Uma história de amor

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Há muito tempo atrás, eu tinha um amigo. Daqueles com quem você passa horas a conversar, sem cansar, sem bocejar. Geralmente nossos encontros eram em em cafés e, quando o estabelecimento fechava, seguíamos a noite em passeios de carro, que mais tarde ele me confessou, era apenas um jeito de prolongar o momento. Bonito, não? Falávamos de tudo, em especial, literatura. Saia de cada conversa com uma lista de autores para conhecer. Era incrível. Porque ele lia coisas que eu jamais teria conhecido se não fossem por aqueles encontros. Era fã de Wood Allen como ninguém e me fez redescobrir a paixão no cinema, já que eu estava sempre enfiada nos livros. Enfim. Essa pessoa, um dia, se declarou para mim, aquelas declarações de cinema mesmo, e vivemos 3 meses maravilhosos. Para mim. Para ele, nem tanto, acredito eu. Pois essa pessoa, tão maravilhosa, sumiu numa sexta-feira e nunca mais voltou. Todo esse blá-blá-blá, é só pra dizer que essa amizade e relação me deixaram muitas feridas, mas o melhor, deixaram autores e filmes incríveis.

 

 

E por que é que eu estou contando tudo isso? Bom, é só para dizer que esse “babaca” me contou certa vez que tinha uma pessoa, que eu não me lembro quem, pois minha memória é péssima, que comprava vários livros do Salinger, O apanhador no campo de centeio, deixava na sua casa e presenteava a todos que o visitavam. Vocês já entenderão onde quero chegar, ainda que essa introdução seja totalmente desnecessária. Eis que em 2011, eu me encontrei com Carta a D., um livro fininho, pouco mais de 70 páginas, que me tocou pro.fun.da.men.te. E, como ele é um livro de valor acessível, comecei a comprar em certa quantidade e a presentear algumas pessoas por aí. Quando eu o recomendo eu já alerto: Por favor, leia sem buscar nada, apenas leia. Pule a orelha, ignore a quarta capa e respeite o posfácio e notas. Se você quer saber do amor, leia Carta a D.

 

Foto de Daniel Mordziski – Editora Galillée

Ele começa assim:

“Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”

Alguma dúvida do porque eu sigo a presentear as pessoas com Carta a D.? Ele tem um dos inícios de livro mais memoráveis de tudo que já li. Em um mundo repleto de relações líquidas, encontrar um Gorz ou uma Dorine é um puta-ato-de-amor e sorte. Espero que Dorine tenha recebido essa carta e que ela não tenha sido daqueles nossos escritos que morrem na gaveta. Pois percebemos no livro um desejo de redenção de Gorz, por muito ter negligenciado o papel de sua mulher em sua vida, é quase que um pedido de desculpa o livro. Aquela coisa, a dor da falta só faz falta quando já não há mais volta.

E por que é que eu lembrei do babaca lá de cima? Primeiro pela história de comprar diversos livros e, porque ao reler trechos de grifos hoje, encontrei esse, ao lado do nome dele e de mais uma pessoas doce aí:

“Antes de conhecê-la, eu nunca tinha passado mais de duas horas com uma moça sem ficar entediado e sem deixá-la saber que eu me sentia assim. O que me cativava é que você me dava acesso a outro mundo.”

 

André Gorz e Dorine Keir, Primeira dança.

Poderia ser uma história de amor, contudo a minha foi só decepção.

Muitas vezes eu fico a pensar, se essas pessoas pensam em mim, como lembro delas: com um suave aperto no peito, por tudo que acabou. Porque amar alguém, a mim, é além do físico, é um encontro intelectual. É abrir esse novo mundo, de que Gorz nos fala.

Bom, Carta a D. é uma declaração de amor, sabemos. Todavia é também um livro que fala da atividade da escrita na vida de Gorz, passando pela tarefa de escrever, esse momento de reclusão, que eu, particularmente, já vi acabar com inúmeros relacionamentos e, Dorine, traz a seguinte frase, dita a Beauvoir: “amar um escritor é amar que ele escreva”. Engana-se quem pensa que o livro fala apenas de “amor”. Ele fala de vida, de relações e da velhice. Um livro que traz a ficção da vida e a prolixidade do real.

Ao terminar a leitura, fiquei com aquela vontade de ligar para Álvaro de Campos e dizer:

– Oh, amigo, tu não falou que todas as cartas de amor eram ridículas? Leia essa aí.

Então, desejo a você, que agora me lê, não um grande amor, mas a experiência desse encontro. Que talvez, não seja com ninguém, seja em solitude e consigo mesmo.

André Gorz e Dorine Keir, em 1985 dans leur jardin à Vosnon (Aube). Cédric Philibert. Fonds André Gorz. Imec

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Vale dizer que Gorz era filósofo austríaco, foi seguidor e amigo de Sartre, trabalhou como jornalista em Le Temps Modernes e Le Nouvel Observateur. E foi considerado um dos principais inspiradores do movimento de Maio de 68 na França, tendo diversos livros censurados pela Ditadura brasileira, por considerar sua obra um material de conteúdo subversivo. Gorz é considerado um grande pensador e contribuiu no desenvolvimento de teorias para o marxismo-existencialista. Além de ter diversas publicações na área da filosofia e sociologia, dedicou-se também ao estudo ecologia.

André Gorz. Carta a D. História de um amor. Cosac Naify, 2006

 

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

Amora: substantivo feminino

:::Você levará, em média, 2 minutos para ler este texto:::

 

Há alguns dias terminei a leitura de Amora, livro de contos da escritora Natalia Polesso.  Confesso que meu encontro com o livro foi de início pelo nome, Amora. Amor no feminino. Uma das minhas frutas preferidas também. Cativada por esse título, fui em busca de algo que me descrevesse o livro, mas sem spoiler.

Em síntese, o livro está dividido em duas partes: “Grandes e Sumarentas” – 22 contos e “Pequenas e Ácidas” – 11 contos, totalizando 33 contos de temática lésbica.  Interessante, mas não por isso.  Até porque o livro não é sobre homoafetividade, esse é apenas um “detalhe”.  O livro fala dos amores, das descobertas, dos encontros, das despedidas… da vida.

Eis que fui até a livraria e lá encontrei o livro, meio ao acaso. Um projeto editorial lindo, com direito a capa dura e tudo.  Não resisti, mesmo com a fila de leituras que me persegue, comprei-o ignorando a ordem de leitura e fui conhecer Amora. Agora estou aqui, escrevendo sobre essa coletânea incrível.

Amora é daqueles livros com os quais você certamente se identificará em algum momento. Seja com alguma história ou personagem. Os contos tem isso, de nos encontrarem. É daquelas leituras em que você se pega rindo sozinha, dá aquela olhadinha para o lado, para ver se ninguém no café percebeu o seu riso, mas quando vê, está novamente gargalhando sozinha. A escritora permeia seus contos com humor, sarcasmo e no meio disso tudo, inúmeros conflitos internos, e, claro, amores. Quem não tem o seu?

São Contos, oras. Concisos, mas nem por isso menores. Natália traz as descobertas, as angústias, as alegrias e os silêncios das relações em suas histórias. Repleto de sensações e sentimentos que atravessam as suas diversas personagens, femininas. Ela traz mulheres que amam mulheres, e isso é muito bacana, termos protagonistas mulheres. Por muito tempo eu escrevi minhas histórias trocando meus casais lésbicos por héteros e, lendo o livro, me senti uma completa idiota. É um livro de amor e não que esse seja romântico, pois muitas vezes a morte pode ser um puta-ato-de-amor. Já pensou nisso? Leia Carta a D., do Gorz e me entenderá. Voltando ao livro, esse é o amor visto por diferentes prismas, desde a doçura e ingenuidade do amor adolescente, a velhice ao lado de quem se ama, e isso não depende de gênero, entende? Ao terminar a leitura, se você é gay, terá a percepção de que a autora conhece bem o universo sobre o qual escreve, o que permite esse encontro mais próximo, para essa parte do público.

A escrita de Natália é delicada e ao mesmo tempo um soco no estômago.

É feminina, porra!

Bom, todas essas palavras, um quanto que confusas, foram apenas uma tentativa em te indicar uma leitura esta semana. Se meu humilde post não te convenceu a ler o livro, fica aqui o registro de que ele levou dois prêmios no Jabuti, o 1º Lugar em Contos e Crônicas e também o troféu de Escolha do Leitor.

 

 

A pessoa mais volúvel do mundo. Complexa e sem manual. Vivo de hipérboles, escrevo para aliviar a alma, ser lida é consequência e um prazer superficial.

[Resenha] A cor púrpura de Alice Walker

Como é que eu não li isso antes? Essa foi a pergunta que ficou martelando na minha cabeça durante toda a leitura de A cor púrpura. Lançado em 1982 e ganhador de um Pulitzer no ano seguinte, o romance da Alice Walker fala de discriminação racial, machismo e sexualidade.

A história se passa entre os anos de 1900 e 1940 no sul dos Estados Unidos e conta a vida de Celie, uma mulher negra, religiosa, que foi cotidianamente estuprada pelo pai e que casa-se para assumir o papel de mãe dos filhos do marido recém viúvo a quem ela chama de senhor. Com uma escrita seca, direta e praticamente sem correção para uma normal culta, a linguagem é bem mais próxima da verbal, como escreveria uma garota que deixou a escola cedo.

Alice Walker

Há vários assuntos que a autora toca e faz isso com uma maestria impressionante. Além de falar da condição da mulher negra naquele local e naquela data, ela também apresenta, a partir da personagem que deixa claro todo e qualquer pensamento para o leitor, uma espécie de linha de construção de como o amor e a sexualidade se desenvolvem e como nos tornamos quem somos.

Outro ponto que merece destaque é que, nos anos 80, Alice Walker criou uma obra que ilustra perfeitamente o conceito de sororidade, tão discutido atualmente. A relação entre as mulheres nesse livro é digna de observação e admiração: a amizade das irmãs Celie e Nettie, que tem como família apenas uma a outra; a forma como Celie compreende as atitudes da mãe – algo muito sútil (como tudo nessa obra), mas fundamental; a relação de Celie com Sofia – esposa do seu enteado (e melhor pessoa <3) – que mesmo em um momento em que a “sogra” parece agir contra ela, há um entendimento de contextos, estabelecendo assim uma irmandade e por último, a relação que Celie constrói com Shug Avery, a mulher mais linda que Celie já viu e amante do seu marido.

 

 

Separei alguns trechos, sem intenção de dar spoiler, mas para que seja possível sentir a intensidade da obra. (Atenção: possíveis gatilhos). Na segunda página, sim na S-E-G-U-N-D-A ela traz essa bomba, quem fala é o pai:

“ – O que a tua mãe não quer fazer, vais tu fazer. – E encostou-me aquela coisa à anca e começou a mexê-la e agarrou-me a mama e metia-me a coisa por baixo e, quando eu gritei, esganou-me e disse: – O melhor é calares o bico e começares a te acostumar. – Mas nunca me acostumei”.

No próximo trecho ela também fala do pai, mas mais importante que isso, é a percepção que ela tem dos gêneros masculino e feminino:

“Meu Deus. Hoje bateu-me porque diz que pisquei o olho a um rapaz. Pode ser que me entrasse qualquer coisa, porque não pisquei o olho. Nem sequer olho para homens. É verdade. Para as mulheres olho porque não tenho medo delas”.

Em um outro trecho, Celie descreve a aparência do enteado Harpo, que anda triste, sofrendo pelos abusos do pai e pelo amor de Sofia. Ela diz:

“Tem uns olhos tristes e com ar de quem anda a cismar. A cara dele começa a parecer-se com a de uma mulher”.

E aqui ela diz muito com duas frases. Quando ela fala que o rosto de Harpo começa a se parecer com o de uma mulher, não é um rosto com qualquer expressão, é um rosto carregado de dor. Celie, até esse momento da sua vida, jamais havia visto um rosto de homem com uma expressão triste, para ela, até então, um rosto de mulher é sinônimo de um rosto que sofre.

Deu para sentir? Espero não ter dado muito spoiler, e que tenha instigado a vontade de ler essa história tão incrível dessa escritora maravilhosa. #leiamulheres E até a próxima!

Adendo: Em 1985 Steven Spielberg dirigiu uma adaptação da obra para o cinema e embora, na minha opinião, Whoopi Goldberg tenha ficado perfeita como Celie, achei que o filme perde muito do livro, questões que envolvem o que eu mais gostei na obra: sororidade, sexualidade e independência financeira de Celie e uma das relações amorosas mais bonita que eu já acompanhei na literatura.

QF Indica #02

Olá, gente bonita! Estou aqui mais uma vez para deixar algumas dicas de coisas interessantes que eu li, ouvi, comprei ou sei lá o que e acho que pode ser interessante para vocês também. E, claro, não deixem de dizer nos comentários a sugestão de vocês – eu sempre estou caçando livros, músicas, filmes e séries novos pra conhecer.

Joanne

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Teria como começar de outro jeito? Nunca fui ultra fã da Lady Gaga, mas gostava dos primeiros discos. O Artpop não ouvi até hoje, confesso, mas fiquei curiosa pra ouvir Joanne quando li que o Kevin Parker (do Tame Impala) e o Mark Ronson estavam envolvidos na produção.

Apesar de ter achado Perfect Illusion meio boring, adorei muito o resto do álbum (que só será lançado oficialmente dia 21, então ainda não está no Spotify) e o meu destaque vai pra Hey girl, uma parceria maravilhosa com a Florence Welch. Mas não vá esperando o pop farofa de ralar a bunda no chão! Apesar de algumas músicas serem dançantes, a Gaga pegou referências mais country para criar Joanne.

Aqui no Papel Pop tem as primeiras impressões do Phelipe Cruz sobre o álbum, vale a leitura!

Um milkshake chamado Wanda

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Falando em Papel Pop e Phelipe Cruz, um das coisas mais legais que eu descobri em 2016 foi o podcast do site. Quem não tem o hábito de escutar podcasts e/ou não sabe o que é, explico: podcast é tipo um programa de rádio, geralmente cada programa tem um tema, os quadros fixos e tudo o mais. É perfeito pra ouvir enquanto você faz tarefas mecânicas, tipo dentro do ônibus, lavando louça ou até mesmo trabalhando (mas aí vai depender da sua capacidade de executar bem as duas tarefas!).

O podcast da Wanda é pra quem curte cultura pop, fofocas de celebridades e essas coisas que permeiam o mundo do Papel Pop, mas o meu quadro favorito é o “Me ajuda, Wanda”, quando eles leem e-mails de ouvintes pedindo pitaco na vida pessoal deles. É muito engraçado, sério!

Esse post do GWS também fala de outros podcasts que valem a pena conhecer. 

The OC

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“Ai, Mariana, mas essa série já tem uns trocentos anos”. Eu sei, eu sei, mas agora ela entrou na Netflix! Eu já vi The OC várias vezes e todas elas são maravilhosas! E, se você ainda não assistiu, tá aí a oportunidade de ver uma das séries adolescentes que mais marcou os anos 2000.

O principal motivo para você ver The OC é a trilha sonora: puta que o pariu quanta música boa. Conheci várias bandas (entre elas The Killers e Death Cab for Cutie) por causa da série, que a partir da segunda temporada começa a narrar uma história que se passa em uma casa de shows. Além disso, é muito engraçado ver como as roupas que as meninas ricas usavam na época hoje em dia seriam muito cafonas (tipo as bolsinhas minúsculas da Louis Vuitton e os casaquinhos da Juicy).

As quatro temporadas já estão na Netflix. Boa maratona! 

Quadrilogia Napolitana

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Não tenho palavras pra descrever o meu amor por essa série de livros! Escrito pela Elena Ferrante, ela conta a história da amigas Lena e Lila, que se conheceram bem pequenas em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. O primeiro, “A Amiga Genial”, começa quando Lena, já adulta, recebe uma ligação do filho de Lila dizendo que a mãe desapareceu e levou embora qualquer vestígio da própria existência – fotos, roupas, objetos.

Então, Lena começa a narrar toda a história de vida delas com o objetivo de documentar a existência de Lila. O primeiro livro é focado na infância e no início da adolescência das duas e atualmente eu estou lendo “História do Novo Sobrenome”, a continuação de “A Amiga Genial”. Até o final do ano é para sair o terceiro volume da série e eu mal posso esperar para ler!

Também vale a pena ler um pouco sobre a polêmica decisão da autora em manter o anonimato. 

Sim, eu li um livro de youtuber

Desculpa, mundo, eu li um livro de youtuber. E sim, eu tenho mais de 15 anos. E gostei. Foi mal, sociedade, mas todo mundo tem uns detalhes de personalidade que são reprováveis! Quem tem o gosto impecável pra todo tá mentindo e eu é que não caio nessa áurea cult hipster diferentão que só consome livros e filmes aplaudidos pela crítica especializada.

Em minha defesa, a youtuber em questão fala com o meu público, sabe? Nós, classe média de vinte e poucos, na faculdade ou recém formados, essas coisas. Além disso, até onde todo mundo sabe a Julia Tolezano não pagou um ghost writer, ela sentou a bunda na cadeira e escreveu. Agora vamos deixar de justificativas, né? Li Tá Todo Mundo Mal, lançado mês passado pela Companhia das Letras, e foi uma delícia!

Todas as páginas tem aquele jeitinho Jout Jout, então se você curte o canal, a chance de gostar do livro é bem grande. Cada capítulo é uma crise dela (já adianto que tem um capítulo chamado “crise do pum quentinho”, melhor título de capítulo) e é impossível não se identificar ao menos com um dos pequenos grandes dramas que são abordados.

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O começo foi um flashback para a minha pré adolescência! Nessa época da vida, eu juro pra vocês, a coisa MAIS importante do mundo é ter um namoradinho. Tudo que a gente faz é pra ser mais bonita, mais legal e mais apaixonante aos olhos dos meninos. Se a gente foge do padrão de beleza, somos renegadas, quando muito, ao posto de amiga. E isso é o fim do mundo. Ou a gente achava que era, até perceber que o futuro tava reservando coisas muito melhores do que rapazes de 13 anos com bigodinho fino.

A Jout Jout resume muito bem essa sensação boba e é incrível perceber como as grandes crises do presente se tornam bobagens no passado. Então, se você está meio desesperada(o) com a vida, o livro é uma ótima pedida. Ela também fala da crise de escolher o que quer fazer da vida, de quando ela desistiu de um emprego porque simplesmente viu que não era o que ela queria (sabemos que nem todos tem esse privilégio, afinal CONTAS, BOLETOS BANCÁRIOS INFINITOS) e várias histórias interessantes do namoro com o Caio.

Caio, aliás, é um ponto altíssimo do livro. A introdução feita por ele é de chorar de amores e é mágico ver o quanto os dois aprendem juntos na relação – é um exemplo de relação boa, construtiva, saudável. Vale olhar com atenção para a forma com que as pessoas crescem quando o namoro é bom.

Como nem tudo é perfeito, alguns momentos me causaram um pouco de incomodo porque ela passou a impressão de ser muito mimada, sabe? Mas assim, ela é um ser humano, tem defeitos e teve uma vivência diferente da minha, então tá tudo certo porque no fim das contas ela ajuda milhares de pessoas em crise e isso já torna Jout Jout maravilhosa.

Li o livro rapidinho, foi necessário apenas o horário de almoço durante uma semana. Recomendo fortemente que você reserve algumas horinhas da sua vida para ler Tá Todo Mundo Mal, especialmente se você está na bad e tá precisando colocar as coisas em perspectiva! Perca esse preconceito com livro de youtuber, pelo menos com esse. Tá bem? Então tá bem!