O lado do aborto que não te interessa

Todo mundo quer ser contra o direito da OUTRA MULHER abortar…

Mas ninguém quer adotar a criança se ela for para um orfanato. “Não é problema meu” “Quem mandou abrir as pernas?” Com isso só fica evidente que os defensores da “vida” na verdade só são contra a sexualidade da mulher. Argumentam como se um filho fosse uma punição para fazer sexo (só a mulher, pq quando o filho, o irmão, o cunhado, o amigo abandonam uma mulher grávida usam vários argumentos para justificar, pedem que não julguem e que entendam o motivo: “homem é assim mesmo”).

Ilustração: Amanda Konishi

Gravidez não é punição, ter um filho é algo MUITO sério e exige responsabilidade). Um feto de até 12 semanas ((lembrando que isso é período máximo para um aborto, a ideia é que seja menos que isso) não é nem nunca sera um bebê, é um feto incompleto, um ser humano EM FORMAÇÃO. Se importar com isso mais do que com a vontade de uma mulher que já NASCEU é mesquinho.

O Brasil é um país retrógrado, fundamentalista, preconceituoso e que nunca vai pra frente pois falta empatia de um modo geral. Ninguém se importa com uma criança abandonada, ninguém se importa com uma mulher que não quer ter filhos (se a eficácia de cada método anticoncepcional não é 100%, dizer que só engravida quem quer é burrice pura.)

Não curte aborto, não faça. Chamar mulher que aborta de assassina é colocar tua religião na frente da liberdade das outras pessoas.

 

por Automatic Woman 

O discurso de P!nk no VMA 2017

A cantora P!nk foi homenageada, no último domingo (27), pela MTV americana como forma de reconhecimento ao trabalho na indústria da música. Depois de apresentar um medley com os seus maiores sucessos, P!nk ganhou destaque pelo seu discurso sobre questões de gênero, autoestima e padrões de beleza.

Ela começa contando do dia em que a sua filha, Willow, disse se achar a garota mais feia que ela conhece por parecer um menino. Veja o momento do discurso:

“Recentemente, estava levando minha filha para a escola e, do nada, ela me disse: ‘Mamãe, eu sou a menina mais feia que conheço’. Eu falei: ‘Hã?’. Ela disse: ‘É, eu pareço um menino com cabelo comprido’. Então meu cérebro entrou numa loucura. ‘Meu Deus, você tem 6 anos, de onde veio isso? Quem disse isso? Posso chutar a bunda de outra criança de 6 anos?’ Mas eu não disse nada.

Em vez disso, fui para casa e fiz uma apresentação no PowerPoint para ela. Nessa apresentação estavam estrelas do rock andróginas e artistas que viveram a verdade, que provavelmente foram zoados por todos os dias de suas vidas, mas mesmo assim seguiram com elas, levantaram suas bandeiras e inspiraram todos nós. São artistas como Michael Jackson, David Bowie, Freddie Mercury, Annie Lennox, Prince, Janis Joplin, George Michael e Elton John… Eram muitos artistas e os olhinhos dela brilharam.

Mas então eu disse: ‘Quero saber por que você se sente assim’, e ela respondeu: ‘Eu pareço um menino’ e eu disse: ‘Bom, com o que você acha que eu me pareço?’. Ela disse: ‘você é bonita’. Então eu agradeci e disse: ‘Quando as pessoas querem me zoar, é isso o que elas falam. Elas dizem que eu pareço um menino, que sou muito masculina, que tenho muitas opiniões, que meu corpo é muito forte’. Eu perguntei a ela: ‘Você me vê deixando o cabelo comprido?’ Ela disse: ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê mudando meu corpo?’. ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê mudando o jeito como me apresento para o mundo?’. ‘Não, mamãe’. ‘Você me vê enchendo estádios ao redor do mundo?’, ela disse: ‘Sim, mamãe’.

Então, minha bebê, nós não mudamos. Nós pegamos um cascalho da concha e o transformamos em pérola. Nós ajudamos outras pessoas a mudarem para que elas possam ver mais tipos diferentes de beleza.

A todos os artistas que estão aqui, me inspiro em todos vocês. Obrigada por serem quem são de verdade e por iluminarem o caminho para nós. Me inspiro muito em vocês. Continuem brilhando para que a gente veja. E você, minha querida, é linda e eu te amo”.

via Capricho

 

Facebook: /anatalierosa
Twitter: /natalierosa
Instagram: natalie.rosa

A lista da mulher que se cuida:

– Manicure;
– Pedicure;
– Unha de porcelana;
– Esfoliação;
– Hidratação;
– Depilação (sobrancelha, buço, axila, pernas, virilha e ânus);
– Clareamento anal;
– Clareamento dentário;
– Maquiagem;
– Maquiagem definitiva;
– Tintura no cabelo;
– Chapinha / Babyliss;
– Megahair;
– Alongamento de cílios;
– Permanente de cílios;
– Tintura de cílios;
– Micropigmentação;
– Bronzeamento artificial;
– Botox;
– Cremes para rugas, manchas, marcas de expressões, poros abertos;
– Bichectomia;
– Preenchimento labial;
– Preenchimento nas olheiras;
– Criolipólise;
– Dermaroller;
– Striat;
– Drenagem linfática;
– Acessórios (brincos, anéis, colares, cintos; pulseiras);
– Salto alto;
– Shakes;
– Limpeza de pele;
– Peeling;
– Plástica capilar;
– Cronograma capilar;
– Cronograma facial;
– Banho de creme;
– Plástica “íntima”;
– Silicone;
– Abdominoplastia.

Mas fiquem tranquilas que todo mundo AMA as mulheres, esse gênero tão belo ❤

O papel do desconstruídão no blacklash

Ele é incrível! Parceiro. Luta pelas minorias. Entende as pautas feministas e sabe decor vários pedaços da “cartilha” feminista.

Faz questão de falar para as amigas o quão diferente ele é, o quanto se irrita com os papos machistas do seu grupo masculino de amigos e como fica enfurecido e envergonhado com a forma que seus “conhecidos” tratam e se referem às mulheres.

Apóia a libertação sexual feminina, o fim do tabu acerca da nudez, o aborto e claro, o poliamor. Ah sim, acha o máximo mulher que “dá” no primeiro encontro e que ganha mais que ele. Até arrisca a piadoca marota do: “é bom que aí ela pode me sustentar, rsrsrs”.

Mas não se engane pois cedo ou tarde ele vai te explicar coisas que você já sabe, ignorar tuas ideias quando na frente de vários homens pensantes e descontruídões como ele, lembrar que existem exceções e que “mulher também”, citando prontamente casos isolados quando uma mulher reclamar de alguma dificuldade institucionalizada, sem se importar em tirar o foco da pauta (não chame de protagonismo pois ele odeeeia esse termo!) e obviamente ele vai dizer aos quatro ventos qual feminismo presta e qual “já é exagero”.

O pior é que esse tipo de cara ganha elogios o tempo todo, tem várias meninas aos pés (e usa isso da melhor forma possível.. pra ele mesmo). Usa o amor livre como desculpa para ignorar ou tratar com indiferença uma mina com a qual ele teve algum tipo de relação íntima e se você procurar bem até está em algum grupo de “caiu na net” do qual ele não sai por alguma desculpinha bem bosta.

Apenas tenha cuidado pois quando ele for abusivo ou machista contigo, ninguém vai acreditar afinal: ele é incrível!

Eu no Tinder

:: Você levará 3 minutos para saber como essa experiência terminou::

.

Rompi um noivado ano passado. Rompi um noivado cerca de 15 dias antes do casamento. Rompi um noivado e foi a melhor coisa que eu fiz da vida. Não foi fácil. Rompi um noivado e isso implica em estar solteira desde então. SOLTEIRA. Rompi um noivado e tive que ouvir: “Por quê ele te deixou?”. Rompi um noivado e tenho que lidar com a sociedade me dizendo que sou um  fracasso, pois não tenho um par, principalmente por já ser quase uma balzaquiana. 

 

Solteira. Isso ecoa como um mantra. Confesso que a mim esse status não é comum. Sou uma pessoa de relacionamentos duradouros. Não me lembro das vezes em que fiquei sozinha por muito tempo e, talvez por isso, eu esteja tão incomodada. Se me toca, me entrego. Não existe regra, pode levar um ano ou trinta minutos de conversa. É raro, mas acontece.

 

Eis que, logo eu que sempre tive o maior preconceito com esses aplicativos, estava lá selecionando fotos e quebrando a cabeça na “descrição”.  Afinal, como uma pessoa que não bebe, não gosta de sair e vive para o trabalho, vai tropeçar com o amor-da-vida (até que acabe)?

 

App instalado. Durou 3 dias, me senti ridícula, deletei. Voltei. Deletei. Voltei. Segui por mais uns 15 dias. Aquele processo de escolher o livro pela capa, deslizando o dedinho, muito para a esquerda e pouco para a direita.

 

Meu saldo:

 

– Vários match e nenhuma disposição em iniciar a conversa.

Confesso, tenho preguiça.

 

– Várias conversas que não passaram do “oi, tudo bem?”.

Desculpa, mas eu não tenho a mínima disposição para chat uol.

 

– Tantas outras conversas que se esvaíram em um dia.

Como é que se mantém elas?

 

– Um rapaz louco que não conseguia compreender um “Não estou afim”

Ao final, apenas um bloqueio para solucionar a insistência.

 

– Uma mensagem que no lugar do “oi” veio com “sexo hoje?!”.

Minha resposta: “sim, desde que não seja com você”. Não sei lidar, sorry! Ainda que várias pessoas tenham me dito que o Tinder era um app para sexo casual, queria provar o contrário.

 

– Sai com uma menina no dia do seu aniversário.

Ela era nova na cidade e achei que poderia ser interessante. Nada encantador e que morreu em dias de não conversas.

 

– Sai com um rapaz que eu já conhecia.

O encontro não foi nada além de uma conversa exaustiva, afinal, eu falo-pra-caralho e não senti aquele “toque”. Acho que ele já não aguentava aquele blá blá blá todo e fui embora, como sempre, me desculpando pela fala em excesso.

 

– Tive uma conversa empolgante sobre dicas literárias com um historiador bonitinho.

Não passou de um encontro fantástico e algumas mensagens durante a semana. Ele era daquelas pessoas que você quer por perto, sabe como? Que te inspiram.

 

– Várias meninas procurando outras meninas para “ménage”.

Isso é um porre.

 

– Várias mensagens do tipo “como suas tatuagens são legais, quantas são?”

 zzZZzzZZZZzz

 

– Encontrar  ex-namorada no app.

Medo.

 

– Perceber que “porra-eu-to-velha”

18 -20 anos dominam no jogo.

 

– Oi, você lembra de mim? Já tomamos um café há uns 6 anos atrás.

Surpresas da vida.

 

– Encontrei uma menina do app na fila do banheiro de uma cafeteria que me abordou dizendo “- oi, você não é a menina dos 4 instagram?”.

Óbvio que eu não lembrava da menina e, óbvio, que a pergunta me fez questionar o porquê eu ter 4 contas de IG.

 

– Percebi que as mulheres dão um show no app (e na vida). 
Era engraçado, porque eu deixava habilitada a função “homens e mulheres” e em 5 min eu já tirava os caras da seleção.

 

 

Enfim, app deletado e vida que segue.

 

Relacionamentos são investimento. De tempo, principalmente. O Bauman já explicou tudo, mas a gente sempre quer testar, comprovar se é assim mesmo. E, vamos dizer, o processo de inserir uma nova pessoa na nossa vida dá um puta trabalho. Eu não tenho e nunca tive disposição em impressionar, em conquistar. Não sei flertar, não sei. Gosto quando tudo, simplesmente, acontece. Então: serendipity.

 

No lugar no Tinder, cheio de foto de gente bonita e discursos ensaiados, me entreguei, mais uma vez, aos meus livros. Resgatei projetos da gaveta, voltei a estudar e sigo em paz. No lugar da conchinha na hora de ir para cama, optei pelos meus cachorros dormindo comigo, ignorando todos os pelos e falta de conforto ao dormir.

 

A verdade é que nesse meio tempo, conheci algumas pessoas incríveis. Pessoas pelas quais eu me apaixonaria, ou me apaixonei e ignorei, preferindo estar SOLTEIRA. Prefiro o Tinder real, do encontro e sem as “entrevistas-ensaiadas”.

 

Parei de procurar o amor, ele que me encontre.

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

Feminismo e empoderamento

Hoje em dia é comum ver feministas falarem de empoderamento no sentindo estético: “se empoderar é usar uma roupa e se sentir bela”, “passo uma maquiagem e saio me sentindo o máximo na rua”, “vou colocar prótese nos seios mas é para mim mesma, não para a sociedade: quero me sentir bonita e empoderada” e por aí vai e isso me entristece muito.

Entristece pois condiciona a felicidade e o empoderamento à aparência, entristece pois tem meninas que não tem dinheiro ou tempo para se emperequitarem, entristece pois o papel da maquiagem, do salto e das plásticas na alienação feminina passam a serem proibidos de se questionar, entristece pois o individualismo passa a ser mais importante do que o coletivo.

Muitas vezes esquecemos de pensar que para que um tipo de beleza se torne padrão é necessário que outro tipo seja considerado como feio, como incorreto: não há como padronizar gordas como belas sem que as magras passem a ser vistas como indesejáveis: se todos os tipos físicos forem aceitos, a necessidade de adquirir artifícios para se adequar passa a ser nula e a indústria da beleza passa a não ter por que existir.

Já pensaram que se você condiciona a tua felicidade e satisfação a estar se sentindo bonita toda vez que você estiver por algum motivo “feia” (aquele inchaço da TPM, as espinhas depois de comer algo fora, aqueles quilos a mais depois da semana Natal/Ano Novo, quando a base acaba e você tá sem grana, quando o cabelo não tá num bom dia, quando não deu tempo de passar na manicure, e a lista aqui pode ser infinita) não importa quem você seja, tua trajetória, o quão querida, inteligente, competente ou generosa você é pois você estará se sentindo um lixo? Você vai evitar sair de casa esses dias, evitar conhecer pessoas novas e no fundo no fundo, você inclusive acha que não merece ser feliz como punição por ser esse monstro horrível.

Sempre que há um papo sobre “se amar como você é”, ele gira em torno de maneiras de se vestir, maquiar ou portar para “evidenciar suas qualidades e esconder os defeitos. E aquela menina que realmente é fora de um padrão e que não há maquiagem que a torne bonita, como fica no teu conceito de empoderamento? Sei que vão perguntar: “ui, credo, agora não posso nem me maquiar nem me sentir bonita?”. Pode, claro que pode. Ninguém aqui é criança que precisa bater o pé simplesmente porque foi questionada.

Também sempre me questionam, já que é muito difícil sair da caixinha do pensamento comum: “ué, e o que seria empoderamento pra você?”. Bem, pra mim uma mulher empoderada é aquela que sempre busca conhecimento sobre o que defende: aquela que procura livros sobre o assunto, que respeita o que a coleguinha que pensa diferente diz, que abre a mente e não fica nos clichês dos textos e frases prontas de militância frívola de redes sociais. Empoderada é a mulher que depois de muito tempo de desconstrução sabe que não é menos porque não passou um rímel (ou porque passou), é a mulher que sabe reconhecer um relacionamento abusivo e que se oferece para ajudar aquela amiga que está numa situação difícil. Empoderada é a mulher que sabe responder quando um cara fala bosta para ela ou pra outra mulher, empoderada é a mulher que não fica presa numa argumentação pobre e que não tem medo de discordar de pontos de vistas de suas “musas” militantes.

Antes que venham com o clichê do elitismo: há muito material tão acessível e fácil de ler quanto um textão de facebook por aí. Peça indicações de livros e textos pra mulherada que tá na luta faz tempo. Você mesma agradece.

Gato escaldado tem medo de água fria

Terça-feira, 18h20. Enquanto eu esperava minha irmã em frente ao estacionamento onde deixo o carro, um Fox prata foi se aproximando de onde eu estava e diminuindo a velocidade. Parou com o vidro do passageiro aberto e falou algo para mim. Nesse momento eu já tinha virado meu rosto para o lado oposto ao do carro, olhando só de “rabo de olho”*.

Assim que ele falou comigo, foi parando o carro a poucos metros de onde eu estava e, curiosa, olhei. Nisso vi que ele estava com o celular em um suporte desses usados para facilitar a visualização do aparelho. E nesse momento tudo ficou claro: o homem dentro do Fox era um motorista de Uber/Cabify checando se eu era a passageira dele. Por um pequeno momento me senti culpada, afinal, o moço estava apenas procurando a pessoa que fez o pedido. Mas nós mulheres temos que suportar tanta coisa na rua vinda de homens machistas que é totalmente compreensível desenvolvermos estratégias para evitar ao máximo que sejamos abordadas com cantadas, na “melhor” das hipóteses, e desconfiarmos de tudo e de todos.

E isso só confirma o que tem se falado nos últimos tempos: é complicado demais ser mulher em um mundo machista. Somos impedidas de viver sem preocupações, porque nunca se sabe se durante nosso trajeto vamos ouvir cantadas vindas de alguém passando de carro na rua ou se o cara que está andando atrás de nós é um estuprador ou apenas alguém indo para o mesmo lado que nós.

Na dúvida, melhor colocar todos no mesmo balaio: só quem já perdeu o número de quantos assédios já sofreu na vida sabe como é difícil tentar dar votos de confiança a um desconhecido.

 



*Se tem algo que fui obrigada a praticar, isso foi prever o que pode vir a seguir nessas situações, e desviar meu olhar pra outro lugar é uma das coisas que faço quando suspeito que alguém dentro de um carro ou na rua vai me assediar verbalmente. Não que surta muito resultado, mas é uma forma de me sentir menos “invadida”.

Talvez você não seja tão legal assim

Pode até ser que você seja, mas se você tem tanta certeza assim de que é a pessoa mais legal, correta e decente que você mesmo conhece, tenha mais certeza ainda de que algo está bem errado. Calma, não tenho a intenção de ofender ninguém, mas esse é um questionamento que todo mundo deveria fazer o tempo todo.

É muito fácil ser desconstruído, descolado, jovem da geração Y (ou qualquer que seja a letra do alfabeto), especialmente se você é privilegiado em algum sentido. Sua vida é mais fácil do que a de muita gente e se te dói ouvir isso, eu sinto muito, mas privilégio é isso meu bem.

Acontece que a gente sempre precisa ser humilde o suficiente pra entender que talvez possa estar fazendo algo de errado e então mudar isso da forma como for preciso. Poucas pessoas têm a sorte de ter uma criação livre de preconceitos e estereótipos, mas isso também não pode ser usado como desculpa.

Crianças crescem com a certeza de que rosa é cor de menina e azul é cor de menino. Futebol? Coisa de moleque. Boneca? Guria. Menino chorar? Não pode. Falar sobre os seus sentimentos? Coisa de mulherzinha. Magro? Bom. Gordo? Ruim. Negro? Pobre. Asiático? Japa. Mulher? Frágil. Homem? Macho. Gay? Errado. Essa lista de absurdos infelizmente é muito mais extensa do que isso.

A coisa toda se repete tantas vezes e ao longo de vários anos, que se torna uma verdade para algumas pessoas. E é realmente um processo longo para desconstruir esse monte de mentira que passaram uma vida inteira contando para as pessoas.

Mas a pessoa que se considera o melhor e mais evoluído ser humano do planeta pode estar sendo preconceituosa e ruim com os outros, sem nem perceber e pelo simples fato de alguns valores estarem incrustados nela a ponto de passar batido. E todo mundo pode errar, até a pessoa mais livre de preconceitos e julgamentos que você conhece.

Às vezes o cara pode se considerar super ~desconstruído~ mas sem pensar muito faz uma comentário completamente sexista. A menina pode ser incrível, mas chamou outra mulher de vagabunda – pense, uma mulher fazendo comentário machista é de querer deitar no meio da rua e chorar. Tem gente que teve uma educação super privilegiada, fez intercâmbio, foi pra Disney mais vezes do eu fui à praia, mas na hora de se referir a alguém negro chamou de ‘moreninho’. O cara pode ser uma pessoa gente boa, mas falou que moda era coisa de ‘viadinho’.  A pessoa pode ser ótima, mas falou que todo asiático é igual. O moço pode ser muito culto, mas postou meme na Internet sobre todo árabe ser terrorista.

Se essa lista, que convenhamos foi apenas um pequeno exemplo de quão horroroso o ser humano consegue ser, soou como brincadeira ou bobagem para você, com certeza você não é tão sem preconceitos assim e nem tão legal.

Vou repetir, todo mundo está sujeito a isso e justamente por esse motivo, a gente precisa sempre olhar pro próprio umbigo e perguntar: Em que eu poderia ser melhor como pessoa? Isso é preconceito? Tá certo isso que eu penso? Essas dúvidas são bem importantes nesse processo de evolução como ser humano. Ficou com dúvida? Chega e pergunta com educação, que além de não ofender, contribui para deixar a sociedade menos horrível.

Devo deletar o ex da minha amiga das redes sociais?

Terminar um relacionamento não é fácil. Todos já passamos por isso ou ainda vamos passar, é fato. Mas a situação não é complicada somente para o casal, mas também para as pessoas que estão em sua volta, principalmente na era em que vivemos, na qual para que um relacionamento seja concreto precisamos mudar o status das redes sociais.

Tá, mas não é sobre isso que eu vim falar aqui, mas sim sobre uma questão de etiqueta social: o que fazer com as redes sociais dos ou das ex’s dos meus amigos? Continuo seguindo? Paro de seguir? Só cancelo o feed mas mantenho adicionado? Eu duvido que você nunca passou por uma situação parecida. Mas, para cada caso, uma condição diferente.

Eu não sou nenhuma expert em relacionamento, mas já pensei muito sobre isso, então vamos analisar três possibilidades:

1 – Você é muito amiga do ex da sua amiga, devo deletar?

Eu diria que não. Mas dentro desta possibilidade existem outras duas: a pessoa foi bem sacana com a sua amiga e você mais do que “tomou as dores” e não quer mais contato com uma pessoa assim; ou foi um término tranquilo, com mágoas, mas nada que indique uma falta de caráter. Nesse caso não é necessário, mas para o ex-casal, qualquer uma das decisões pode ser considerado como uma escolha de lado.

Então, cabe a você analisar essas questões. Vale colocar as amizades na balança e ficar do lado de quem saiu machucado ou tentar entender os dois lados, você não está errado em nenhuma das opções.

2 – Você conhece o ex da amiga, troca uma ideia, mas não tem uma amizade concretizada, devo deletar?

Não precisa. Essa pessoa provavelmente não faz diferença na sua vida, então estar ali não vai mudar em nada. Pode ser que a sua amiga peça para que você corte relações, então juntando esses dois fatos, reflita e aja pensando que a escolha é sua. Caso você delete e tombe com a pessoa por aí, nada impede que role um “oi, tudo bem, quanto tempo”.

3 – Conheço o ex da minha amiga bem pouco, mas ela pediu para não deletar para que eu stalkeie e repasse informações, devo deletar?

Sim, sim e SIM. Uma vez que as pessoas cortam relações, acredito que a melhor solução para a superação é manter zero contato. Todo mundo stalkeia, mas vamos combinar que a maioria dos stalks fazem mal. Então faça um favor para a sua amiga e delete o ex dela da sua vida. Não vai fazer diferença e você ainda está ajudando a sua amiga a seguir em frente. Esteja ao lado dela neste recomeço, a amizade é muito mais importante do que um simples contato no Facebook.

E você, o que acha? Já passou por alguma dessas situações? Compartilha com a gente, estamos curiosas para saber a sua experiência!

Responsabilidade afetiva: é justo culpar o outro pelo o que você sente?

A expressão é recente e o tema é polêmico: responsabilidade afetiva. Por se tratar de algo muito novo, não existe nenhuma definição no dicionário para explicar esse termo tão usado nos últimos tempos, mas responsabilidade afetiva significa, basicamente, que você deve agir com transparência e respeito em todas as suas relações, seja ela de amizade, namoro ou até mesmo com quem é apenas uma fodinha casual.

Me parece muito razoável exigir essa tal de responsabilidade afetiva das pessoas, afinal de contas todo mundo merece honestidade e consideração. Um exemplo simples: uma pessoa que trai em uma relação monogâmica tinha um “contrato” com outra pessoa e quebrou. É justo a chateação da pessoa traída? Ora, claro que sim! Agora, vamos supor que as duas pessoas estejam em uma relação aberta e o mesmo acontece. O “contrato” é outro, certo? Se as duas pessoas estão agindo dentro do que elas combinaram e uma delas se magoa, ela é responsável por aquilo que ela sentiu – afinal, ninguém agiu de má fé ali.

Eu sou responsável por tudo que sinto

Sim, é importante que você exija uma comunicação clara e respeitosa em todas as suas relações, mas o problema é achar que responsabilidade afetiva significa que outras pessoas são culpadas por aquilo que você está sentindo. Vamos supor, se você está ficando com alguém – sem promessa de monogamia – e a outra pessoa fica com outra pessoa, é mesmo culpa dela ou foi você que criou expectativas? É claro que você pode justificar falando que a pessoa deu sinais, te iludiu e o caralho a quatro, mas será que você não pode ter interpretado as coisas da forma errada?

É muito importante entender que a gente precisa exigir respeito nas relações, mas não podemos confundir isso com esperar que a pessoa atenda a todas as nossas expectativas – especialmente se você não verbalizou o que você espera dessa pessoa. E, mais fácil do que responsabilizar todos ao nosso redor pelos nossos sentimentos negativos, é entender que o que as pessoas fazem conosco pode ser uma escolha delas, mas o que a gente faz a partir disso é responsabilidade completamente nossa.

Amor próprio salva

Que lindo seria o mundo se todas as pessoas fossem honestas, se respeitassem e tivessem cuidado e carinho por todos ao redor. Seria, claro, mas o mundo real não funciona assim. Durante a sua vida você vai esbarrar com pessoas incríveis, pessoas muitos babacas e, principalmente, pessoas que não são santas nem demônios, mas que estão fazendo o melhor que elas podem naquele momento e, infelizmente, às vezes magoam uma ou outra pessoa sem querer.

O segredo é você buscar desenvolver o seu amor próprio e entender que seus sentimentos e sua vida não podem ser reféns de outras pessoas – é um peso muito grande você colocar a responsabilidade pela sua felicidade nas costas de outra pessoa que não seja você mesma(o).

E agora, você vai passar a vida inteira culpando pessoas ou vai se fortalecer para não cair nas mesmas conversas e nos mesmos erros? 

Coloque-se SEMPRE em primeiro lugar

OBS: gostaria de deixar claro que a reflexão foi feita pensando em situações que envolvem falta de comunicação entre as partes. De forma alguma quero minimizar o sofrimento de pessoas que passaram por relações abusivas e colocar a culpa na vítima. A caixa de comentários tá aí para a gente continuar discutindo o tema – com muito respeito, claro!