode acontecer de você responder “sim” para alguém que perguntou o seu nome.

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Mas isso é questão de tempo. Logo você não vai se apavorar com aquela atendente falando na velocidade da luz e inclusive vai conseguir pedir detalhes sobre o seu lanche.

Chegando na escola de inglês, o aluno faz o placement test pra saber de qual nível vai começar. Comecei pelo “intermediário avançado” e achei que seria moleza. Mas a cada aula, um choque. “Ah, então é por isso que isso se fala assim”. “Caramba, não sabia disso”. “Nossa meu, eu ‘falava’ errado o tempo todo”. “PQP, não to entendendo essa matéria”.

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Com base nisso, tenho outra dica para vocês: você nunca sabe o suficiente. Posso estar generalizando, mas nada como um bom conhecimento de gramática e MUITA prática para se sentir seguro em relação ao seu inglês. Eu achava que sabia 90%, mas descobri que se fosse 60% seria muito. O aprendizado no país que fala a língua que você está aprendendo é crucial para chegar em fluência total.

Se você tem vontade de fazer intercâmbio de curso de inglês, mas acha que não precisa, faça.

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