Paterson. No ideas but in things.

:: 3 minutos para esta leitura e, quem sabe, Paterson te leve ao cinema:

.

.

 

Sem amor,

qual a razão para qualquer coisa?

 

Não sou uma pessoa muito do cinema, ainda que ame filmes. Digo isso por não ter o hábito de ir ao cinema e, diferente do que possa parecer, não é por não apreciar a arte. O que me afasta são as pessoas falando no local, aquele barulho de pipoca, de embalagens que se abrem, de latinhas de refrigerante, sem falar na luz dos celulares que insistem em iluminar a sala. Todavia, alguns filmes me obrigam a ir, seja pela ansiedade, seja pela experiência e expectativa.

Paterson é um desses casos. Certamente ele já entrou na lista de filmes para ver, rever, ver, rever…  O fato de estarmos próximos a Allen Ginsberg e Kerouac é apenas um detalhe, apaixonante por sinal. Com o bônus dos poetas Ron Padgett e William Carlos Williams. 

Em Paterson, a cidade é mais que um local, é um personagem. O homem é a cidade, é o ônibus. A cidade é o homem. Metáfora. Poesia. Sua narrativa segue o fluxo de um poema e isso é incrível. Um filme sensível e cheio de signos a serem descobertos. Repleto de referências  que te aquecem o coração a cada encontro.  Como aquele livro que aparece despretensiosamente na cena, lembrando a nós a obsessão humana pelo entretenimento, dos vícios, do narcisismo, do tempo e da solidão da nossa vida pós-moderna.  

Somos abraçados pela poesia, em diferentes  formas, por meio da celebração da riqueza existente na monotonia e banalidade do nosso dia a dia. Temos aqui, aquilo que é “simples” indo de encontro  a “complexidade da vida”. Somos confrontados a ver aquilo que por muito ignoramos, demonstrando que temos coisas que apenas não nos são perceptíveis por ficarmos apenas na superfície. Recebemos o convite a parar, observar e afundar. É preciso ir além do que se vê.

Vivemos o efêmero, na vida e na arte.  Nessa história, Jarmusch coloca o contraponto de um universo perene e imutável ao caos de ideias, permeado pelo universo onírico e mergulhado na efemeridade. O que mais gostei –  além de toda a poesia, sensibilidade e simplicidade? Não temos o ideal de vida aqui representado. Como em Woody Allen, existe a busca pelo real, aquilo que é a vida, nem sempre feliz, nem sempre perfeita. Todos tem problemas, vivem amores, não existe o certo ou o errado. 

Paterson escreve poemas na pausa do trabalho. Escritos e guardados em um pequeno caderno, para assim serem esquecidos. O poeta-motorista escreve e lê os poemas em voz, como se as palavras fossem, uma a uma colocadas para fora, num processo lento e necessário. Um murmúrio silencioso. Porque escrever dói. Como bem descreveu Caio, é como colocar um dedo na garganta, é o momento decisivo. É tirar sangue com as unhas, é a necessidade de sangrar a-bun-dan-te-men-te. É perceber aquilo que por muito tentamos esquecer e ignorar, é ordenar o caos. Escrevemos para nos mantermos vivos. Como diria Woolf “Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial”, nosso personagem parece entender isso. É um ato de luta, de coragem e, claro, de auto entrega.

Paterson me joga na cara a quantidade de artistas que mantinham uma vida paralela na arte, mostrando que não somos únicos. De dia se trabalha para pagar as contas, nas horas livres, se faz arte para continuar vivendo. Ao fim do mês as contas estarão mais uma vez a chegar e é preciso trabalhar. Fazemos arte para dar algum sentido a tudo, enfrentando nossos demônios e imergindo nesse processo doloroso. Fazemos arte para que existir tenha algum sentido. A poética é repetição, assim como a vida. Aquilo que te desestabiliza, talvez te inspire.

Desejo por fim, que todo artista encontre uma “Laura” em sua vida. E, lembre-se:

 – Você está jogando contra quem?
 – Eu mesmo.

 

P.s.: 
Ficou em dúvida?! Temos aqui o Marvin, o buldogue fofo do filme, para te convencer. Vencedor do Palm Dog em 2016, premiação alternativa em Cannes para melhor performance canina:

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

Veja o trailer do documentário inspirado no projeto “Chega de Fiu Fiu”

As meninas da ONG Think Olga criaram, em 2013, uma campanha para relatar os assédios sofridos diariamente pelas mulheres na rua. Agora, o projeto ganhou mais uma etapa em forma de documentário.

O filme é focado na apresentação de relatos de assédios contados por diversas brasileiras, que confessam quais são as adversidades enfrentadas devido ao medo constante e diário.

Assista ao trailer:

O documentário “Chega de Fiu Fiu” foi produzido com a ajuda da ferramenta de financiamento coletivo “Catarse” e deve servir de material educativo para ser exibido em escolas e órgãos públicos.

Facebook: /anatalierosa
Twitter: /natalierosa
Instagram: natalie.rosa

Dica de filme: Amizades Improváveis

TPM ou até mesmo uma menstruação desregulada pode nos trazer diversos sentimentos, seja vontade de doce, de chorar sem motivo, de ficar dormindo ou de ver um filme com uma lição de vida no final. No meu caso foi a última opção e o filme “Amizades Improváveis”, versão brasileira para o livro “The Fundamentals of Caring”, foi o escolhido.

The-Fundamentals-of-Caregiving-Movie-Poster

Estrelado por Paul Rudd, Craig Roberts e Seleninha Gomez, a trama se trata da adaptação do livro “The Revised Fundamentals of Caregiving” e conta a história de um homem de meia idade que decide se tornar cuidador de pessoas com necessidades especiais. Com isso, ele conhece Trevor, portador de displasia epifisária hemimélica, uma distrofia rara que atinge 1 a cada 1350 homens.
Trevor tem 20 anos e foi morar nos Estados Unidos com a sua mãe, depois de ela ser transferida da Inglaterra à trabalho. A sua rotina consiste em comer, assistir televisão e ir ao parque uma vez por semana. Mas com a chegada de Benjamin, que ainda sofre com um desastre acontecido em sua família e com a tentativa de divórcio de sua esposa, os simples sonhos de Trevor começam a se realizar.

O filme não conta uma história muito triste e não é pesado de assistir, inclusive, tem algumas cenas leves de comédia. Cada personagem entra na história com um objetivo, sem a necessidade de serem aprofundados. Tudo o que aconteceu ali foi o suficiente para Trevor viver um pouco fora do seu quarto e ver o mundo com os seus próprios olhos.

O filme está disponível na Netflix!

Facebook: /anatalierosa
Twitter: /natalierosa
Instagram: natalie.rosa

Uma semana de clássicos

Sem dúvidas, eu estou vivendo a semana mais foda de 2015. Diferente da maioria das pessoas, que está reclamando muito deste ano, eu até que tive várias mudanças positivas, como sair de casa para morar com o meu namorado e, na reta final, conseguir um emprego na empresa que eu sempre quis trabalhar. Tiveram dificuldades, naturalmente, mas considerando o quadro geral eu sei que consegui fazer bastante, crescer bastante e, principalmente, me divertir muito.

Foram dois eventos que tornaram esta semana, em especial, inesquecível: o show do David Gilmour na segunda-feira e a estreia de Star Wars hoje, quinta-feira. Sobre o primeiro, me faltaram palavras para descrever o quão mágico foi ver um dos maiores guitarristas do mundo na minha cidade, para um público gigante e completamente envolvido com a música (tirando os loucos do pau de selfie, mas aí é um caso a parte que não vale a pena explorar neste momento).

Me reconheci em uma menina de 10 anos com cara de choro porque não queriam deixar ela entrar no show por causa da idade, coisa que já aconteceu muitas vezes comigo. Encontrei alguns amigos, uma amiga da minha mãe e me estabeleci num lugar distante do palco, mas confortável. Ao meu lado, havia um casal de senhores de uns 60 e poucos anos, e na minha frente tinham dois rapazes que aparentavam ter a minha idade. A senhora começou a tentar chamar o moço da minha frente, e o André (meu namorado) cutucou o menino. Pensei que eram mãe e filho, mas eis que ela pede… Uma bola do baseado.

“Depois de 40 anos, hein!”, o marido dela diz, rindo, depois de também dar uma bola. Em seguida, foram duas horas e meia de músicas maravilhosas, um show impecável e uma atmosfera incrível, que reuniu diferentes gerações, algo raríssimo hoje em dia, mas que eu presenciei novamente hoje, na estreia do episódio VII de Star Wars.

giphy-18

Foi o primeiro filme da série que eu vi no cinema, já que só fui ter contato com Star Wars no ensino médio, então a ansiedade estava lá em cima! A abertura já fez meus olhos ~~lacrimejarem e despertar uma curiosidade imensa para saber qual era a história de Finn, Rey, Kylo Ren e BB8 (maravilhoso, diga-se de passagem). Assim como os personagens da trilogia original, todos – até o vilão – têm um carisma incrível que consegue manter a essência de Star Wars, mas a ansiedade era mesmo para ver Han Solo, Chewie, Leia, C3PO e todos os outros personagens que a gente já considerava pacas desde muito antes do Despertar da Força.

Não vou entrar em detalhes porque eu odeio spoilers e quero que todos possam ler sem ter surpresas desagradáveis, mas J.J. Abrams fez um filme para fã nenhum botar defeito! Conseguiu inserir novidades sem deixar de lado os elementos tradicionais. Chorei de alegria, de felicidade, de tristeza e de tudo isso ao mesmo tempo. Antes de começar o filme, a menina do meu lado ainda comentou comigo – uma desconhecida – que o coração dela estava batendo muito forte, e acho que era o sentimento geral de todas as pessoas da sala de cinema.

giphy-19

Foi uma semana de clássicos, de ver cenas históricas e, mais importante, de dividir com milhares de pessoas um sentimento de paixão que muda completamente a atmosfera do lugar. Como é bom ver pessoas muito mais novas e muito mais velhas que eu dividindo o mesmo espaço, os mesmos interesses. Nesses momentos, todas as fronteiras entre as pessoas caem e a arte mostra a verdadeira função de tornar o mundo um lugar maravilhoso de se viver.

A genialidade de Xavier Dolan

Faz um bom tempo que eu estava com vontade de escrever sobre o Xavier Dolan. Se eu tivesse escrito há alguns meses, provavelmente seriam poucas as pessoas que teriam visto um trabalho dele. Hoje, no entanto, grande parte deve ter visto ao menos um clipe que ele dirigiu: Hello, da Adele. O canadense tem só 26 anos e, antes de toda a polêmica com o celular de flip, já era um nome forte em Cannes. Além disso, recentemente ele posou para uma campanha da Louis Vuitton.

editorial_14.12_048

Dolan é nascido em Montreal e, por isso, seus filmes são todos em francês. O grande diferencial das obras é a sensibilidade que ele tem de colocar detalhes tão pessoais e envolventes, de forma que a gente se identifique e se apaixone por todos os personagens criados por ele. Vou falar um pouquinho filmes que assisti dele mas, ao invés de usar a ordem de lançamento, prefiro utilizar a ordem em que eu assisti para dividir com vocês de que forma eu conheci o trabalho dele.

Amores imaginários

aa0f2-amores5

A primeira coisa que me chamou atenção em Amores Imaginários é a fotografia: cada cena do filme poderia ser um quadro, é tudo tão bonito e simétrico que visualmente o filme já vale a pena. A história mostra um triângulo amoroso formado pela moça da foto acima, o melhor amigo gay (interpretado pelo Xavier Dolan) e um loiro que faz os dois morrerem de amores. Vale a pena ver para relembrar exatamente qual é aquele sentimento devastador da paixão, que nos torna meio ridículos. E assim como todos os filmes do Dolan, a trilha sonora é excelente e vai do clássico ao pop.

Mommy

mommy

Dá um nózinho na garganta só de lembrar de Mommy. Além da trilha sonora impecável (a vibe me lembra um pouco a trilha sonora de Boyhood) e da fotografia original (o filme é quase todo 1:1, parece tipo um filme do Instagram), Mommy é extremamente visceral e intenso do começo ao fim. A relação entre mãe e filho é explorada com Diane e Steve, um garoto problema que é expulso do reformatório e volta a morar com a mãe. A relação entre os dois transita entre o incestuoso e o violento, levantando questões sobre os conceitos de normalidade.

Eu matei minha mãe 

j-ai-tue-ma-mere-15-07-2009-4-g

O primeiro grande sucesso do Xavier Dolan foi o último que assisti dele. E sim, o título é assustador, mas não é literal. Eu matei minha mãe é estrelado pelo próprio Dolan e tem traços autobiográficos, já que mostra a problemática relação entre o filho homossexual e sua mãe. É impossível não mergulhar na história dos dois e não lembrar dos nossos próprios conflitos com nossas mães – afinal, por melhores que elas sejam, existem sempre brigas e conflitos terríveis. Chorei horrores lembrando da minha mãe e de toda a nossa história, que ora tinha muito carinho, ora era uma verdadeira guerra.

Os cinco piores filmes dos últimos dois anos

Ultimamente eu tenho encontrado uma certa dificuldade em gostar MUITO de filmes. Tipo sair da sala de cinema ou desligar o computador e pensar por horas no que foi assistido, sabe? A última vez que isso aconteceu foi recentemente, depois de ver Jurassic World, que muitos odiaram, por sinal.

Tudo bem, confesso que não tenho visto muitos filmes, mas a maior parte dos que eu assisti nos últimos anos pode ser classificada em três categorias: “Bonzinho”, “Mé” e “Por que existe?”.

Pensando em toda essa frustração, fiz uma lista de alguns filmes que eu poderia ter ficado sem assistir, ou seja, estão na categoria “Por que existe?”. Olha só:

*Atenção, pode conter spoilers*

5 – Don Jon (Como não perder essa mulher) – (2013)

 

Amo o Joseph Gordon-Levitt, de verdade. Estava muito ansiosa para assistir esse filme e foi uma grande decepção. Ele mesmo foi o diretor do filme, que conta a história de um cara muito putão e viciado em pornografia. Ele é muito babaca, pega todas as mulheres que quer, até que se apaixona. O problema é que ele não consegue evitar o vício em filmes pornográficos. Assisti até o final esperando uma moral da história, uma explicação digna pra ele ser assim, mas não achei. Só entendi que ele é babaca mesmo ou precisa de ajuda.

4 – Lucy – (2014)

 

Mais uma decepção. Amo a Scarlett Johansson também, mas nesse filme não dá. “Mimimi é ficção”. Para mim, não justifica. Não achei nada de genial uma pessoa virar um pen drive.

3 – Warm Bodies (Meu Namorado é um Zumbi) – (2013)

 

Basicamente o cara vira um zumbi e arranja uma namoradinha. Além da história ser péssima a atuação é padrão Nana Gouvêa e a maquiagem nível Crepúsculo.

2 – Truque de Mestre (Now You See Me) – (2013)

 

Eu não sou muito fã de mágica. Não porque eu sou uma pessoa triste e amargurada, mas porque eu não gosto de ser feita de boba. E esse filme, além de fazer eu me sentir idiota por ver tantos truques, me fez de sonsa pela reviravolta que acontece no final. Os mágicos roubavam os espectadores durante as apresentações e o FBI passa o filme todo investigando a quadrilha. Porém, um dos agentes se revela como o líder do grupo de ilusionistas e, claro, me fazendo de trouxa por acreditar nas boas intenções dele. Para alguns, isso é um diferencial do filme, mas assim como toda mágica, você é enganado do começo ao fim.

1 – The Lazarus Effect (Renascida do Inferno) – (2015)

 

Ai, Olivia Wilde, você também não precisava disso. No filme, um grupo de cientistas de uma universidade descobrem uma fórmula que ressuscita pessoas. Primeiro testam um cachorro e ele fica endiabrado. Depois, claro, testam em uma pessoa e dá tudo errado. Meio que a pessoa morre e vai pro inferno, aí ressuscita e volta endiabrada.

Não sou nenhuma crítica de cinema, criei a lista baseada em gosto pessoal, sendo esse o único critério para a escolha. A próxima lista terá os filmes mais ruins que eu amo. Quem nunca, né?

Facebook: /anatalierosa
Twitter: /natalierosa
Instagram: natalie.rosa

Você assiste pornografia?

Provavelmente sim, não é mesmo? Confesso que já assisti, mas a maioria acaba me deixando muito desconfortável, e não me sinto estimulada com eles de forma alguma. Por isso, fiquei curiosa quando li sobre Hot Girls Wanted, um documentário do Netflix que mostra o cotidiano das mulheres de 18 a 21 anos que decidem entrar para a indústria da pornografia amadora e são contratadas por um agente em Miami.

O perfil das meninas é muito parecido: saíram do colégio, não podem ou não querem fazer universidade e desejam um trabalho que lhes dê liberdade, dinheiro e oportunidades de viajar e conhecer pessoas e lugares novos. Além de tudo, com sexo. Parece um bom negócio, não é mesmo? A maioria também sonha em se tornar tão famosa e rica quanto a Sasha Grey. E no começo, realmente parece um lugar amigável, onde elas são tratadas com respeito pelos atores e agenciadores enquanto fazem um trabalho que paga muito bem. Até desconfiei quando o agenciador falou que elas ficam apenas 3 ou 4 meses e depois desistem de serem estrelas pornô.

hot_girls_wanted_f1-2

Com o passar do tempo, no entanto, a verdadeira realidade dessas moças começa a aparecer. A primeira cena que realmente me chocou foi quando Ava Taylor – uma das mais sensatas durante o filme, ao meu ver – foi gravar com um homem muito mais velho. Antes de começarem, as orientações do diretor deixavam claro o que é a cultura do estupro: “você não diz sim, mas ele te toca mesmo assim, e você não pode estar totalmente envolvida em nenhum momento”, ele orienta, mostrando que o sexo encenado precisa parecer não-consensual. Ou seja, estupro. O enredo do filme, inclusive, era sobre uma garota transando pela primeira vez.

Logo após a cena, a atriz explica que todas as filmagens são assim: uma menina inocente e burra que encontra com um cara aleatório com quem ela jamais transaria na vida real, e sempre focado no prazer do homem. A mulher, nos filmes, é apenas um objeto para que o homem atinja seu objetivo. Ali, não é uma mulher, mas um conjunto de peitos, bunda e buceta. Aliás, o termo mais buscado nos sites de pornografia é “teen”.

Em outro momento, ainda mais chocante, eles explicam o termo “facial abuse”, que basicamente significa sexo oral forçado, muitas vezes tão violento que chega a fazer a mulher vomitar. A última parte, inclusive, é mostrado nos vídeos como uma forma de fetiche. As atrizes se sentem absolutamente humilhadas, mas ficam com medo de não aceitar e deixarem de conseguir trabalho. E, ao mesmo tempo, adolescentes crescem vendo esses vídeos e associam o estupro, a dor e o sofrimento da mulher ao prazer masculino.

Ao final, a maioria desiste, uma decide trabalhar apenas na webcam por conta própria e duas continuaram no ramo. O documentário é brilhante em humanizar essas mulheres e mostrar o abuso delas na indústria que lucra imensamente. Só os agenciadores, por exemplo, ganham 10% de tudo que elas fazem. E, longe de mim ser conservadora, mas a sexualidade tem que ser exercida sempre de forma saudável e consensual, o que com certeza não acontece em grande parte dos vídeos pornográficos disponíveis por aí. Hot Girls Wanted tem no Netflix e sugiro muito que todos, em especial os que assistem pornografia, assistam. É um tapa na cara.