Devo deletar o ex da minha amiga das redes sociais?

Terminar um relacionamento não é fácil. Todos já passamos por isso ou ainda vamos passar, é fato. Mas a situação não é complicada somente para o casal, mas também para as pessoas que estão em sua volta, principalmente na era em que vivemos, na qual para que um relacionamento seja concreto precisamos mudar o status das redes sociais.

Tá, mas não é sobre isso que eu vim falar aqui, mas sim sobre uma questão de etiqueta social: o que fazer com as redes sociais dos ou das ex’s dos meus amigos? Continuo seguindo? Paro de seguir? Só cancelo o feed mas mantenho adicionado? Eu duvido que você nunca passou por uma situação parecida. Mas, para cada caso, uma condição diferente.

Eu não sou nenhuma expert em relacionamento, mas já pensei muito sobre isso, então vamos analisar três possibilidades:

1 – Você é muito amiga do ex da sua amiga, devo deletar?

Eu diria que não. Mas dentro desta possibilidade existem outras duas: a pessoa foi bem sacana com a sua amiga e você mais do que “tomou as dores” e não quer mais contato com uma pessoa assim; ou foi um término tranquilo, com mágoas, mas nada que indique uma falta de caráter. Nesse caso não é necessário, mas para o ex-casal, qualquer uma das decisões pode ser considerado como uma escolha de lado.

Então, cabe a você analisar essas questões. Vale colocar as amizades na balança e ficar do lado de quem saiu machucado ou tentar entender os dois lados, você não está errado em nenhuma das opções.

2 – Você conhece o ex da amiga, troca uma ideia, mas não tem uma amizade concretizada, devo deletar?

Não precisa. Essa pessoa provavelmente não faz diferença na sua vida, então estar ali não vai mudar em nada. Pode ser que a sua amiga peça para que você corte relações, então juntando esses dois fatos, reflita e aja pensando que a escolha é sua. Caso você delete e tombe com a pessoa por aí, nada impede que role um “oi, tudo bem, quanto tempo”.

3 – Conheço o ex da minha amiga bem pouco, mas ela pediu para não deletar para que eu stalkeie e repasse informações, devo deletar?

Sim, sim e SIM. Uma vez que as pessoas cortam relações, acredito que a melhor solução para a superação é manter zero contato. Todo mundo stalkeia, mas vamos combinar que a maioria dos stalks fazem mal. Então faça um favor para a sua amiga e delete o ex dela da sua vida. Não vai fazer diferença e você ainda está ajudando a sua amiga a seguir em frente. Esteja ao lado dela neste recomeço, a amizade é muito mais importante do que um simples contato no Facebook.

E você, o que acha? Já passou por alguma dessas situações? Compartilha com a gente, estamos curiosas para saber a sua experiência!

Responsabilidade afetiva: é justo culpar o outro pelo o que você sente?

A expressão é recente e o tema é polêmico: responsabilidade afetiva. Por se tratar de algo muito novo, não existe nenhuma definição no dicionário para explicar esse termo tão usado nos últimos tempos, mas responsabilidade afetiva significa, basicamente, que você deve agir com transparência e respeito em todas as suas relações, seja ela de amizade, namoro ou até mesmo com quem é apenas uma fodinha casual.

Me parece muito razoável exigir essa tal de responsabilidade afetiva das pessoas, afinal de contas todo mundo merece honestidade e consideração. Um exemplo simples: uma pessoa que trai em uma relação monogâmica tinha um “contrato” com outra pessoa e quebrou. É justo a chateação da pessoa traída? Ora, claro que sim! Agora, vamos supor que as duas pessoas estejam em uma relação aberta e o mesmo acontece. O “contrato” é outro, certo? Se as duas pessoas estão agindo dentro do que elas combinaram e uma delas se magoa, ela é responsável por aquilo que ela sentiu – afinal, ninguém agiu de má fé ali.

Eu sou responsável por tudo que sinto

Sim, é importante que você exija uma comunicação clara e respeitosa em todas as suas relações, mas o problema é achar que responsabilidade afetiva significa que outras pessoas são culpadas por aquilo que você está sentindo. Vamos supor, se você está ficando com alguém – sem promessa de monogamia – e a outra pessoa fica com outra pessoa, é mesmo culpa dela ou foi você que criou expectativas? É claro que você pode justificar falando que a pessoa deu sinais, te iludiu e o caralho a quatro, mas será que você não pode ter interpretado as coisas da forma errada?

É muito importante entender que a gente precisa exigir respeito nas relações, mas não podemos confundir isso com esperar que a pessoa atenda a todas as nossas expectativas – especialmente se você não verbalizou o que você espera dessa pessoa. E, mais fácil do que responsabilizar todos ao nosso redor pelos nossos sentimentos negativos, é entender que o que as pessoas fazem conosco pode ser uma escolha delas, mas o que a gente faz a partir disso é responsabilidade completamente nossa.

Amor próprio salva

Que lindo seria o mundo se todas as pessoas fossem honestas, se respeitassem e tivessem cuidado e carinho por todos ao redor. Seria, claro, mas o mundo real não funciona assim. Durante a sua vida você vai esbarrar com pessoas incríveis, pessoas muitos babacas e, principalmente, pessoas que não são santas nem demônios, mas que estão fazendo o melhor que elas podem naquele momento e, infelizmente, às vezes magoam uma ou outra pessoa sem querer.

O segredo é você buscar desenvolver o seu amor próprio e entender que seus sentimentos e sua vida não podem ser reféns de outras pessoas – é um peso muito grande você colocar a responsabilidade pela sua felicidade nas costas de outra pessoa que não seja você mesma(o).

E agora, você vai passar a vida inteira culpando pessoas ou vai se fortalecer para não cair nas mesmas conversas e nos mesmos erros? 

Coloque-se SEMPRE em primeiro lugar

OBS: gostaria de deixar claro que a reflexão foi feita pensando em situações que envolvem falta de comunicação entre as partes. De forma alguma quero minimizar o sofrimento de pessoas que passaram por relações abusivas e colocar a culpa na vítima. A caixa de comentários tá aí para a gente continuar discutindo o tema – com muito respeito, claro!

Crítica social foda

Você com certeza ouviu falar de ’13 Reasons Why’ se você faz parte do maravilhoso mundo das redes sociais. E não é pra menos, acho que todo mundo devia assistir a essa série porque ela é um mal necessário – porque acredite em mim, vai te fazer muito mais mal do que bem.

De forma bem resumida, a série fala sobre uma garota que se matou e deixou 13 fitas K7 contando quem foram os responsáveis por isso. Sim, é uma série sobre bullying, machismo e desrespeito e ela é difícil demais de assistir.

Ouvi muita gente dizer que essa é uma série muito adolescente, que é bobagem e acho que só é capaz de dizer algo assim quem praticou muito bullying e não tem coragem de admitir ou que não tem sensibilidade pra entender a importância disso tudo. E pra mim isso é um problema de proporções assustadoras.

O cenário pode ser o ensino médio de uma escola americana e os personagens principais são sim todos adolescentes. Mas, na verdade, a série fala sobre a forma como tratamos uns aos outros e como isso pode afetar as vidas de todo mundo. Muita gente fala que é besteira, que todo mundo passa por isso.

As pessoas são naturalmente maldosas, isso vale para todo mundo. Se você entrar em uma sala de jardim de infância vai perceber o quanto as crianças são más e é para isso, em teoria, que existe a educação.  Só que o bullying, o desrespeito, o preconceito não terminam quando o colégio acaba. E não terminam porque as pessoas saem quase sempre impunes de situações assim.

“Tudo bem você chamar alguém de gordo, tudo bem você chamar alguém de puta, de vagabunda. Tudo bem você chamar alguém com descendência asiática de japa, dizer que tem o pinto pequeno. Tudo bem você chamar alguém negro de macaco, tudo bem chamar alguém com descendência árabe de terrorista”. Tudo bem?! Não! Não pode ser que isso seja normal, mas as pessoas agem como se isso fosse só uma brincadeira, como se isso não tivesse efeito algum nas pessoas.

Ninguém sabe e nem nunca vai saber como é estar na pele de outra pessoa. Não tem como saber pelo que o outro passa, como é a vida da pessoa, os problemas dela, as delícias e os medos. Mas sabe, existe empatia, tem que existir sempre. Tá todo mundo junto nesse mundo de merda e ninguém tá preparado pra nada, o mínimo que a gente tinha que fazer é se respeitar. Não é nem questão de ser uma boa pessoa, é questão de ser humano mesmo.

Na série, a personagem principal passa por vários episódios de assédio e machismo. Ela é tratada feito lixo por vários caras – e essa é a realidade da maioria das minha amigas e inclusive minha. Quando ela encontra um moço legal, o trauma é tão grande, tão dolorido, que ela não consegue deixar de ver ele como todos os outros caras. Isso é um exemplo de como esse tipo de coisa não acontece e simplesmente passa. Esse sentimento fica, pesa, muda a forma como vemos a nós mesmos.

E pode ser que você seja uma pessoa ótima e sensata, que não julga ninguém e nem tem preconceitos (inclusive me adiciona se você for). Mas ver alguma coisa errada acontecendo e não fazer nada, é tão parte do problema quanto. É uma questão de ser próximo das pessoas também, próximo a ponto de conseguir entender quando alguém não está bem. Você pode até não entender o que ela está passando, mas você pode sempre ajudar.

Minha mãe, maravilhosa que é, tem uma regra de ouro e eu acho que talvez seja uma das coisas mais importantes que ela me ensinou: nunca faça para ou outros o que você não gostaria que fizessem para você.

Tudo que a gente fala para os outros afeta de alguma forma, seja ela positiva ou negativa. Então se tiver que falar algo, que seja um elogio – não custa nada e pode mudar o dia de alguém. Eu acho que gentileza é a coisa mais atraente que alguém pode ter.

Amores anônimos

Eu não entendo muito o amor, não sei do que vive, de onde vem e muito menos para onde vai. Sei que ocupa espaço, que mexe com todas as células do corpo. E se a falta dele nos deixa com cores menos humanas, o entendimento de que o bicho está ali deixa tudo com um colorido diferente, mais intenso. Mas como eu disse antes, nunca sei de onde vem.

Em algum desses sábados gelados achei que era uma boa ideia levantar, deixar que o dia começasse de uma vez. Levanto, abro a porta e volto correndo para a cama, decidida de que a camiseta de banda que eu chamo de pijama não era páreo para o frio de um dia cinza. Agora sim, enrolada no cobertor, decido que um café só iria ajudar naquele momento. Água fervida, filtro, pó de café e aquele cheiro gostoso do meu vício recém passado. Foi aí, com a caneca em uma mão e a outra que segurava a coberta em volta de mim mesma que percebi o elefante branco parado no meio da minha sala. No dia anterior ele não estava ali, nem na semana passada.

Achei que poderia ser só impressão, quem sabe se eu voltasse a dormir ele desaparecesse por conta própria. Deixei a caneca no criado mudo e me cobri por inteiro com as cobertas como a criança que se esconde do fantasma do corredor. Mas de nada adiantou, o elefante continuava na minha sala e eu sabia muito bem porque ele estava lá. Acontece que elefantes não passam pela porta de entrada, muito menos cabem em elevadores. O jeito era aceitar que ele estava lá, que já era tarde demais para fugir dele. Isso não quer dizer que não poderia (tentar) ignorá-lo.

Continuo o dia como se nada tivesse acontecido, como se eu não soubesse. Recebo uma mensagem no telefone e me pego sorrindo sozinha no meio da rua. Frio na barriga, coração que não sossega no peito. Mas que droga de elefante. Respondo a mensagem com um “te vejo mais tarde então”, e sinto as asas das borboletas que carrego no estômago fazerem cócegas.

Me peguei sorrindo de novo e pensei que talvez fosse algo realmente bom, como nos filmes. Sigo carregando esse sorriso e penso até em te contar. Contar que sinto tudo isso por você e me sinto leve. Passo o resto do dia perdida entre muitos pensamentos bons sobre eu e você e acho mesmo que devo falar a plenos pulmões.

Subo as escadas e você está na porta, me esperando. O frio na barriga agora parece glacial, sorrio feito boba, sei que sim. Mas paro quieta, muda. Você, sempre educado, me pergunta se estou bem e respondo que sim. Mas acontece que não tem elefante algum na sua sala, só tem na minha.

Então engulo o que queria tanto falar e vemos um filme.

Precisamos falar sobre o puerpério

Olá, é a primeira vez que nos encontramos por aqui, então deixa eu me apresentar. Meu nome é Francine Lopes, tenho 27 anos, sou jornalista e mãe do Vitor de dois anos. Com o tempo vamos nos conhecer mais, será um prazer.

A intenção de usar esse espaço aqui no Quase Famosas é falar a real sobre maternidade. O que vemos nas nossas redes sociais são fotos, lindas, de amigos e familiares com seus bebês, ou quando encontramos alguém com criança está tudo bem, mas o dia a dia não é feito só desses momentos, pode apostar!

Muitas das coisas que passei e ainda vou passar na maternidade, gostaria que tivessem me falado. Por exemplo, que não é só o nosso sono que passa a ser cronometrado, mas as refeições, o banho, a troca de roupa… tudo, pelo menos até os 60 dias de vida do baby, tem o tempo determinado pelo neném. Não que isso seja ruim, é apenas questão de adaptação, uma difícil adaptação, confesso. Porém, não há nada mais recompensador que ser mãe.

Enfim, o primeiro tema que quero falar é sobre o puerpério, que no dicionário vem descrito como “período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação”. Ou seja, o pós-parto. Nesse momento o corpo da mulher passa por mudanças físicas e psíquicas, por isso requer uma atenção muito especial.

Uns dois meses antes dele nascer, uma amiga minha, de quase 20 anos de amizade, me disse que depois do nascimento do bebê alguns sentimentos meus poderiam não corresponder às expectativas. Porém, ela me deixou claro que só entenderia quando acontecesse, mas que era importante saber disso.

Ainda na maternidade, com dificuldade de fazer com que o Vitor pegasse o peito para mamar, ele precisou tomar um complemento para não perder peso, e foi só a enfermeira falar isso e pronto: desabei a chorar. Me senti culpada por não conseguir alimentar meu próprio filho e meu marido me abraçou tentando me consolar, pois a culpa não era minha, afinal nosso filho tinha só um dia de vida e estávamos nos conhecendo. No terceiro dia, quando ganhamos alta da maternidade, graças a minha queridíssima medica comecei a entender o que estava acontecendo. Ela disse que eu poderia sentir uma melancolia, vontade de chorar sem motivo, mas que tudo isso era normal durante alguns dias pois, durante a gestação, a placenta é responsável por produzir nossos hormônios e após o parto, com a retirada da placenta, nosso corpo fica sem produção de hormônios por alguns dias, o que acaba nos deixando mais sensíveis. Há mulheres, inclusive, que não sentem aquele amor imediato pelo filho e por isso se frustram, ou se sentem mal, mas pode acontecer nesse período.

Em casa, fiquei mais uns quinze dias sentindo essa vontade de chorar sem motivo. No começo meu marido ficou preocupado, mas foi passando e hoje damos risada juntos dos motivos pelos quais eu chorava. Lembro que era só minha mãe me perguntar se estava tudo bem que eu desabava a chorar, mas estava tudo bem haha.

Em resumo, os primeiros dias pareciam uma eternidade, porque meu filho chorava e eu ainda não sabia o que ele queria, minha rotina do dia para a noite mudou e tudo isso mexe com a gente, mas passa, é apenas uma fase. Para algumas mulheres é mais complicado, existem casos de depressão (de verdade) pós-parto, que às vezes é confundido com o puerpério. Depressão é uma coisa, é doença, é sério. O puerpério é outra, é uma fase delicada e que vai passar, tem que passar.

O mais importante de tudo é que nós precisamos falar mais sobre isso. Quem já é mãe, precisa falar como é, e quem não tem filho também pode falar o que sabe sobre o assunto. Os homens, seja o pai ou não, precisam compreender, respeitar e acolher essa mulher.  Empatia nunca é demais.

 

Veja o trailer do documentário inspirado no projeto “Chega de Fiu Fiu”

As meninas da ONG Think Olga criaram, em 2013, uma campanha para relatar os assédios sofridos diariamente pelas mulheres na rua. Agora, o projeto ganhou mais uma etapa em forma de documentário.

O filme é focado na apresentação de relatos de assédios contados por diversas brasileiras, que confessam quais são as adversidades enfrentadas devido ao medo constante e diário.

Assista ao trailer:

O documentário “Chega de Fiu Fiu” foi produzido com a ajuda da ferramenta de financiamento coletivo “Catarse” e deve servir de material educativo para ser exibido em escolas e órgãos públicos.

Cinco músicas pop das antigas que enaltecem o feminismo

Antes mesmo da internet se tornar popular e estar presente em todas casas, a gente dançava em cima do sofá ao som de clássicos do pop/rock assistindo MTV e Multishow, e ouvindo Jovem Pan. Muitas das músicas acabaram sendo esquecidas com o tempo, mas fazendo um esforcinho na memória, conseguimos lembrar e cantarolar com elas.

Geralmente não temos o costume de prestar muita atenção nas letras, principalmente em canções estrangeiras. Já deve ter acontecido com você: ouvir uma música que marcou sua adolescência e ficar em choque por não ter entendido a letra na época e agora perceber o quão significativas elas são.

Pensando nisso, resolvemos juntar cinco músicas que marcaram os anos 90 e 00 no mundo pop para a gente relembrar e analisar as letras.

1 – Christina Aguilera – Can’t Hold Us Down

Na sua melhor fase, Christina Aguilera quebra os padrões de “mocinha do pop” para lançar um álbum que deixa explícito o que, na verdade, todos os álbuns pop femininos tinham vontade de fazer, mas faziam de maneira subentendida: explorar a sexualidade, questionar o abuso, problemas de autoestima, entre outros. “Can’t Hold Us Down” questiona a fragilidade masculina e o motivo pelo qual as mulheres são constantemente julgadas.

“Então eu não posso ter uma opinião?
Devo ficar calada só porque sou uma mulher?
Me chama de vaca porque eu falo o que está na minha cabeça.
Fica mais fácil pra você quando eu só sento e sorrio?”

Tradução completa aqui.

2 – No Doubt – Just a Girl

Gwen Stefani usa “Just a Girl” para ironizar o patriarcado que diz o que ela deve ou não deve fazer, porque ela é “apenas uma garota pequena e bonita”.

Porque eu sou apenas uma garota, preferiria não ser
Porque eles não me deixam dirigir tarde da noite
Eu sou apenas uma garoa
Acho que sou algum tipo de louca
Porque eles ficam sentados me encarando com aquele olhar

Tradução completa aqui.

3 – Destiny’s Child – Independent Woman Part 1

O nome da música é autoexplicativo, mas a letra é muito mais que isso. Antes mesmo de a Beyoncé se tornar um ícone do empoderamento, a música tema de Charlie’s Angels já nos dava uma lição: “Eu dependo de mim”.

Diga como você se sente sobre isso
Faço o que eu quero, vivo como eu quero viver
Eu trabalhei duro e me sacrifiquei para conseguir o que consegui
Mulheres, não é nada fácil ser independente

Tradução completa aqui.

4 – TLC – Unpretty

“Unpretty” não é declaradamente uma música feminista, mas aborda questões que assombram as mulheres desde cedo: o padrão da beleza. Desde crianças ouvimos como devemos agir, como se comportar e como o nosso corpo deve ser, pois “homem não gosta de mulher assim”.

Mas se você não consegue olhar para dentro de si mesmo
Descubra quem eu sou
Para estar na posição de me fazer sentir
Estupidamente feia

Tradução completa aqui.

5 – Beyoncé – If I were a Boy

A música fala sobre a maneira na qual as mulheres são tratadas pelo parceiro, invertendo os papéis. “If I Were a Boy” deixa o questionamento de que as atitudes masculinas são “normais” e que se fôssemos homens, talvez entenderíamos. Beyoncé canta que ela faria questão de entender o outro lado, respeitaria e valorizaria, porém, eles são “apenas garotos”.

Se eu fosse um garoto
Eu desligaria meu telefone
Diria a todos que ele está quebrado
Então eles iriam pensar que eu estava dormindo sozinho
Me colocaria em primeiro lugar
E faria as regras pra seguir
Porque sei que ela seria fiel
Esperando que eu volte pra casa

Tradução completa aqui.

Precisamos falar sobre 2016

Eu ando com dó da pessoa que vai ter que editar a retrospectiva do ano 2016. Mas também não sei o que a gente esperava de um ano que mal começou e já morreu ninguém menos do que o David Bowie. Depois disso a coisa toda foi meio que ladeira abaixo.

Eu também imagino que vai ser uma loucura ensinar História Contemporânea do Brasil daqui alguns anos, especialmente no que diz respeito à política. Em 2016 a gente viveu um golpe de Estado e, se por algum motivo você ainda acha que não foi, é preciso ler mais sobre esse assunto. E eu digo ler de verdade e não se informar por páginas tendenciosas do Facebook e nem acreditar em tudo que mandam para você no grupo da família no Whatsapp. Mas tudo bem, quem não está confuso esse ano, não está mesmo bem informado.

Nesse ano também senti que a intolerância das pessoas se agravou, parece que ao invés de evoluirmos, estamos em marcha ré com destino para 1964 – e me refiro não apenas ao cenário político do Brasil e do mundo, mas também a questões sociais e econômicas. Parece que, em 2016, o mundo inteiro pendeu mais para o lado direito e não consigo ressaltar o quanto isso me preocupa. Mas chega de política, tenho certeza que todo mundo vai ter um final de ano agitado nas discussões familiares no meio da ceia.

O mundo presenciou também tragédias que mudaram o curso da história, mas que tragédia também não muda tudo? Mesmo os pequenos desastres pessoais são capazes de mudar o presente e o futuro. A única coisa que a gente não consegue mudar mesmo é o tal do passado. Seja como for, não foi um ano fácil pra ninguém. Lidamos com metade do globo em crise econômica, política, social ou, em alguns muitos casos, todas as alternativas juntas. A crise dos refugiados na Europa mostrou que a humanidade sabe ser muito cruel, mesmo com quem já vive um verdadeiro terror em seus países de origem. Claro, nem sempre é tudo horrível, mesmo com esse cenário tenebroso, muita gente foi capaz de mostrar que dá pra manter um pouquinho de fé na humanidade.

No quesito amor, senti que esse ano acumulou mais um tanto de decepções e não digo isso apenas de mim mesma, eu escutei muita gente contar não tem sido fácil amar. Como é que pode ser difícil amar, não é? Um dos sentimentos mais primitivos do ser humano e ainda assim, em 2016, amar foi sofrido. Uma geração inteira de pessoas com traumas, dificuldades em demonstrar sentimentos e um talento em não conseguir dizer a verdade. Ouvi, vezes por demais, pessoas reclamando que tem muita gente por aí que não tem o menor respeito pelo sentimento alheio.

Aprendi que nem sempre que alguém diz que gosta de você e até mesmo que gostaria de estar contigo, quer mesmo dizer isso – muitas vezes essa pessoa em questão só precisa de você ali porque sabe o quanto você gosta dela e precisa que você fique por perto, mas não muito, apenas para inflar o ego dela. E isso é triste demais.

Pessoalmente, eu senti que esse foi um ano em que todo mundo se permitiu ser mais egoísta e egocêntrico, em todo tipo de situação. Na política, especialmente do Brasil e dos Estados Unidos, a maioria tomou decisões pensando apenas no próprio umbigo, pensando somente naquilo que traria benefícios próprios. Na Europa, as pessoas que se opuseram a receber refugiados também foram muito egoístas e, ironicamente, o continente deles foi historicamente o que mais enviou refugiados pós-guerra para países do mundo todo.

Quando o assunto foi a descriminalização do aborto colocaram uma bancada evangélica, composta por homens, para decidir. E quando ficou decidido que abortar até os primeiros 3 meses de gestação não seria crime, um pessoal lá do Facebook lançou a campanha “hoje tenho x anos, mas já tive 3 meses #movimentoprovida” e esqueceu que descriminalizar o aborto não é sobre eles ou o que eles acham e sim sobre a vida de milhares de mulheres que correm risco de morrer todos os dias em clínicas e métodos clandestinos e que essa decisão pertence a elas e somente a elas.

A questão toda de pensar apenas em você mesmo afeta todo e qualquer tipo de relação humana, muda completamente a forma como sentimos e nos permitimos sentir. Seja entre amigos, em um relacionamento amoroso, na família e com pessoas que você nem conhece, se você não consegue pensar nas suas atitudes e no que elas podem resultar, tanto para você quanto para o resto do mundo, a coisa toda complica. A minha retrospectiva desse ano que pesou muito é de que as coisas seriam muito melhores se a gente não olhasse somente pro nosso umbigo, não importa o quão bonitinho ele possa ser.

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